Der Anfang

Eu sinceramente não sei o quanto disto é verdade e o quanto é fantasia, imaginação ou enganação. Não serei capaz de diferenciar os truques alegóricos de meu (in)consciente e a realidade a muito esquecida, portanto não ousem levar a sério uma única sílaba do que será contado a seguir, apenas aproveitem esta maluca história, sem nenhum propósito.


Nasceu a certo tempo atrás um menino no mesmo dia do aniversário de sua avó, e esse foi considerado por esta o presente dela daquele aniversário. Ninguém tinha como saber ainda, mas vó e neto seriam muito ligados, tanto em aparência física quanto no comportamento. Exceto pela grande diferença de idade, eles poderiam se passar por gêmeos, que coincidentemente ou não, seus horóscopos já lhes dava a dica: eram geminianos.
Particularmente, creio ser um fato irrelevante para a história a seguir, mas considerando meus interlocutores, achei que talvez gostariam dessa pequena introdução.
Bem, essa criança se descobriu nas escolas, ser tímida e introvertida (não essas palavras como um rótulo, mas sim a vivência de ser esses conceitos), talvez pela incapacidade de fazer amigos e por não entender bem as relações humanas.
Contudo havia um porém, que para aquela criança passou desapercebido por muito tempo. Ela era sensível aos sentimentos dos outros. Talvez naquilo que os outros chamam de compaixão. Não era sempre, mas com bastante frequência, aquela criança podia sentir os sentimentos dos outros. Ela todavia não tinha como saber se era algo normal ou não, pois era algo que sempre lhe ocorreu durante toda sua vida.
Por empirismo, talvez, ela descobriu que era muito mais confortável ficar em casa a sair. Ela gostava de ficar sozinha e no máximo com familiares e pessoas que ela já conhecia bem.
Multidões e pessoas desconhecidas era incomodo. Um grande fluxo misto de emoções permeavam o ar e a maioria não eram de sentimentos agradáveis. Basicamente as pessoas eram estressadas, entediadas e carentes. Deus, como são carentes!
...
Bem, muito tempo se passou, e naturalmente a criança aprendeu a domar esse sentimentos. Ou melhor, a repreendê-los. Ela decidiu (inconscientemente) que entre encarar tantas e difusas emoções (que nem eram suas, mas ela não tinha certeza sobre isso) e não senti-las, era melhor não sentir. E essa decisão, foi simplesmente esquecida.
Com sentimentos então atrofiados, entender outros seres humanos foi uma experiencia diferente. Era necessário entender a complexa comunicação não-verbal, que tanto alterava o significado da comunicação verbal.
Como um menino altística, ele, sozinho, reforçou e aprendeu, com mais detalhes, observando com mais atenção, as expressões faciais e corporais, pois os sentimentos que nele gerariam tais expressões, já não estavam mais lá a flor da pele (sempre disponíveis). [Era melhor que não.]
Ele então fez vários experimentos consigo mesmo. Quando ele se sentia feliz, encantado, alegre ou achava algo engraçado, ao momento em que um sorriso lhe surgia no rosto, ele tentava sentir todo aquele sentimento ao invés de exteriorizá-lo, suprimento assim o sorriso. E isso foi feito com vários outros sentimentos que lhe surgiam espontaneamente.
No começo foi engraçado, pois uma coisa estava muito mais relacionada com a outra do que ele havia imaginado. Ao sentir feliz e sorrir, e sentir feliz e não sorrir, parecia que ao não mover os músculos de sua face, ele não conseguia segurar essa felicidades, contudo ele sentia essa felicidade de forma muito mais intensa (porém em menor tempo).
Ele também descobriu que o contrário era verdadeiro. Ao sorrir sem sentir nada a priori, sentimentos positivos vinham a flor da pele. Foi quando ele teve certeza que as expressões corporais refletiam muito (e diretamente) o sentimento dos outros e por tabela, o que elas estavam pensando se tornavam facilmente deduzíveis. Ele basicamente aprendeu a ler pessoas!
Ao mesmo tempo, ele aprendeu algumas das expressões faciais mais comuns, e a medida que o tempo passava ele foi tomando mais consciência de outras. Ele sentia o deslizar de um músculo sobre o outro, suas contrações e relaxamentos em seu próprio rosto e depois a importância dos outros membros para transmitir alguma ideia, de forma indireta.
Isso teve um efeito colateral que ele não previu: Ele deixava seu rosto cada vez mais livre para se expressar, contudo por sentir até demais as contrações de sua face, as mínimas contrações já lhe pareciam exageradas, de forma que ele mostrava para o mundo nada mais que microexpressões, enquanto em sua cabeça ele estava abertamente se expressando.
Esses novos conceitos para ele, fez com que ele desconstruísse e construísse novamente o que ele sabia das interações humanas, o que fez que muitas das relações lhe soassem estranhas.
...
Bem, isso era só uma das coisas que se passava na vida daquele menino. Assim como qualquer outra vida, cada dia várias coisas lhe acontece e de forma simultânea. Emoções não era bem um interesse dele. Foi só algo que se desenvolveu para ele de forma um pouco mais diferente. Ele logo também descobriu que ler pessoas era chato, pois as pessoas eram chatas, entediantes e vazias, além de lhe parecer uma grande invasão de privacidade, portanto os interesses dele nunca se voltou muito para as relações interpessoais (nada mais além do que ele achava ser o necessário).
Acho que vale ressaltar também que ele teve que redescobrir os sentimentos. Como abrir lentamente uma caixa de pandora, mais aos poucos, pois não se queria voltar para o estado inicial, com uma confusão de sentimentos. Ele queria deixar a caixa levemente entreaberta.
Ele sentiu primeiro os sentimentos fortes, como ódio e raiva e depois os outros. Mas isso foi em um longo prazo de tempo. Um longo e demorado processo. Por sorte ele conseguiu fazer alguns amigos durante a vida, que lhe permitia puxar e experimentar novos sentimentos, além da desconfiança e da fria análise de interesses.
Porém mesmo após anos de vivência, alguns sentimentos para ele ainda são extremamente obscuros, como o amor por exemplo. Ele achava que o amor era um sentimento tão forte quanto o ódio, porém ele procurou em vários lugares e não conseguiu achá-lo, nem mesmo dentro de sua família. Ele suspeitava que sua família lhe amava sim, era apenas que ele não conseguia sentir e emanar tal sentimento de volta ainda.
No começo isso o incomodou, mas depois ele olhou bem dentro de si e viu lá havia um lado "bom", de acordo com certos parâmetros recolhidos em vida, e ele gostou do que viu. Ele olhou ao redor e viu que também havia um lado "mau", e ele também gostou do que viu. Foi quando ele entendeu que não quereria ser uma boa pessoa, ele queria o equilíbrio, e que talvez o amor só viesse junto com o sentimento que lhe equilibrasse e já sabe ele que não é o ódio. Por isso essas questões não lhe incomodam mais.

E tudo isso, que foi decisões encobertas e que foram escolhidamente serem esquecidas, o foram. E permaneceriam. Se não fosse um certo rabanete que quase matou um outro menino a poucas ruas de distância, enquanto isso um dia aconteceu.


Mas isso tudo, é só uma história, de um ordinário escritor carente (que não gosta de revisar seus textos), desesperado por ser especial. Mas que tolamente escolhe um diferencial "amaldiçoado" para a vida de seu eu-lírico.

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