Minha concepção de “tempo” concorda muito com as teorias proposta por Albert Einstein: o tempo é uma dimensão do universo, assim como as outras três espaciais (largura, comprimento e altura). Ou seja, o tempo é uma dos elementos base que constituem o nosso Universo. Contudo somos muito limitados e estamos em uma posição desprivilegiada para que possamos entendê-lo.
Das radiações eletromagnéticas em que o Universo está imerso, conseguimos perceber apenas uma pequena faixa de todo o espectro, o que chamamos de Luz Visível (apenas as ondas de comprimento de onda entre 750nm e 400nm) e desse pouco que conseguimos captar, nosso cérebro precisa fazer complexas artimanhas para interpretar tão pouca informação: atribuímos cores as frequências de onda. As cores nada mais é que uma interpretação daquilo que percebemos: uma forma de tentar compreender as diferentes coisas que nos tangem. Algumas pessoas já nascem com uma deficiência nessa interpretação (daltônicos, por exemplo) e outros nasceram com essa interpretação expandida em outros sentidos, como na audição (os sinestésicos, que vêm cores nos sons). Aliás, o som é outra forma limitada de percebermos as frequências mecânicas que nos rodeiam, em que ouvimos apenas de 20Hz a 20KHz. Ou seja, nós temos limitações em todos os sentidos e aspectos para sentir tudo o que o Universo expressa, e com o tempo não é nada diferente.
Nós só somos capazes de entender o tempo de forma linear, contínua, progressiva e simultânea com o espaço. Na verdade nem mesmo conseguimos sentir o tempo, apenas os efeitos e consequências de sua passagem pelo o espaço. Medimos o tempo olhando como as demais coisas são afetas, como o mover de um ponteiro em um relógio, como a distância percorrida por uma onda, como o que foi metabolizado em um micro-organismo ou como ocorreu qualquer outro evento de um instante para o outro.
Não conseguimos nem imaginar simplesmente o tempo (sozinho), ou mesmo um evento passado sem associar com algum elemento físico palpável. Por isso temos o conceito de “espaço-tempo”, pois um está intrinsicamente relacionada um com a outra, porém somos limitados ainda a só entender como o tempo altera o espaço, mas ainda não o seu contrário (como o espaço altera o tempo?).
Como o tempo nos foge muito da percepção, pois estamos muito ligados ao mundo físico (ao espaço), precisamos desenvolver complicadas teorias físicas, para fugirmos dessa ignorância. Quem sabe precisemos ainda reinventar mais uma vez a matemática e mais recursos, para que possamos elaborar alguma teoria que nos permita enfim ter uma breve alusão geral do que o tempo realmente é.
E estamos em uma posição desvantajosa, pois para vermos o todo, precisamos nos afastar, se possível ver de fora, pois a proximidade nos cega para o que está ao nosso redor, mas como nos afastar do tempo se não sabemos viver fora dele? Apenas imerso nele... imerso no constante presente.
Só temos real noção do presente e do agora. O passado é só vestígios, lembranças, memórias, recordações, anotações, gravações, recordings... tudo volátil, tudo manipulável, tudo perdível, esquecível, distorcível, alterável... O futuro é sempre inalcançável, que num piscar de olhos já é presente ou simples fruto de sua imaginação numa possibilidade fantasiada, uma projeção de nossos desejos.
Desejos esses que se resumem, na nossa sociedade atual, em “ser rico” e, portanto o “tempo” virou uma moeda, algo negociável: aliás, “tempo é dinheiro”. Tempo é algo a ser gerenciável. Criou-se o conceito de “aproveitar mal/bem seu tempo”. Você agora paga pelo tempo em que alguém gastou àquilo (bem ou serviço). Um professor recebe a hora-aula. Se um palestrante consegue explicar bem um assunto em 20 minutos e outro explicar igualmente bem o mesmo assunto só que em 1 hora e 40 minutos, apesar de ambos terem prestado o mesmo serviço com os mesmo recursos, o preço pago a cada um é diferente. Capitalizamos os recursos, a mão de obra, a disponibilidade dele em cada local e o tempo gasto em todas as instâncias. O preço do imediato é mais caro que a espera...
Tempo? É mais fácil imaginar um relógio (um Rolex bem caro de preferência) a tentar entender a teoria de tudo. Quem sabe o tempo é apenas uma corda. Uma corda que chicoteia a todos, rápida demais para que possamos ver. Invisível, silenciosa e mortal.
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