Ao fim do ano de 2016 em uma postagem de um amigo, começou a rolar uma saudável discussão sobre aborto. A discussão foi desencadeada devido a uma decisão judicial, que liberou, em um caso específico, o aborto para um feto com menos de 12 semanas de formação. Eis minha opinião do momento logo abaixo.
Gostaria de deixar registrado, só para poder ler futuramente e ver o quanto minha opinião mudou sobre o assunto, com o passar dos anos.
"
Acho que não dá para deixar "cada caso é um caso" na descrição da lei, pois a justiça brasileira demora muito! Talvez seja um caso passível de aborto, mas temendo a criminalização e o julgamento da lei, até sair o veredito, o bebê já pode ter nascido e/ou mãe e filhos terem morridos.
O caso da Espanha é igual a muitos outros casos europeus que ouvi falar. O aborto legalizado dá mais liberdade para discussão e um atendimento melhor. Só de legalizar e os abortos serem feitos por médicos especializados já é um mecanismo a favor da vida, uma vez que várias mulheres tentam abortar clandestinamente em locais inapropriados com verdadeiros açougueiros e acabam morrendo.
Sem contar no atendimento de psicólogos, que em grande parte dos problemas resolvem. Há ainda de quando acompanhado, o governo poder intervir com auxilio financeiro, quando este é o ponto de não querer seguir adiante com a gravidez ou ainda já direcionar para a adoção a futura criança.
É uma questão semelhante a legalização das drogas. Quando o governo passa a regulamentar, as coisas podem melhorar a favor da sociedade.
[semelhante nesse ponto, não igual, claro!]
Acredito que a legalização do aborto é até uma medida anti-aborto, uma vez que dá para mostrar estatisticamente que os números caem.
O problema: quando a vida se inicia? O aborto nas primeiras semanas é assassinato ou prevenção contra a vida? Pois métodos contraceptivos também são prevenção contra a vida...
A questão é que ninguém sabe se este bebê sobreviverá naturalmente. Se foi uma gravidez indesejada, é grande a chance de ser a primeira gravidez da pessoa, e quem é da área de saúde pode confirmar que o corpo geralmente aborta naturalmente a primeira gravidez [pois a mudança no corpo feminino é muito grande]. Às vezes a mulher fica grávida uma primeira vez e nem fica sabendo, pois o corpo rejeita.
Eae? Será que morreu um futuro gênio? Um futuro delinquente? Uma pessoa simples e ordinária?
Ninguém sabe o futuro! Talvez o bebê morresse nas primeiras semanas.
Eu defenderia a legalização, para justamente haver a possibilidade de discussão aberta e com pessoas céticas no assunto [profissionais da área mesmo]. E daí ia da ética de cada um.
Pois cada um já segue sua ética e se for abortar, vai abortar de todo jeito.
Gosto daquele memes em que tem animais presos em locais improváveis e a questão não é "como eles chegaram lá", mas sim "como tiraremos eles de lá" / "como resolveremos o problema".
Se o aborto é algo que está sendo cogitado, sabemos como aconteceu. Por isso sabemos que tem que ser uma decisão conjunta. E levar em conta que a mulher passará por grandes transformações que irá mudar a vida dela,além de colocá-la em risco de morte (como toda gravidez).
Sei lá, se os dois não quiserem: não tenham.
Se ela quiser e ele não: tenha e cuide.
Se ele quiser e ela não: conversem e veja se há como ela gestar e entregar para ele cuidar após o nascimento.
Se os dois quiserem: sejam felizes e, por favor, ótimos pais.
Se alguma outra situação: discuta também! Ouça a opinião de terceiros!
Mas só acho que a discussão será mais fácil e todas as possibilidades executáveis, se houver a legalização e a "destabutização" religiosa e social.
Se isso é uma visão parcial e tendenciosa? Claro! É minha visão!
A visão de quem não quer ter filho e não suporta criança e acha que já temos humanos de mais ocupando o planeta. E que já está de saco cheio de péssimos pais por aí e de crianças sem limites.
Quem vai defender a vida da criança enquanto ela não pode defender por ela mesma? Seus pais! [a resposta sempre foi essa, quando a criança já está viva, porque não antes também?]
Historicamente já matamos por muito menos: por pão e circo.
E eu só falo isso porque já nasci mesmo. Óbvio!!
Eu estou certo? Provavelmente não! Mas é minha opinião por ora!
"
Bem, só para complementar, sobre quando é considerado 'assassinato'? Matamos para comer, mesmo quando arrancando uma hortaliça. Por que a morte de um feto é tão mais impactante? Porque é da mesma espécie talvez?
Mas vamos tratar sobre a vida. Quando a vida começa? Se formos considerar aborto por proporcionar a morte de vidas e/ou não permitir que ela se perpetue, cada homem é um serial killers que já matou milhões em suas masturbações. Pois as células espermatozoides estão vivas! Logo, são vidas!
Se a questão for vida consciente, as células ovozigóticas e o feto em gestação são só células também. O feto, como no caso, com menos de 12 meses, nem tem cérebro, muito menos consciência. Se você acredita em alma, a partir de que estágio um amontoado de células ganha esta alma? Será que meu fígado tem uma alma? Ou as almas se prendem só a sistemas nervosos?
E a decisão tem sim que ser dos pais, pois o Estado não tem autoridade sobre um não cidadão sob sua tutela (direitos e deveres), pois um não nascido ainda não tem cidadania e por tanto não é um indivíduo/cidadão nesta sociedade ainda, é só um futuro possível ser. Será que o Estado então quer exercer poder sobre o corpo da mulher? Não seria apenas mais um resquício dos hábitos de uma sociedade machista, que não deixa a mulher decidir sobre seu próprio corpo, sobre as coisas que se passam nele e suas transformações!? Tanto que uma das premissas da sociedade machista é que uma mulher só serve para cuidar do marido, gerar filhos para este marido e cuidar das crianças e da casa. Se a mulher optar por não gerar filhos e cuidar de crianças (sem contar em não atender a vontade do homem/marido), ela está se rebelando contra este sistema, o que deixa essa mesma sociedade estarrecida. Quem é ela para ir contra os nossos costumes? E é claro que esse discurso também viria de mulheres, principalmente mulheres bem conformadas com este sistema, ainda mais as mulheres de núcleos religiosos. Assim como há discursos homofóbicos no próprio meio gay...
Por ora essa é minha opinião [2016].
O quanto mudei?? O quanto hoje discordo de mim mesmo???
Nenhum comentário:
Postar um comentário