Nenhum começo é bom e nunca será, porque nenhum começo é o real começo. Nós mesmo já nascemos no meio da História, com as coisas andando, e tivemos que correr atrás para acompanhar tudo o que já estava acontecendo. Por tanto acho que já estamos acostumados a não pegar as coisas desde o princípio. Tanto porque o princípio é desinteressante e é só o acumulo de detalhes ordinários e chatos que dá formato àquele ou àquilo que realmente despertará nossa atenção.
Sendo assim: foda-se!
Não vou começar uma história agora, vou apenas relatar expirações minhas e para isso vou começar pelo final. Minha morte.
É certo que morrerei, assim como o leitor, mas pararei de me preocupar com você a partir de agora — sem mais digressões por ora. Aliás, um pouco de egoísmo vai bem em mim. Não que seja uma qualidade admirável, mas a verdade é que sou, e não estou aqui para pintar boas imagens. Sei que a mentira é algo natural do ser humano, como várias pessoas antes de mim já disseram, inclusive Machado de Assis, de um jeito mais legal, claro (talvez eu pesquise mais tarde a frase certa e a coloque aqui) (voltei aqui! citação: "A mentira é muitas vezes tão involuntária como a respiração."). Só quero dizer que a verdade nessas linhas não fluirão facilmente, pois a verdade crua não é da nossa natureza. Não da minha natureza, pelo menos. A verdade é algo que descobrimos e desvendemos ao perguntar, escutar, investigar, pesquisar, procurar... A questão sempre é, qual a pergunta certa? Pois a verdade não é única. Temos várias perspectivas de uma mesma verdade para uma mesma pessoa. Imagine então um fato que envolvam várias pessoas, como são a maioria das histórias. Com quantas verdades conseguiríamos nos deparar? Já ouviu uma história antiga contada anos depois?
Pois bem, voltando a minha morte. Ocasionalmente serei enterrado em um cemitério, apesar de não querer isso, serei. Isso é quase tão certo quanto a máfia funerária que envolverá e obrigará as pessoas a desembolsar bastante dinheiro, para se desfazer de um corpo, que foi um dia um ente querido (pelo menos espero ter sido querido). E se não quiserem seguir o tradicional, aquilo que te fará desembolsar mais e mais dinheiro para eles, você será um criminoso, pois é uma máfia muito bem estruturada, que se esconde atrás de leis há muito tempo formuladas e bem arquitetadas, que se aproveitam de sua fragilidade do luto.
Particularmente preferiria ser mais útil após minha morte. Gostaria de ser um doador de órgãos. Considero profundamente no futuro fazer uma tatuagem dizendo "sou doador de órgãos". Porque não entendo o porquê não ser natural, e até lei, como em alguns países (Áustria é um exemplo, se não me engano), de todos serem natural e automaticamente doadores de órgãos, sendo justamente o contrário, que caso você não queira ser, informar os outros desta decisão...
E após retirarem os órgãos possíveis de serem bem reaproveitados, que pegassem o resto e doasse para alguma faculdade de anatomia. E o que realmente não for útil para mais nada, joguem o que restou de meu corpo enfim para os animais. Joguem meu corpo ao oceano, para que os peixes possam me comer e eu (me) renovar mais apropriadamente o ciclo da natureza, melhor do que ser aproveitado somente por vermes, insetos e anelídeos.
Tumba e epitáfio? Por favor, não! Não precisam de uma pedra em um local mórbido para lembrarem de mim. Aliás, se for para lembrar de mim, que não seja em um local específico e ainda mais um lugar tão sem vida. Não me levem flores. Acredite, de nada as aproveitarei. Não gaste tempo se locomovendo até um cemitério, por exemplo. Eu não quero! Invoque meu espírito de sua casa mesmo, se precisar. Mas se quiser mesmo fazer um local para mim, me faça um jardim ao invés de uma catacumba.
Agora, que tal uma festa de despedida? Vá velar um doente, que precise de ajuda! A mim nada de velório. Uma boa despedida que sirva de desculpa para um encontro de pessoas legais e que faça surgir novas amizades de pessoas que não se conheciam (pois obviamente, procuro me aproximar somente de pessoas legais).
Ok. Agora que já acertamos as questões de minha morte, vou me dirigir a algumas questões que eu tinha em vida.
Aqui já sinalizo um problema: a desilusão. O "eu" como um ser quântico, por assim dizer. Eu como não sendo único e singular e sendo definitivamente único e singular.
Vou começar pelo mais simples e óbvio, pois eu acredito fielmente que a base é o mais importante. Ter uma base boa, forte e bem estruturada, te permite muito mais do que um profundo conhecimento de coisas complexas e elaboradas, tanto porque as coisas complicadas são só uma junção de coisas simples e acho que a questão é conseguir enxergar essas coisas simples nas coisas complicadas, até que elas se tornem naturais para você. De forma que se você ainda vê algo como complexo, é porque você não foi capaz de ver sua simplicidade. É como um enigma, que lhe parece complexo e insolúvel até saber a resposta, que se encaixa tão perfeitamente bem e deixa cada sentença clara.
E porque não há nada pior do que deixar lhe escapar o óbvio.
Permitam-me a partir daqui ser indireto e dar uma pequena volta, para esclarecer a "desilusão", porque apesar da explicação ser simples, não vai significar o que quero que signifique, sem a devida (sutil) perspectiva.
Em algum momento da vida, todos passamos por questões existenciais, que por isso são consideradas as perguntas mais velhas do mundo: "quem sou eu?", "qual o motivo de minha existência?", "o que devo fazer da minha vida?", "pra que nascer se vou morrer?", "qual o sentido de tudo isto?", ...
Essas questões e suas variantes são tão comuns e todos conhecemos-as tão bem, que nem preciso me delongar nelas para lhes passar a ideia do que quero dizer.
Contudo é a partir dessas perguntas, que vemos a necessidade de estabelecer alguns pilares em nossas vidas. Para sustentar nosso caráter e nos afastar dessa depressão, de forma que possamos viver sem pensar muito nisso. Logo, se você quiser conhecer um pouco sobre alguém, pergunte sobre seus pilares, e se quiser abalá-la, ataque esses mesmos pilares.
Basicamente aqui falarei dos pilares "religião", "política" e "identidade sexual". [mais a frente]
Devo dizer contudo, que seguir a vida "sem pensar muito nisso" não é o meu estilo, por isso tentei resolver o melhor que pude essas questões para mim. Primeiro estabelecia minha crença religiosa e disso formulei um objetivo para minha vida. Um objetivo realizável e por onde eu gostaria de guiar minha vida. E o melhor, um objetivo que mesmo que eu o alcance (o que quero muito!), ele ainda continuará a ser meu eterno objetivo. [Não me depararei com: "Ok! Eu já cumpri o objetivo que tracei para minha vida, vou ali me suicidar agora."] (← eu sei, dramático, mas o mais comum "Consegui fazer o que queria em vida, agora posso morrer em paz / viver o resto da minha vida tranquilamente" também não é para mim).
Acho importante que cada pessoa tenha grandes metas para realizarem. E a minha é "mudar o mundo de um modo significativo". Talvez soe tolice, mas este texto inteiro deve soar assim, porque talvez eu seja uma pessoa tola, mas é exatamente esse único objetivo que me faz levantar da cama todos os dias e seguir minha vida. É o que me faz ir para frente e eu demorei um bom tempo em reflexões, para decidir isso. Assim como tive que experimentar várias religiões antes de descobrir qual a minha. Por isso hoje sei o que quero.
Bem, esse é meu objetivo final, mas para alcançá-lo procuro realizar algumas metas intermediárias, pois há infinitos caminhos possíveis para seguir até chegar ao destino final, e decidi que quero aproveitar o caminho até lá, ao invés de me satisfazer só quando chegar onde quero chegar. O caminho faz toda a diferença! Assim como um livro sensacional com um final ruim, merece ser lido. Aliás, somos todos histórias no final, e nós ainda não sabemos nosso final, mesmo assim você não gostaria de ler a história da sua própria vida? Mesmo que o final seja ruim? Com uma morte abrupta e sem graça, por exemplo...(?)
No atual momento de redação deste texto, estou vivenciando uma leve crise, pois não sei meu próximo passo (o próximo plano intermediário).
Para que entendam melhor, vou relatar meus planos até aqui, que, por sorte talvez, consegui alcançar todos com sucesso. :D [e para isso, precisarei contextualizar um pouco — provavelmente será a parte mais chata do texto]
Primeiramente segui a vida que meus pais planejaram para mim, claro, pois não tinha nenhuma consciência direito e nem maturidade para decidir as coisas por mim mesmo, mas o plano era basicamente "vá estudar" ('quem sabe no futuro, arranja um emprego, fica rico e sustenta bem os pais' ← não sei se é verdade, mas é uma ótima suposição).
Ao chegar no meu último ano do ensino fundamental me deparei com um pirata (na verdade não sei ao certo se já naquela época ele já era um pirata, mas) que foi um verdadeiro "catalizador" para mim [comentarei mais a frente]. Foi no ensino médio que resolvi avaliar minha vida (aos 14 anos de idade +/-). Só de fato aos 15 consegui me esclarecer religiosamente e foi quando meus próprios planos começaram a ser formulados.
Devo abrir mais um parênteses aqui para dizer que o ensino médio foi um dos melhores momentos da minha vida, pelo simples fato de eu estar sendo bombardeado de conhecimentos variados (e novos para mim), de todos os lados possíveis. Eu tinha uns 20 professores, ou mais. E receber aquela quantidade de informações era maravilhoso para mim. Aquele sentimento de preenchimento e afugentamento das ignorâncias que eu nem mesmo sonhava ter. Infelizmente só era estragado, por um professor de Biologia que eu odiava (mas não a matéria), e com o alto stress de muitas provas e da pressão psicológica de "passar no vestibular". A vida do terceiro ano era basicamente VOCÊS TÊM QUE PASSAR NO VESTIBULAR! Mas tirando isso, foi fantástico!
Logo o primeiro plano foi "passar no vestibular". Óbvio, eu sei. Mas, por favor, não subestime o óbvio! O problema: para qual curso? Eu simplesmente amava todas as matérias. Todas! Porém tive que optar por alguma coisa. Escolhi um curso em cada área para começar. Humanas: Ciências Sociais. Exatas: Engenharia Mecânica. Biológicas: Biotecnologia.
Foi aí que elaborei meu segundo plano: Intercâmbio!
Eu sabia que era jovem de mais para escolher algo tão importante e que não tive tempo direito para pensar no que eu realmente queria devido as pressões ao meu redor e ao pouco tempo que tinha para mim mesmo devido aquele estresse de provas, obrigações e tal. Então decidi: "preciso de um tempo para mim mesmo. Farei um intercâmbio, onde poderei pensar com tranquilidade. E ainda atendo as expectativas ao meu redor (continuarei 'estudando')". Logo me decidi pelo curso que tinha maiores chances de arranjar um intercâmbio de forma relativamente fácil (pois todos tinham chances). E por isso optei por exatas. Engenharia Mecânica!
Mas...
Fracassei!
Não passei no vestibular que eu queria (UFG no caso).
No meio do ano prestei vestibular novamente na UFG, mas para Engenharia Elétrica, porque não tinha para Engenharia Mecânica no meio do ano. Mais para treinar mesmo. E passei! Contudo nem liguei muito, pois era só para treinar e tal. Mas o destino e/ou o acaso resolveu atuar. E as inscrições para os aprovados no vestibular foi adiada (devido a uma greve) e tive bastante tempo para reconsiderar e reavaliar minhas opções. Resolvi então aceitar o desafio!
Um resumo dos pensamentos foi: os dois cursos são Engenharia, então vou pegar a Elétrica mesmo, que já vou estudando a base, que todas as engenharias estudam mesmo (Cálculo, Álgebra, Física, etc.), e depois eu peço transferência de curso, que é mais tranquilo que enfrentar o vestibular de novo, e já aproveito as matérias cursadas. Além de que posso explorar um pouco o mundo da Elétrica e descobrir se me agrada, já que não estava tão certo quanto a escolha do curso mesmo. Na verdade, eu escolhi inicialmente Engenharia Mecânica porque Mecânica era a física que mais tinha gostado de estudar no ensino médio. E em todo o caso, independente do curso escolhido, estava dentro dos meus planos.
Várias coisas aconteceram, permaneci na Elétrica e quando consegui o mínimo necessário para conseguir uma bolsa de intercâmbio, preparei todo o processo para ir.
Ir para onde?
Posso dizer que eu tinha bastante opções. De novo várias opções a minha frente. Mas fiquei com a Alemanha. Há várias versões que costumo contar quando justifico o motivo de minha escolha, e todas são verdadeiras, então aqui vai duas delas.
1. Eu simplesmente quis. Senti que precisava ir para a Alemanha. (a explicações geralmente para por aqui, mas devo acrescentar que sou levemente intuitivo comigo mesmo, pois apesar de não ter abordado o assunto ainda, eu me esqueço muito facilmente das coisas, mas trabalho muito bem em conjunto com meu inconsciente e sei reconhecer quando ele quer se manifestar (na maioria das vezes), e geralmente é por meio do que chamo "intuição". Eu posso comer uma coisa ruim e não lembrar depois de 5 ou 10 anos se gosto ou não daquilo, mas sinto intuitivamente que não é para eu comer aquilo quando me deparo com o alimento. Talvez um péssimo exemplo e talvez não seja a definição real de intuição, mas é como funciona para mim. E nessa escolha, minha intuição me disse que devia ser Alemanha).
2. Vou colocar abaixo um trecho de conversa que tive com uma amiga (não vou nem adaptar, é linguagem abreviada mesmo, vai ser ctrl+c e ctrl+v):
Essas loucuras de me arriscar em algo tão decisivo sem saber praticamente nada de nada é seguindo uma crença que as pessoas já não levam tanto a sério, por ter se tornado ditado popular, mas eu realmente acredito que "a necessidade faz o homem", pelo menos no sentido de que quando preciso fazer algo e não tenho motivação suficiente, tento fazer desse algo uma necessidade, para que eu possa seguir motivado. Percebam que em ambos os casos eram decisões sem volta. Não dava para passar um ano estudando inglês e falar "acho melhor pegar espanhol", porque não dava, já que não tinha como acompanhar a outra turma mais. Talvez isso não faça tanto sentido, se não conhecerem o sistema do meu colégio, mas acho que fica mais claro o exemplo de chegar na Alemanha e falar "acho que alemão foi uma péssima ideia, vou começar a estudar francês" (dificilmente eu sobreviveria na Alemanha falando só francês rsrsrs)
Acho que está claro também que me coloco em zonas de desconforto também, para progredir... [mas zonas de desconforto bem selecionadas ;) ]
Fui para a Alemanha! Fiquei um ano e meio fora!
Várias coisas fantásticas ocorreram nesse meio tempo!
Aprendi de um modo diferente sobre várias coisas. Aprendi através de conversas e vivencias ao invés de leituras e sala de aula. Encantei-me várias vezes. Respirei diferentes culturas. Surpreendi-me e deslumbrei-me. Abri-me para novas perspectivas! Descobri um novo jeito de pensar: tive certo exito em aprender alemão.
— Mas eae, conseguiu fazer o que queria fazer em seu intercâmbio?
Não!
Em partes na verdade. Tive um tempo para me desligar da pressão acadêmica, aprendi um novo idioma e visitei parte do velho-mundo, mas meu objetivo de (re)avaliar minha vida e meu curso não ocorreu.
Foi bem ao fim do intercâmbio mesmo, quando já estava quase voltando ao Brasil que refleti "é hora de tomar uma decisão". E eu vi que eu já estava onde devia estar, fazendo as coisas que eu devia fazer, seguindo um sonho tão primário, que já não estava levando-o em conta: Eu queria ser um inventor.
A simplicidade e genericidade dessa frase diz quase tudo. Era um sonho de infância. Sempre quis criar! Reinventar! Descobrir! E por algum motivo nunca gostei da ideia de herói e nem de super-herói. Aqueles acessórios para crianças do universo Marvel e DC sempre me passavam uma sensação de ridículo, que nunca me fez gostar. Nem as histórias eram tão legais ao meu ver. Assim como a ideia de querer ser policial ou bombeiro nunca combinou comigo. Astronauta sim, mas ser inventor para mim era tão legal quanto um cientista.
Porém como sempre acontece quando crescemos e somos tragado pelo mundo da sociedade e passamos a ter que focar em nossas responsabilidades: esquecemos desses sonhos infantis. Mas claro que com o passar do tempo, nossas projeções de futuro continuam, só que se adequando a profissões palpáveis (e me lembro até que já quis ser ator, advogado e professor). Até chegar ao ensino médio e eu me imaginar em cada profissão possível rsrsrs.
Então olhei para todo o universo da Engenharia Elétrica e me deparei com um curso aberto a tantas possibilidades de coisas tão legais e tão ligadas a tudo, uma vez que somos tão dependente da eletricidade hoje em dia, que vi que esse era o curso mais próximo de "inventor" que eu poderia ter chegado e era por onde talvez eu poderia cumprir meu objetivo maior: mudar o mundo. Por que não mudá-lo com uma invenção? Uma tecnologia nova, um novo equipamento ou aprimoramento de algo já existente...?
Mas daí voltei a minha vida acadêmica regular naquele ambiente sem vida e de pessoas cansadas. Alunos cansados da vida acadêmica e professores cansados de dar a mesma aula todo santo semestre. Todos alimentando o ciclo da tristeza, em que os alunos ficam estressados com os professores que já estão dando uma aula ruim e os professores se estressando com os alunos por não conseguirem mais demonstrar interesse nesse universo de provas, trabalhos e notas.
Meu novo objetivo então passou a ser: descobrir qual área do meu curso eu gostaria de trabalhar na prática.
É onde nesta história em que me encontro. Mas não gostei desse meu último objetivo. É um objetivo nada objetivo. É genérico demais e não me dá um rumo concreto. E porque não quero parar de estudar ou me focar só em uma área. Gostaria de continuar explorando o mundo do conhecimento. Não quero só viver nas "exatas", ainda mais quando minha alma também está no mundo das "humanas" e com um pezinho nas "biológicas" (só um pezinho mesmo, pois tenho horror a área de "saúde").
Em suma meu objetivos menores foram: Estudar e eliminar as ignorâncias mais fundamentais e médias; Passar no vestibular; Conseguir uma bolsa de intercâmbio; Aprender um idioma diferente, viajar e explorar; Decidir que curso superior cursar; Descobrir onde e como quero atuar no mercado de trabalho (objetivo que ainda estou reavaliando, o que é estranho, pois os outros objetivos me vieram de forma tão natural e clara e me surgiam uns 2, 3 anos antes de eu ter a capacidade de alcançá-los... ← daí a crise atual).
Todas essas metas foram elaboradas visando minha grande meta final, mas também de uma forma realista, de modo a ficar longe, mas não distante o suficiente que eu não pudesse batalhar para alcançar. Porém ainda assim, pontos de apoio. Como pequenos planos preparatórios para a execução do plano final. Ou execução de vários grandes planos, pois é óbvio, que mesmo após alcançar meu objetivo de mudar o mundo de forma significativa, eu posso continuar nele até minha morte (e quem sabe, depois dela). Aliás, esse foi um dos motivos por ter escolhido esse meu objetivo de vida.
Talvez você tenha se perguntado "Por que não 'mudar o mundo para melhor'?". Ou ainda, "Se este é seu objetivo final, para que mudar um local se não vai usufruir dele? No final você estará morto mesmo. Não estará por aqui." ou quem sabe ainda ter refletido "Então você só quer ser famoso. Mesmo que no seu pós-morte.". Tentarei responder essas questões:
Bem, as pessoas mudam, então nenhuma resposta é definitiva, mas de forma geral não quero ser famoso em vida (reconhecido por um grupo seleto talvez, mas não famoso). Eu não saberia lidar com isso. Gosto do anonimato, de passar desapercebido e ser subestimado, porque quando sei que não estou sendo observado eu posso errar tranquilamente e se me estimam ou superestimam, começam a criar expectativas em cima de mim. Se você passa desapercebido e é subestimado, melhor, para você ser quem é livremente, e se errar, ninguém vai se importar muito [não era esperado, mas também não era inesperado], mas se você fizer algo interessante, você quebra as expectativas de uma for positiva, você surpreende. (É minha zona de conforto)
Outro motivo também é que não gosto de fazer a mesma coisa mais de duas vezes. E ter que cumprimentar várias pessoas, porque elas me reconhecem, é extremamente chato. Devíamos ter um amplo leque de cumprimentos, para não termos que ficar nos repetindo. E as pessoas podiam nos cumprimentar ou acenar apenas se fosse nos dedicar naquele instante, pelo menos mais que 30 segundos. E não ter que cumprimentar cada pessoa conhecida ao cruzarmos com elas nos corredores ("por educação"). Contudo, não vou negar que ser famoso em meu pós-morte não me chatearia. Acho até que me agrada essa ideia, mas não me demorarei pensando nisso agora.
Eu não quero mudar o mundo para "melhor", pois acho que "melhor" e "pior" é tão relativo quanto "bem" e "mal" e é uma questão de perspectiva. E seguir minha perspectiva é seguir minha ética, seguir aquilo que acredito, o que é algo totalmente questionável. Vou pegar por exemplo Adolf Hitler. Ele foi um cara que mudou o mundo, fazendo aquilo que achava ser certo. Suponho que na cabeça dele ele estava purificando e melhorando a humanidade. Ele mudou o mundo de uma forma significativa! Os métodos dele foram cruéis e devido a segunda guerra mundial que ele causou o mundo avançou muito. Eu diria que Hitler foi um catalisador. Tecnologias, como a computação, para quebrar códigos encriptados e a internet, para comunicação, ganharam força e se desenvolveram nessa época. Nunca os "direitos humanos" progrediram tanto, onde foram tão revistos e reavaliados, pós-segunda guerra mundial. Os direitos das mulheres na sociedade machista só começaram a ser questionado com força e em massa após as guerras mundiais (onde as mulheres encontraram a liberdade ao movimentarem as cidades e economias do mundo, sem a repressão das normas sociais que privilegiavam os homens, umas vezes que estes estavam nos campos de batalha). A atrocidade da guerra foi tão grande que até mesmo religiões foram questionadas. Entre várias e várias coisas. Basicamente cada estrutura da vida cotidiana foi revista, tão grande foi a descompensação e o abalo que Hitler causou na história.
Um outro exemplo que pegarei é a descoberta científica que proporcionou a construção da bomba atômica, que já matou milhares (quiçá, milhões) e ainda dá muita dor de cabeça. Essa mesma descoberta, ajudou muito a entender melhor o universo e a criar novas tecnologias, que a humanidade se beneficia. Novamente nos deparamos: essa foi uma boa descoberta? Foi algo que de fato mudou o mundo.
Ou melhor ainda: as tecnologias derivas das revoluções industriais, que tanto te beneficiam hoje, mas que está matando o planeta, são boas ou ruins?
Por tanto não quero fazer algo bom nem ruim. Farei aquilo que acreditar que devo fazer. Farei aquilo que quero fazer. Aquilo que eu gostaria que acontecesse. O que achar ser uma coisa boa. Afinal, ninguém saí impune do julgamento dos outros. Até mesmo o guia mais espiritual que dedicar sua vida para fazer o bem, não estará livre de comentários maldosos e de visões e perspectivas que o condenem.
E por que quero deixar um legado? Pois acredito que este é o caminho da humanidade. É o motivo de nossa existência. O propósito maior o qual buscamos. Eu acredito que a humanidade está criando algo. Algo grandioso. E estamos passando por uma crise, este momento.
Vou clarificar esse ponto, pelo meu ponto de vista, mais a frente em um discorrimento sobre a criação. Mas a crise a qual me refiro é justamente o ponto crítico de insustentabilidade que a humanidade está alcançando. Após a Revolução Industrial a população humana mundial aumentou tanto e de uma forma tão rápida, que por si só, esse fato é extremamente preocupante, porém para piorar, essa nova população numerosa tem hábitos consumistas exagerados, de tal forma que em pouco tempo (questão de poucas décadas), conseguimos reduzir drasticamente os recursos aproveitáveis do nosso planeta a uma quantidade tão crítica (em um tempo que nem mesmo o complexo sistema dinâmico do planeta não consegue renovar em tempo hábil neste padrão social), que estamos colocando tudo a perder, nos colocando em um processo de risco de extinção artificial criado por nós mesmos. Graças a alguns ambientalistas, começou-se a criar uma noção coletiva de sustentabilidade, porém muito pouco ainda está sendo feito para compensar nosso modo burro de viver e conviver neste mundo. Sem nos autodestruirmos e a vida que nos é próxima.
Mas, do que estávamos falando mesmo, antes disso tudo??
Ahh sim, a desilusão!
Porém não posso prosseguir ainda nisso, pois nem todas as peças foram fornecidas ainda.
Guiarei-os então pelo meu primeiro pilar: a religião!
Para isso, devo fazer uma declaração, que já a fiz neste blog, mas preciso refazê-la: sou louco! Mas devo acrescentar: sei não ser louco! Por que aliás o que é a loucura?
Tentarei elucidar este ponto, mas não sou nenhum especialista e nem tenho fatos com fontes para dar-lhes precisão no momento. Só contarei com minha débil memória de coisas que internalizei durante a vida. E para isso devo citar o momento de maior impacto dessas coisas que internalizei. Momento(s) esse(s) que devo dedicar a um pirata: Gustavo Brito — capitão do The Rising Sun.
No último ano do ensino fundamental (9º ano), eu tive professores novos, devido a minha troca de colégio. Sem saber, um professor de literatura também estava ingressando no colégio naquele mesmo ano, e nos encontraríamos em sala de aula.
Esse professor contudo, era bem diferente dos demais. Além do seu caráter e seu pedido de redações semanais com no mínimo 40 linhas, ele foi o único que abria um livro literário e começava a ler em voz alta para gente. Não eram os chatos textos didáticos dos livros de português e nem reportagens tendenciosas, era simplesmente literatura. E quando menos percebíamos, tínhamos aprendido algo (da "ementa").
Com certeza não era um método muito ortodoxo, mas esse não foi seu real diferencial que me fez citá-lo aqui. Como já disse, tive vários professores fantásticos nesta época. Professores que se importavam com o aluno e que tentavam planejar uma aula legal. Porém sei que essa realidade de boa escola foi um de meus privilégios. Privilégios esses que tenho dificuldade de reconhecer, pois quando se começa a pensar...: nasci e fui criado em cidade grande com saneamento básico, eletricidades etc., tenho uma cor de pele parda clara (não sofri preconceitos raciais), não fui muito baixo, mas também não fui muito alto em relação aos demais da minha turma (ainda mais por ter sempre sido o caçula da turma e hoje tenho uma estatura "normal" para um homem brasileiro), não sou magro, mas não chego a ser gordo (não sofri realmente gordofobia, mas não pensem que não cheguei a sofre bullying. Crianças são seres maldosos!), ainda não tive que enfrentar preconceitos por minha sexualidade, sou filho de classe média (não tive muitos luxos, mas nunca passei necessidades), tive oportunidades de estudar em boas escolas particulares (sempre com altas bolsa de estudos, claro, mas ainda sim em escolas caras), tive oportunidade de continuar estudando em uma universidade federal, sempre pude dedicar-me somente aos estudos (nunca precisei estudar e trabalhar ao mesmo tempo; exceto monitorias, iniciação científica e coisas do universo acadêmico), pude fazer intercâmbio de graça (financiado pelo governo), tenho liberdade para ir e vir e tenho alguns poucos recursos financeiros para meu lazer (que me são no momento mais que suficientes, pois nunca precisei de muito). Em suma, sempre tive ótimas oportunidades e com certeza fui e sou privilegiado em diversos aspectos, tanto que é difícil para mim enxergar tamanhos privilégios, uma vez que sempre fui imersos neles.
Pois bem,
Esse professor de literatura, porém tinha planos maiores que suas simples aulas. Ele queria muito criar um núcleo de debates e discussão. Ele queria tutorar e ministrar um Clube do Livro (CdL).
Este projeto de CdL foi aprovado pela direção da escola, nos repassado no meio do semestre e inicialmente poderia participar somente quem quisesse e tirasse uma excelente nota na prova de literatura.
Sinceramente eu ponderei muito antes de tentar me inscrever. Eu não tinha hábito de leitura nenhum. Nunca tinha parado para ler em casa. O máximo de incentivo a leitura em minha residência tinha sido uma pilha de revista de quadrinhos antiga do Cascão (da Turma da Mônica), que, quando criança, eu só folheava para ver as imagens e depois que cresci fiquei só com a televisão mesmo (época em que ainda se tinha muitas programações para o público infantil).
Em minhas ponderações eu só pensava: poxa, nunca li quase nenhum livro, como vou participar de um clube do Livro? Os poucos livros que li eram aqueles que a escola forçava a gente ler e era todos meio chatos e sem profundidade. Sem contar que não sei ler direito. Não sei ler rápido e nem tenho leitura dinâmica. Se eu participar vou é passar vergonha e/ou ser marginalizado com o menino burro e ignorante do grupo.
É engraçado como não me dava conta o quão novo eu era ainda e só pensava "é tarde de mais para se começar algo desta magnitude".
Mas por fim eu resolvi calar essas vozes e pensei "Poxa, sempre achei o máximo essas pessoas cultas que já leram um monte de livros e que tem uma opinião tão bem formada sobre as coisas. E eu odeio não conseguir interpretar direito os textos." e resolvi me jogar. Decidi que era a partir dali que eu ia começar. E nada melhor do que um grupo que me forçaria a ler (me forçaria, pois eu me sentiria forçado a ler para tentar alcançar aquele grupo que já estaria anos-luz a minha frente em questão de leituras).
Talvez tenha sido aqui uma das primeiras vezes que eu utilizava uma oportunidade para me forçar a fazer algo. Me beneficiar conscientemente do fluxo "o individuo influencia o meio e o meio influencia o individuo". Coisas que já citei acima em "a necessidade faz o homem", em que eu estava aprendendo a utilizar os recursos sociais e psicológicos já existentes a meu favor...
Foi então que me esforcei ao máximo para tirar 10 naquela prova (e tirei! :D) e fiquei muito feliz de entrar para o CdL.
Depois desse primeiro, participei futuramente de vários outros Clubes do Livro e descobri que não existia apenas uma "modalidade" de CdL. Por tanto, acho interessante explicar algumas dinâmicas de CdL, para quem desconhece, assim como eu desconhecia:
(vou enumerar os "tipos" de forma aleatória, de acordo com o que me vier a mente)
# 1º Tipo: O grupo decide por um livro e você tem um bom prazo para ler ele (geralmente um mês). No encontro do CdL então, todos debatem sobre aquele livro a fundo.
O legal de todos os CdL's são as discussões que o livro e/ou trechos do livro puxam e os comentários as referências que uma história traz e nem sempre a história em si. Por exemplo, em um livro mais clássico, tentamos ver a sociedade da época representada ali, ou o quão visionário ou criativo foi o autor; tentamos enxergar as inspirações do autor e se alguém conhece alguma outra obra dele que complemente aquela temática ou seja continuação literal; tentamos entender o porquê de ele ter virado um clássico; tentamos abstrair todas as informações que aquela história traz e principalmente discutir e refletir sobre o(s) tema(s) propostos.
Lembro-me uma vez que ficamos uma amiga e eu (era para ser um CdL, mas só tinha nós dois rsrsrs) e discutimos um bom tempo sobre A Insustentável Leveza do Ser. Como um livrinho tão pequeno era tão denso. Eram tantos assuntos interessantes puxados pelo autor e o principal deles, que era "o que é traição?", nos rendeu um bom tempo...
Mas não necessariamente precisa ser um CdL só com livros profundos e densos. (Tanto porque muitas das vezes não sabemos, já que geralmente escolhe-se livros que ainda não lemos). Como dito, o interessante é a conversa e o livro acaba só virando um ponto de referências comum. Muitas das vezes só deixamos a conversa fluir mesmo. Podemos só comparar o universo do livro com a realidade que vivemos. Ter uma conversa de fãs. E por assim vai.
# 2º Tipo: O grupo escolhe um tema, uma literatura ou um autor específico para lerem. Exemplos: terror; aventura; ficção científica; distopias; literatura brasileira; literatura inglesa; literatura do século XX; literatura de guerra; infanto-juvenil; Machado de Assis; Humberto Eco; etc.
Na reunião cada um fala brevemente sobre seu livro, dando uma sinopse de forma a tentar convencer o outro a ler (ou não) aquele livro. A ideia é "se você tivesse que vender o livro, como e o que você falaria dele?" ou caso você não gostasse do livro "como vou passar a ideia de que é um livro horrível?". Para ambos os casos, você evita os grandes spoilers, sendo o desfecho final do livro um tabu (totalmente proibido falar o final do livro!). Porque se você contar todos as partes interessantes, você vai estragar a experiência de quem se interessou em ler seu livro.
E novamente, há um prazo razoável para se ler um livro, o que geralmente é 30 dias.
O legal desse, é que como são vários livros distintos, vários temas são abarcados além do tema comum de todos os livros comentados naquele dia. A discussões novamente, são sempre muito divertidas, além de renovar e me inspirar sempre ouvindo propostas novas de histórias que você pode ir atrás para se nutrir delas.
Um reconforto para minha alma.
# 3º Tipo: Este é o último tipo que comentarei aqui, pois devem haver muitas outras variações, basta um pouquinho de criatividade, disposição e um mínimo de organização (basicamente um ideia que envolva livros e pessoas), e porque este é o tipo que eu quereria comentar: a do meu primeiro Clube do Livro, que foi ministrado pelo Gustavo Brito (que hoje já possui tantos títulos que não saberei citar aqui, mas alguns são: mestre, filosofo, capitão, professor, viajante, arqueiro, palestrante, explorador e pirata, que provavelmente vai te humilhar no ping-pong, no bumerangue e no kung-fu; enfim, uma pessoa única, que tive o prazer de conhecer, mesmo que só um lapso de sua vida).
Sim, eu disse ministrado, pois este era um CdL tutorado e direcionado como estudo.
Ao contrário do outros, não escolhíamos livros para o próximo encontro, escolhíamos o tema central a ser trabalhado no próximos encontros e baseávamos nossas discussões em literatura. Tentávamos sempre ir o mais fundo possível naquele tema, adotando diversas perspectivas, e para isso usávamos um material já previamente selecionada por nosso tutor (o Gustavo).
Nossos encontros eram semanais (e não mensais) e conciliávamos nossos deveres acadêmicos com os do Clube do Livro, logo não conseguíamos ler livros extensos de um encontro para o outro. Por isso, muitas das vezes líamos contos ou trechos de livros (algo em torno de 50 páginas, se bem me recordo).
Ao descrever parece que estou me referindo a uma aula de literatura para alguns poucos alunos, pois tinha até a figura do professor que orienta e dos alunos que seguem um material proposto. Bem, talvez fosse mesmo, mas ao contrário das aulas normais que eu tinha, podíamos nos expressar e falar, e não só escutar para replicar em uma prova. E durante os nossos encontros eu não conseguia vê-lo como professor, mas como um regente.
Ele deixava a gente discutir e ao mesmo tempo nos ajudava a direcionar nossas discussões, quando ela começava a se desviar do nosso propósito (ou quando começava a ir por um caminho muito tortuoso). E sempre nos chamava a atenção também sobre perspectivas que deixávamos passar e detalhes sobre referências que não tínhamos ainda.
Por causa disso, tive como primeiros livros, livros de Thomas Mann, George Orwell, Dostoievski, Sófocles, Harold Bloom, Michel Foucault etc. Talvez fossem pesados como primeira literatura, mas tínhamos total suporte e estávamos totalmente inspirados para ler aquilo, pois já estávamos engajados nos temas e queríamos discutir melhor as coisas. E se não entendiamos, tudo bem, não tínhamos prova sobre aquilo e podíamos nos esclarecer sem preconceitos naquele meio.
{Infelizmente criei uma ilusão de que no ensino superior (universidade) iria entrar em contato com um ambiente só de pessoas legais, com ideias bem formadas, pessoas maduras, com senso crítico e bem resolvidas. Local rico em discussões construtivas e harmoniosas. Achei que seria um lugar mágico cheio de pessoas interessantes e inteligentes. Pois até mesmo no meu terceiro ano eu achava meus colegas bem maduros... (bem, 75% deles pelo menos)
Mas que decepção foi a faculdade para mim!! Que decepção! [Pelo menos nesse quesito...]
É o que acontece quando criamos expectativas: a gente quebra a cara na maioria das vezes. Todavia, pelo menos o choque me serviu para que eu começasse a perceber meus privilégios.}
Não gostaria de deixar a impressão que não há pessoas legais e discussões na Universidade, é só que na Engenharia a maioria das pessoas não estão tão focadas no que tangem as "humanas" (ou "biológicas"). Interessa só o que é fato ou foi obtido pelo método científico (ou futebol, chopadas e festival sertanejo). Talvez o problema é que encontrei no campus (em geral) mais pessoas que queria ouvir para replicar e impor suas opiniões (enfim, ótimos discursantes e discutidores), do que ouvir para absorver, ponderar e quem sabe mudar de ideia...
Bem, este meu primeiro Clube do Livro foi simplesmente fantástico para mim. Discutimos (a fundo) coisas como fascismo, reação de comportamento de grupo, manipulação, dominação, educação e pedagogia, igreja, a história do diabo, psicologia (mais o começo dela, mais freudiana mesmo), justiça e vingança, simbologia, psicanálise, a loucura, entre várias e várias outras coisas, como inglês, alfabeto cirílico, magnetismo pessoal, Kaspar Hauser... Chegamos até a escrever um jornal!
Simplesmente fantástico! Uma pena que esse projeto teve um fim tão abrupto (outra história, para um outro momento, mas revelo que não foi um fim definitivo; é só que não se pode colocar coisas grandes em locais apertados...).
A loucura enfim! O que ela é? Um estado mental? Bom ou ruim?
Definir uma coisa é conceitual e pessoal, pois cada pessoa tem emoções, imagens e outras palavras associadas a cada palavra de seu vocabulário, o que torna até as palavras mais simples usadas em nosso cotidiano ter um leve diferenciamento no entendimento de cada pessoa, por mais específico e palpável que seja a coisa.
Para a loucura, que é um conceito mais abstrato, a divergência de pensamentos associados pode ser grande, por isso vou tentar recorrer-me a uma fonte mais neutra: o dicionário.
De acordo com o Priberam e o Aurélio (que estão com a mesma definição), a loucura tem quatro definições: 1. Alienação mental; 2. Insensatez; imprudência; 3. Extravagância; 4. Doidice, ato descontrolado ou irrefletido.
E aqui está meu entendimento sobre a loucura: todo estado mental exteriorizado que provoque, abale ou incomode os que estão a sua volta.
Como todo grupo, a sociedade valoriza aquilo que se repete em cada indivíduo e marca padrões para poder serem chamados de "normal". Com o passar do tempo os padrões, assim como as pessoas, mudam, mas o tido como "normal" pode não acompanhar no mesmo ritmo e portanto começa-se a ser manipulado e/ou criado conceitos de moral e pudor a serem seguidos, que muitas das vezes chegam até a virar leis em muitas sociedades. Começa-se a ter os princípios de uma sociedade reprimida, de pessoas que precisam ser e se portar através de máscaras. Eis então que qualquer extravagância do tido normal e correto é visto como loucura.
Como "normal" é relativo, a loucura também o é! E por isso, todos somos loucos. Quem nunca teve um pensamento louco? Vivemos a loucura em um mundo louco. O que nos impede de fazer loucuras por aí são justamente o que nos reprime: leis, julgamento alheios, pudor (que geralmente está enraizado em sua mente naquilo que você sente vergonha), moral (social, religiosa, ...) etc.
Para entendermos um pouco melhor, acho interessante rever a história dos hospícios.
De tempos em tempos os seres humanos enfrentam doenças que se tornam pandemias no mundo. Em uma dessas vezes, quando a hanseníase (lepra) assolava o mundo, foi criado leprosários, locais onde se isolavam os infectados para que eles não passassem a doença adiante. Várias implicações de descaso estão envolvido nisto, uma vez que "quem cuidaria dos enfermos?" já que não se conhecia a cura e a doença era tão contagiosa..., mas este não é meu foco aqui. A questão é que a humanidade teve certo êxito ao erradicar a doença.
Mas eis que os leprosários abandonados trouxeram uma ideia. Era simplesmente muito eficaz retirar e isolar aqueles que não queremos da sociedade. Então os leprosários ganharam um novo nome (hospício) e são reativados como uma nova função: trancafiar os indesejados sociais. Ou melhor dizendo: resguardar os loucos, para o próprio bem deles e da sociedade.
Entenda que não era uma cadeia policial para "abrigar" insanos psicopatas seriais killers, era um local para trancafiar aqueles que perturbavam a ordem social. Por exemplo: uma feminista = louca; LGBT = camisa de força; igualdade racial = lobotomiza!
Mas claro, tudo mascarado como grande bem em que todos se beneficiam. Tudo atrás do rótulo da loucura (sem que ninguém questionasse "o que é normal? o que é ser louco?", pois questionar é uma loucura e você não quer ser taxado como louco, né!? Se a maioria diz que 'sim', eles devem estar certos, pois não é possível que a maioria esteja errada...).
Ainda bem que avançamos muito e hoje não existem mais hospícios, só casas de repouso e finalmente temos médicos para saúde mental. Mas se todos expuséssemos o que pensamos, provavelmente passaríamos como loucos, pois afeta a sociedade de alguma forma e porque somos todos diferentes e temos em algum nível algum transtorno mental, mas são poucos os casos que realmente precisam de medicamentos. A diferença é que alguns abraçam suas loucuras e outros a renegam, escondem e reprimem ela.
Somente atualmente com as redes sociais, que as pessoas começaram a mostrar um pouco seu lado íntimo e suas loucuras, que as pessoas começaram a ver que é algo natural e que não estão sozinhaa (e cada um tem suas próprias particularidades).
Por exemplo, tem gente que fala sozinho (consigo mesmo) em casa (quando estão sozinhos), e hoje com a exposição disso tem alguns médicos que além de terem constatado que é normal é até saudável. Tem gente que rói a unha do pé (é nojento? tem gente que rói a unha da mão e ninguém pensa que é nojento, só que é "feio", pois deixa as unhas com uma péssima estética).
Em ambos os casos eu diria que é uma loucura, e são loucuras que não tenho (não rôo unhas nem costumo falar sozinho em voz alta [prefiro mentalmente]).
Por fim não sei se consegui transmitir a ideia de que a loucura é muito relativo (com o que é ou não normal), mas vou acreditar que sim e seguir adiante para falar de minhas loucuras.
Quando disse que sei não ser louco, é apenas que sei me portar socialmente (não muito bem, mas não faço nada que vá constranger muito os outros). Mas digo que sou louco sim, pois abraço minhas loucuras e vou atrás delas, pois gosto e quero pensar de um jeito diferente sobre todas as coisas, ver uma mesma coisa sobre diferentes perspectivas (muitas vezes fracasso devido ao meu egocentrismo, mas costumo tentar sempre).
Muito de minhas loucuras não convêm a este texto, só a quem de fato conviveria comigo, pois às vezes nossas loucuras transpassa a esfera dos pensamentos e se tornam hábitos, gestos, expressões, ... e muitas vezes nem me dou conta. Por exemplo, mal sei caminhar normalmente (dizem que tenho um jeito peculiar de andar por aí, mas que ninguém consegue reproduzir para eu entender do que se referem...).
Desculpem-me, mas este não é um texto sobre meus hábitos cotidianos. Se quiserem me conhecer boa sorte. Peguem meu mapa astral, caso acredite nisto (08/06/1995 às 09h). Porém se tiver prestando bem atenção ao texto, conseguirá pegar parte de minha essência, uma vez que vou justamente falar de alguns de meus pilares aqui.
Devo contudo dizer que a situação me faz quem sou; Sou quem devo ser; e Acredito no equilíbrio e na harmonia (e não que o bem e a luz impera sobre o mal e a escuridão).
Dito isso irei a uma de minhas loucuras fundamentais: Níveis de pensamento.
Não creio que seja nada anormal na verdade, apenas que nunca consegui conversar direito sobre o assunto, pois sou muito burro com as palavras.
Desde pequeno eu me perguntava se todos nós pensávamos iguais. Não me refiro a pensar igual ou diferente dependendo das experiências, informações e influências que cada pessoa absorveu durante a vida, mas sim se todos pensavam com uma voz mental, com palavras, imagens de suas memórias, ...
Engraçado, pois me questionei isso muito antes de me questionar se a cor que eu via era a mesma cor que os outros viam.
Bem, nunca tive uma resposta concreta e empírica sobre essas perguntas, pois não tive a oportunidade de viver em mais de um corpo ao mesmo tempo para saber. Mas com base em algumas coisas científicas tenho uma fé convicta sobre essas questões.
Sim, vemos as mesmas cores, devido ao comprimento de onda e frequência da luz. Talvez apenas vejamos com uma intensidade e vivacidade um pouco diferente, uns dos outros. Depende da anatomia do sistema óptico de cada pessoa. (eu vim do futuro, após ver este vídeo do Vsauce e já mudei de ideia!)
Não, não pensamos todos iguais, pois as pessoas nascem com diferentes tipos de inteligência. Então suponho que um pintor, um escritor, um matemático e um jogador de futebol, vejam o mundo de uma forma diferente (desde pequenos, antes mesmo de pensar em suas profissões). Logo devem pensar diferente. Mais o quão diferentes? E em que exatamente se diferem?
Ao me avaliar, percebi que penso em níveis (em camadas) distintas. Porém não me refiro a camadas hierárquicas (como id, ego e superego, em que penso por instinto animalesco inicialmente, mas pondero com minha racionalidade e convenções sociais e trato, processo e armazeno em um inconsciente; ou algo do tipo).
Ao me referir a níveis é pensar ao mesmo tempo de forma paralela e em certo nível consciência (sem uma sobrepujar a outra necessariamente).
Por exemplo, tenho um nível de pensamento em que falo mentalmente, com uma voz interna na minha cabeça. Ela tem a velocidade de pensamento de uma fala em voz alta normal. É como comunico e interajo comigo mesmo na maior parte das vezes que estou raciocinando ou elaborando um discurso. [pensei em chamar esta camada de 'interface', mas chamarei esta camada de I]
Contudo há uma outra camada de pensamento, que sinto estar logo atrás nos bastidores, com um nível de pensamento bem mais rápido [chamarei essa de camada II]. É esse pensamento rápido que me permite estruturar e corrigir minhas frases antes de pensá-las na camada I. Ainda mais quando estou falando com alguém, a camada I e minha fala ficam sincronizadas, de forma que a camada I de pensamento é totalmente exteriorizada, enquanto a camada II fica responsável por dar o rumo a estrutura lógica de fala e sua composição gramatical.
É esta mesma camada II que faz com que ao eu bater meu olho na palavra "Freud", reconhecer rapidamente que é uma palavra alemã e reconhecer que sua pronúncia é /Fróid/, de forma que a camada I já recebe só Fróid e não /Freud/.
É tudo muito subjetivo e acontecem várias coisas ao mesmo tempo, portanto não sei se conseguirei explicar bem, correta e/ou fielmente...
Há uma outra camada que reconheço que é a camada III, em que enquanto as camadas I e II estão preocupadas com as palavras ela consegue pensar em uma outra coisa, como uma música. Esta camada é bem involuntária, pois fica rodando uma música de minha memória sem que eu queira exatamente. É como uma música de plano de fundo quase sempre, mas às vezes ela vem mais a superfície ou me foco no que está tocando no fundo de minha mente e ela passa também para a camada I ou II. Eu acho que aquelas músicas "grudentas" (conhecido por alguns como 'músicas chicletes', que geralmente são jingles ou as músicas de verões) são chatas e incomodam quando elas estão nas camadas I e II; e elas vem mais a superfície, pois você aprendeu a reconhecê-las quase instantemente, devido a repetição que te condicionaram no mundo exterior, logo ela vem com mais facilidade da camada III a superfície (pois você já se condicionou a focar nela, nem que seja para reclamar).
Mas bem, eu atribuo também a camada III a flashs de imagens (a memória visual) que passa em segundo/terceiro plano enquanto pensamos e focamos em outras coisas (nas camadas I e II).
De fato a camada III seria o terceiro plano. E todas as três camadas acontecem simultaneamente.
Há ainda a camada IV, que não sei explicar bem se de fato é uma outra camada, mas é aquela que está pensando em outras coisas ao mesmo tempo... Em outras preocupações que estavam, relativamente de forma recente, na camada I.
Ouso chamar de camada, pois às vezes consigo senti-la analisando um outro problema que não o atual, em que estou em foco (que não é nem a camada I, II ou III).
É tipo quando estou fazendo uma prova de "exatas" (aplicar fórmulas, pensar na teoria, usar calculadores, aplicar simplificações e interpretações matemáticas...) e sentir ao fundo (durante minha preocupação/desespero com a prova) eu pensando sobre o que vou escrever a noite(?), como baleias e golfinhos que precisam respirar na superfície dormem(?), por que estão dando mais atenção a uma desastre de queda de avião do que de um terremoto(?) etc.
Mas não são pensamento que sobrepõe a camada I e me distraia de fazer a prova para ficar divagando... Só as sinto momentaneamente enquanto estou fazendo outras coisas que requerem minha atenção imediata.
E tem ainda a camada do inconsciente (que não chamarei de V, pois acredito que ela funcione simultaneamente também, como as quatro anteriores (em um nível horizontal), mas não consigo senti-la trabalhar, apesar de se manifestar em meus sonhos e de forma subversiva em outras partes do meu pensamento), sabe-se lá o que e como ela opera (talvez porque ela trabalhe em um nível vertical na verdade).
Acredito que micro expressões, minha postura corporal e estas pequenas coisas que faço, mas não tenho consciência sempre, é parte da camada II ou do inconsciente (ou quem sabe uma outra camada totalmente diferente, que se importe com as interações sociais). Mas se fosse para apostar, eu apostaria que faz parte do meus pensamentos hierárquicos inconscientes, os mesmos que identificam primeiro a forma, depois a cor e por último o significado daquilo que enxergo.
Mas bem, eu sei que não sou uma pessoa multi-task, porém consigo muitas das vezes pensar em duas (e às vezes, dependendo da complexidade) até três coisas ao mesmo tempo (apesar que em nível de prioridade e em consciências superficiais diferentes). Possivelmente meu cérebro está processando 1 bilhão de informações ao mesmo tempo, mas que eu consigo me focar a um nível racional verbalizável, creio que meu máximo é 3.
Novamente consigo imaginar alguém lendo esse trecho e pensando "tolice" ou "isso é normal para todos". Peço desculpas, porém como já disse, nunca consegui chegar a este tipo de conversa com ninguém e também não queria opiniões e teorias da psicologia sobre isso que é tão natural para o ser humano como "pensar". Bem, quem sabe todos pensamos iguais, no fim das contas. Todos com um mesmo software apenas com dados de informação diferentes. Quem sabe não são somente os dados recebidos que nos faz pensar de formas tão distintas.
Analisando então aos primeiros dados aos quais somos impostos, temos a cultura, no qual podemos separar essa base pelo idioma e pela religião. Começarei, como já dito, por esta: a religião.
Vemos que a religião é algo cultural ao compararmos a quantidade de religiosos de acordo com cada local. Notamos que as religiões não estão diluídas ao redor do globo, e sim concentradas, de forma que a pessoa provavelmente adota (ou é adotada) pela religião de sua família, que por sua vez costuma ser a religião mais comum da cidade natal destes e assim por diante.
Sei bem que estou vivendo um momento de transição na história da humanidade [começo do século XXI], em que o modo de vida humano está sendo alterado (tanto para bom quanto para ruim) em diversos aspectos (principalmente pelo advento das novas tecnologias, da difusão da informação e comunicação sem fronteiras: a internet). Portanto, muito do que digo, pode muito bem cair por terra em 10 ou 20 anos (vemos, por exemplo, o número de ateus e agnósticos crescendo constantemente desde o final do século passado...).
Minha questão com as religiões é meio complicada de ser explicada, pois em suma não adotei só uma.
Nasci em família cristã, mais especificamente, católica apostólica romana conservadora. Fui batizado, frequentei por 4 anos catequese e com 15 anos fui crismado (crisma: reafirmação do batismo — quase como um rito para ser considerado adulto perante a igreja).
Porém aos 14 anos comecei a questionar minha religião (quando era que eu tinha escolhido ela? me deram opções de escolha? os crismes, atrocidades, torturas, corrupções e abusos de poder durante toda a história dessa igreja podiam ser ignorados e levar em conta só sua essência inicial e sua postura atual? — entre vários outros questionamentos) e aos 15 anos mesmo antes de terminar minha crisma (na verdade foi durante a crisma que consegui enxergar o que precisava para tomar minha decisão), eu já não era mais católico.
Particularmente vi que "se quiser conhecer uma pessoa (ou instituição, no caso), dê poder a ela", e a igreja católica mostrou muito bem do que é capaz quando se tem poder. Mas pensei: isso é passado, as pessoas merecem uma segunda chance, uma forma de se redimirem. Porém ainda via, pequenos e grandes atos falsos, fascistas e manipuladores na igreja e vi ainda que elas almejavam poder, para impor suas opiniões e crenças sobre os demais, jugando as pessoas alheias. Foi no pequeno poder de autoridade religiosa concedida aquelas pessoas, que fui abrindo meus olhos para ver que tudo aquilo do passado passível de questionamentos ainda estava presente, só que atenuados, disfarçados e um pouquinho reprimidos, só esperando o momento certo para se rebelarem.
Foi então que passei a transitar entre várias religiões, achando que o problema era a igreja católica. Cheguei até a me crismar quando era ateu. E fui de alma lavada. Lembro que na confissão com o padre eu simplesmente não tinha nada a confessar, pois já não via o mundo através dos dogmas da igreja, já não via pecado em meus atos, como me masturbar, comer um pouco a mais depois de estar satisfeito, sentir raiva sobre certas coisas, me permitir a luxuria assim como a igreja se permite ter etc.
Eu realmente estava tão bem comigo mesmo, sem culpa nenhuma no coração, que não confessei nada (não tinha o que confessar) e o padre vendo em meus olhos que era verdade, dispensou o ateu para a crisma.
Mas transitei muito entre religiões até perceber que o problema não era as religiões em si, mas sim as instituições, as igrejas, templos, sinagogas... Na verdade, o problema eram as religiões sim! Elas com seus dogmas e regras, burocratizam muito sua relação com deus e tentam te controlar e te condicionar a todo momento, em suas ações e em sua rotina.
E então abandonei todas as religiões e virei agnóstico. Era um agnósticos que não acreditava em deus, mas já não queria ser ateu também, pois o ateísmo é uma espécie de religião (pois é um grupo que têm uma crença e que às vezes se reúnem). Eis então que meditei bastante e resolvi ter simplesmente fé. Por fim, sou um agnóstico. Acredito em deus, mas não tenho religião.
Sobre isso então, escrevi um pequeno texto na época, dando minha perspectiva religiosa no Machado de Eugênio (← texto original no link):
" Da antítese ao paradoxo criou-se a vida
Diz o dicionário, sabiamente, que Mal é "tudo que é oposto ao Bem", portanto só podemos concluir que o Mal existe porque o Bem existe. O que eu vejo como sendo um fato. Isso nos leva a próxima pergunta: Quantas outras coisas só existem sustentados pela simples oposição de ideias e se fazem sustentar tão firmemente?
O que seria da Luz sem a Sombra (e vice-versa). O que seria Dormir sem o Acordar? O que seria a Presença se não fosse a Ausência? Separação sem União? Fechado sem o Aberto? O Longe e o Perto?
Bem antes de você ligar este aparelho eletrônico; bem antes de você nascer; bem antes dos primatas; bem antes do dinossauros; bem antes do primeiro coacervado terrestre; bem antes do sistema solar; bem antes de se estabelecer o setor galáctico ZZ9 Plural Z Alfa; bem antes da via-láctea se formar; bem antes do Big Bang; bem antes de Deus: havia exatamente NADA!
E foi deste exatamente Nada, fazendo se valer a semântica do paradoxo, que surgiu de forma tão repentina e inesperada o TUDO, de forma que logo se fez surgir o Caos.
Tamanho caos acumulado num só não-lugar, onde se tinha que coexistir tudo e nada ao mesmo tempo, fez originar uma grandiosa explosão, o qual eu chamarei de Deus (Por motivos óbvios. Devido sua grandiosidade, seu surgimento do nada, seu poder de criação e intervenção direta na vida — ao qual logo chegarei...).
Deus então fez surgir várias outras explosões secundárias, que estão acontecendo até hoje, devido a sua grandiosidade (a explosão originadora/primaria/-mor) e infinidade de local (não-espaço) para que isso ocorra. Dentre estas explosões secundárias, uma em particular recebeu o nome de Big Bang, e a partir dele surgiu várias outras explosões menores criando o espaço-tempo (para mais, vide mitologia), galáxias, sistemas planetários, estrelas, planetas, planetoides, asteroides, satélites, cometas, ... Espere aí!!! Algo um pouco mais diferente está acontecendo ali: na Terra.
Uma série de acaso e eventos de precisão milimétrica e numa ordem certa, como distância entre a estrela mais próxima, e do centro da galáxia, uma colisão que fez surgir um satélite, gases certos se encontrarem, um resfriamento, reações químicas, eletricidade e voilà: Não foi feita por Frankenstein, mas surgia a VIDA!
Por alguns motivos, mais e mais eventualidades casuais numa ordem temporal interessante, fez com que os mamíferos se sobrepujassem das demais raças (coisa de um meteoro ou dois e extinção de uns repteisinhos aí) e o homo sapiens se tornar-se uma raça bem adaptada, que se espalhasse por toda a face da Terra e fizesse com que você estivesse exatamente aqui! Lendo este texto! Tudo, é claro, por graças e obra de Deus!
"Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o universo e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu." — Douglas Adams
"A ciência atual não acredita mais em universo, mas sim em multiversos (ou multiuniversos)"
Deus então não mais interfere na sua vida além dos indiretos e intencionais (ou não — como queira) acasos que ocorrem devido as milhares de coisas que estão acontecendo simultaneamente ao nosso redor.
"O Universo, como já se sabe, é um lugar desconcertantemente grande, um fato que, para continuar levando uma vida tranquila, a maioria das pessoas tende a ignorar". O que faz com que a gente não consiga perceber tudo que está acontecendo ao nosso redor e por isto chamamos alguns fatos bem comuns de ACASO.
Coisas inexplicáveis sempre vão haver, pois, como já citado, o Universo é bem grande e não importa quanto a gente se esforce a gente não vai conseguir a onisciência e nem vai conseguir compreender todos os fenômenos da natureza, nem por isto precisamos chamar de algo sobrenatural. Podemos aprender com a história, em que antes de descobrirem os microrganismos explicavam as doenças através de contos de demônios e tempestades como conversas de deuses, mas que hoje sabemos que são explicações ridículas e que não é tão ao acaso assim e nem depende do bom humor de seres misticos. Além de que sempre há a possibilidade de charlatanismo por trás de certos fatos misteriosos. Ou que é apenas uma boa história alegórica para se refletir na vida e possuir uma boa conduta (um guia).
Para achar seu propósito de vida, muitas pessoa se apegam a instituição religiosa, e estas se apegam (pelo menos nominalmente) a algo maior: Deus(es) [ou Demônio(s), dependendo do caso]. O que não recomendo, pois é apenas uma tentativa de exteriorizar suas responsabilidades e problemas, além do problema de que tais instituições são regidas por humanos: que por sua própria natureza não são inteiramente bons (de corpo e alma - como se diz a expressão).
Recomendo sim que arranje algo que te dê forças para prosseguir em frente, mas troque a religião por uma ligação direta com o que você acredita ser seu "Deus" que te ajuda e orienta, mas recomendo mais é amigos, pois esses te ajudarão a prosseguir em frente, poderão te dar conselhos sinceros que possam te ajudar e te orientar na vida (pense então que Deus orientará as palavras de seus amigos, se assim preferir).
Resumindo: Não basei sua vida nas vontades de Deus e muito menos na sua Religião, mas como resultado e consequências de suas escolhas (virtú) e uma pequena parte pelo acaso (fortuna), sobretudo, como você consegue manusear as oportunidades (os acasos) a seu favor (pelo menos de forma que te afete o menos possível negativamente).
E se algum dia você quiser reclamar da vida ou agradecer por ela, se manifeste para o Big Bang, não para Deus ;)
P.S.: "Se quiser ser uma pessoa mais feliz, nunca espere nada de ninguém; especialmente algo de bom".
Um abraço a todos e fiquem em paz!"
Contudo, claro, que durante essa transição eu expressei minha indignação em alguns lugares também. Pegarei agora um trecho de um antigo rascunho de texto meu (← esse nunca chegou a ser publicado, logo não há link):
A questão enfim, foi que descobri que não conseguiria respeitar inteiramente se não acreditasse como verdade (e de coração) o que elas seguiam, porque se olharmos criticamente para a mitologia de cada uma delas, veremos que uma é mais absurda que a outra, que não fazem sentido e que são um bando de plágios e agregações de histórias e religiões ainda mais antigas.
Eis que então que saí do Agnosticismos para entrar de coração em todas as outras religiões, pesquisando e acreditando em seus dizeres. Daí que minha loucura entra nisso.
Muitas religiões são contraditórias! Por isso tanto conflito. Sendo bem extremista: o satanismo é quase conflitante com o cristianismo. E o ponto é: eu acredito e aceito ambas. Mas como?
Não sei bem dizer. Acho que guardo a verdade de cada uma delas em personalidades diferentes do meu ser. Ou simplesmente em caixinhas separadas em meu cérebro, que eu uso em momentos específicos de minha vivência. E o melhor é que tenho infinitas outras caixinhas livres para receber mais religiões em meu âmago e conhecer suas verdades e filosofias.
Devo contudo dizer que na maioria do tempo, me aporto no agnosticismo, pois sou atacado constantemente com "a palavra do senhor" (nas ruas, em ônibus, e até mesmo na porta de minha casa) para que eu compre algo.
Quando não há diálogo (e sim monólogos) e só querem me faz engolir sua crença, pois você crê no que é certo e eu deveria também fazer como você, daí terá meu silêncio ou minhas armas mais afiadas e pontudas.
Se não há respeito e muita utilização dos nomes de sua crença em vão, sei bem que você é um dos desvirtuadores e aproveitadores.
Porém, não saio por aí absorvendo qualquer coisa. Nem sempre consigo de fato respeitar a escolha de todos. Até agora, por exemplo, não consigo levar a sério a religião Mórmon (me parece uma sátira). E no mundo que vivemos, preciso me proteger do comodismo de aceitar e fazer o que é mais fácil. Sempre estou atrás do que possa me acrescentar somente, do que me dê novas perspectivas (tanto da vida, quanto espirituais).
Esta é minha base religiosa então! São um seguidor de muitas as crenças e da falta delas, sendo um não praticamente e muitas das vezes contra os rituais dessas que não envolvam consentimento explicito (ou seja, rituais em crianças que ainda não podem tomar decisões por si mesmas). Estou sempre em busca de aprender mais sobre diferentes religiões e filosofias, mas não é sempre que adiro a elas (às vezes gosto de só coletar o conhecimento). Acredito em Deus, em vários outros deuses e ainda sou ateu a ainda vários outros, mas acima de tudo acredito em mim mesmo.
Tenho vários níveis de consciência e no mínimo quatro fortes personalidades, mas como um todo, como um único ser que sou, tenho uma religião Frankstein, formada de várias e várias partes de filosofias, morais, religiões e histórias que formam e guiam meu caminho, meu jeito de ser, meus atos e minha ética.
Tomando emprestado um curto poema (em verso avulso, na verdade), que um amigo me passou ao lembrar de mim:
Preciso agora então voltar ao âmbito cultural, pois estudar as religiões é estudar a cultura de vários povos e seus modos de pensar. Estudar história basicamente.
Como mochileiro europeu, eu vi que visitar igrejas era conhecer o local, pois dava para recontar o grosso da História através delas, onde eram investidos as produções culturais de cada época, onde as pessoas depositavam sua fé, esperança, dinheiro e até confidencias... Um pouco trágico talvez, mas não quero me por em posição de julgá-las, pois compreendo o que é ser levado e se deixar levar quando a maré é forte. [no more]
Deveria ter falado antes, mas considero a Cultura um grande e forte pilar, porém complexo de mais, logo prefiro o ver através da formação de um conjunto de outros pilares menores, apesar de serem cada um tão complexos quanto o todo (pois há tantos números entre 0 e 1, quanto entre 0 e 100).
Não falei antes, pois eu sou uma bagunça. Eu estou escrevendo este texto aos poucos, em dias diferentes, em momento do dia diferentes, em estados de humor e emocional diferentes e porque tenho preguiça de revisar e reorganizar/editar minhas próprias coisas. Está aí uma coisa que tenho que melhorar, porém sei também que se for parar para revisar e reler o que escrevi anteriormente, vou ficar empacado tentando melhorar ao máximo o que escrevi antes e ficar só retocando para sempre, sem conseguir seguir a diante. Por isso resolvi arrumar o texto só depois de "finalizado", mas daí não prometo ter animo para voltar aqui atrás [vai depender a preguiça ;)].
Eu queria então chegar ao próximo pilar, através dos ramos da Cultura, contudo irei contra meu plano de utilizar das igrejas como gancho de expressão da humanidade, assim como as obras de artes (pinturas, esculturas, fotografia, cinema, artesanato, tatuagens, danças, músicas, culinária, esportes, lutas, podcasts ou mesmo escritas) e irei colocar um outro trecho de um outro rascunho meu, e seguirei a partir dele. No seco mesmo, sem a suavidade de ir percorrendo os assuntos até chegar onde pretendo, pois vejo que o texto já está enorme e não cheguei ainda nem perto de onde queria.
"
Água!
Vejo agora o quão reconfortante é tirar alguns textos do limbo. :]
Mas isso não vem ao caso agora.
O que quero dizer, além do que já disse, é que temos diversas e diversas formas de nos expressar, mas nossas principal forma de expressão é a linguagem das palavras. Tanto que quando outras pessoas não conseguem se expressar bem através dessas, as demais (que conseguem) se sentem perdidas, não conseguem alcançá-las e às vezes até as marginalizam, como o caso de pessoas que só conseguem se expressar através de movimentos, da matemática (de números), através de desenhos, etc. Muitas são diagnosticas com "problemas" ou "portadoras de dificuldades", por simplesmente se expressarem de outra forma, como os autistas.
Mas tem gente também que simplesmente se priva desta forma de expressão ao simplificar seu vocabulário ao máximo e tentando se expressar apenas com poucas variantes de palavras e entonações de voz [pessoas que adotariam facilmente uma novilíngua]. Para mim são aquelas que gostam excessivamente de gírias, jargões e até xingamentos. Não que essas três coisas sejam ruins ou péssimas formas de se expressar, ao contrário, são palavras de poder, de impacto, de extravasão. Contudo ao utilizá-las banalmente sempre, em sua boca elas perdem o sentido.
Colocar de forma prática: você é uma pessoa que raramente xinga, seja lá seus motivos. Você pode achar feio, ofensivo, não gosta de ouvir ou falar, acha xingamentos uma forma pobre de se expressar e prefere utilizar de artifícios melhores, acha que Deus te castigará por xingar... Enfim, não importa.
Eis que você se frusta imensamente ou se machuca (imagina chutando uma quina com o dedinho do pé) e então solta um xingamento. Você consegue por para fora de forma forte o que te incomodava (dor no caso) e isso te ajuda a aliviar.
Segunda situação, você se expressa através de xingamentos. Porra é vírgula para você. O mesmo acontece: sofrimento. Você então xinga. Você não extravasou este forte sentimento para fora, pois xingar é normal e sua dor não é trivial e normal. Você então começa a emendar xingamentos, não para no primeiro, pois vê que xingar já não tem impacto nenhum para você. Já foram mais de cinco xingamentos e você só se calou para se concentrar na dor e procurar xingamentos menos usados em sua memória.
Você deixou fraca um arma forte. Deixou cega um lâmina afiada.
(Uma outra forma que as pessoas se limitam é através de tabus, em que se evita certas palavras e certos temas, se privando de conhecimento.)
Contudo o ponto que quero chegar é que as palavras têm poder e quero convencê-lo desta verdade: Words Win Wars.
Pode ser que sim, vibrações positivas faz com que o universo te devolva coisas positivas, mas não é exatamente nesse sentido que digo "as palavras têm poder", é mais no sentido de que com as palavras podemos conseguir basicamente qualquer coisa.
Aqui vou fazer um parenteses para falar sobre meu amor a série Doctor Who, em que basicamente tem como enredo um viajante no espaço-tempo que escolhe acompanhantes para se aventurar neste vasto universo e ocasionalmente salvando planetas e inclusive a própria Terra. Detalhe: sem nenhuma arma, apenas com seu meio de transporte no espaço-tempo (a TARDIS) e uma chave de fenda sônica (que basicamente abre e fecha coisas que não sejam de madeira).
E no meio desta maior série de ficção científica feita até hoje, tem-se meu episódio favorito: o primeiro episódio da quinta-temporada da era de 2005 (The Eleventh Hour). Nele o Doctor não tem nem a TARDIS nem sua Chave de Fenda Sônica disponível. O mundo acabará em 20 minutos e ele basicamente não tem, a princípio, nenhum amigo ou aliado e está em uma cidadezinha do interior, longe de tudo. Ou seja, ele não tem nada disponível e vinte minutos para salvar o mundo. O que ele faz? Para não dar mais spoilers sobre este episódio fantástico, digo só que: ele faz mais do que só salvar o mundo da destruição. MAS COMO? Basicamente como ele sempre faz: com palavras! (No caso ele até utiliza as palavras para programar) Sendo mais sincero: com conhecimento e correndo muito.
Isso tudo para mim é uma inspiração além de entretenimento e me pergunto, nosso paladar essencialmente é constituído de quatro sabores: doce, salgado, azedo e amargo. Só 4! Mesmo assim você já experimentou todos os sabores do mundo? Como você ainda consegue se surpreender com pratos novos? Você não enjoa de comer, não? É sempre doce, salgado, azedo, amargo ou uma combinação desses quatro...
E música? Você escuta música? Consegue ainda sentir deleite ao ouvir sempre variações de 7 notas musicais? Sim, só há 7 notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) e você acha que nunca escutou todas as melodias?
Ok, agora e discursos? Você acha que já leu todos os textos possíveis de serem produzidos? Todas as mensagens que a humanidade poderia produzir? De acordo com o VOLP (o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) temos atualmente 381 000 verbetes. Quantas combinações possíveis podemos fazer com estes 381 mil verbetes? Sem limitação de espaço para escrita ou fala... E quantos idiomas existem e existiram neste mundo? Eu não saberia nem chutar tamanho o número. Além de existir em muitos casos dialetos em cada idioma, que trás ainda mais riqueza de expressão para cada idioma [assim como as gírias e as linguagens coloquias].
Bem, se dá para conquistar uma pessoa pelo paladar e/ou pela melodia de uma música, o que você me diz das infinitas possibilidades que as palavras te oferecem? Será que não há séries e conjuntos certos de palavras que possa tocar cada pessoa e/ou alterar acontecimentos de cada situação? Não há pessoas tão versadas nas palavras que conseguem convencer as outras com facilidade? Induzir? Manipular? Debater? Expressar-se!?
Voltando ao paladar entretanto, parece que não detectamos só quatro, mas sim cinco (umami também), contudo continua um número bem limitado para todos os sabores que você já experimento nesta vida, não? Pois bem, é que você talvez não tenha pensado nas porcentagens. Além de haver uma combinação entre um, dois, três, quatro ou cinco destes sabores, há uma porcentagem, uma parcela de cada um deles no conjunto, de forma que olhando numericamente, há infinitos números entre 0 e 1 (0 e 100%).
Uma comida pode ser 100% doce; outra ser 90% doce e 10% salgada; e outra 66.34% doce, 3.01% umami, 7.11% salgada, 0.86% azeda e 22.68% amarga.
A música tem de fato só sete notas, mas há variações como o sustenido (#) e o mais importante: há timbres diferentes. A nota "dó" em um trompete não soa exatamente igual a um "dó" na guitarra, além de se ter "dó maior", "dó menor" etc. Além de haver timbres diferentes, há a composição disso tudo, o que podemos ver com muita clareza nas apresentações de orquestras, ao ver as diferentes harmonias que se tira da cooperação de tantos instrumentos juntos, além de que o ritmo pode passar uma sensação ainda mais diferenciada; e juntar a harmonia e o ritmo enfim a melodia, onde ainda acrescentemos muitas vezes palavras: a letra da música. Assim então continuamos a nos encantarmos com diferentes tipos de músicas.
E o discurso? Já temos o fator base muito maior que o do paladar (5) e o da música (7): 381000 (só no português). Temos também os sinais gráficos nos textos e a entonação (a emoção) através da voz. Temos a ironia, sarcasmo e várias e várias outras figuras de linguagem como metonímia, hipérbole, onomatopeias... Além dos demais elementos da análise do discurso (sinceramente não sei se é uma nomenclatura correta, mas é como denominei a mim mesmo). Como provavelmente não é o termo certo, pois tive esse conhecimento de forma empírica, vou contextualizar, tanto porque foi um de meus primeiros aprendizados neste mundo.
Quando criança eu ouvia uma história, uma anedota ou uma piada e achava muito legal e divertido ao ponto de querer reproduzir elas para outras pessoas (ou como estamos mais acostumados a dizer hoje: eu queria compartilhá-las). Mas eu quase sempre fracassava. Fracassava miseravelmente. Ao ponto de não conseguir nem tirar um sorriso amarelo das pessoas. No começo pensava até que estava errando a piada, mas depois percebia que eu disse a piada exatamente igual, palavra por palavra. Então onde estava o erro? Foi quando percebi o que chamo de "análise do discurso".
É extremamente importante o que você diz, mas isso pode não valer de nada se você não analisar cuidadosamente "como se diz", "para quem se diz", "quando se diz", "onde se diz" e "quem diz". Depois ainda acrescentei um "por quê". E claro que fui percebendo cada um destes elementos em cada tentativa e erro. Porém foi um das primeiras coisas que aprendi, pois eram simplesmente essenciais para me comunicar com as demais pessoas, principalmente um adulto.
Não sei se é algo trivial, mas discorrerei um pouco mais sobre esses elementos: O "como se diz" é um dos mais importantes, pois é saber onde começar a narrativa, se você vai dar a versão curta ou longa das coisas, em qual nível de detalhamento você conta as coisas, onde vai haver as omissões ou não (ou quem sabe as mentiras), em que ritmo e onde vai ser as pausas (os suspenses) de seu discurso. "Para quem se diz" é fundamental, como todos os outros, pois uma coisa pode interessar um e a outro não, assim como pode ser relevante e até essencial para um, quanto é até melhor que outro até nunca chegue a saber. "Quando se diz" é só pensar "talvez não seja uma boa ideia contar uma piada em um momento fúnebre, por melhor que seja", talvez seja, mas aí vai depender muito de seu propósito ("o porquê"). O "onde se diz" é justamente: talvez não seja uma boa ideia falar de algo tão íntimo em um lugar tão público ou algo tão comprometedor em frente aos pais. E por último "quem diz", pois uma coisa pode soar engraçado, porque a pessoa que está narrando passou por aquilo, enquanto na sua boa, pode perder todo o sentido, por mais bem discursado que ela seja (momentos de analisar outras abordagens para aquele tema).
Com tantas variáveis ao redor das palavras, se souber usá-las com precisão, você consegue qualquer coisa, inclusive vencer guerras, mas novamente é ver só parte da atuação de seu poder.
Tem um famoso ditado que traduzido ele é mais ou menos assim:
Vamos dizer que você se sente esquisito por assim dizer, tenta suprimir ou ignorar esse sentimento, pois você não sabe o que ele é, nem explicá-lo para o mundo, nem suas causa, daí torce para que não seja um sentimento recorrente.
Mas assim que aquele sentimento ganha um nome, você consegue discutir ele, consegue encontrar outras pessoas que tenham sentido ele, consegue debater e investigar sobre ele e por fim abstrair sua existência.
Agora pare de pensar em sentimentos e expanda isso para tudo aquilo que você desconhece.
Saiba que sem palavras, você não consegue estruturar certos pensamentos, e se você precisa substituir uma palavra em uma sentença, por vários conceitos distintos e dispersos, talvez você nunca consiga formar a sentença no final.
Vou pegar, por exemplo termos relativamente novos para a sociedade moderna: não-binários e drag queen. (aliás, alguém sabe se há uma palavra para "pessoa que acredita em várias religiões"?)
O não-binário é muito louco, pois é um termo que se formou no inglês (como genderqueer), para só então conseguir se formular no português, através do sentimento daquelas pessoas que não conseguiam se encontrar nem como homem nem como mulher. Já a Drag Queen nem no português se converteu, ficou mesmo no inglês para ser utilizado a vontade, que é aquilo de montar um personagem em si próprio, sem que isso influencie sua identidade de gênero ou sexual (um homem pode se travestir em mulher, uma mulher pode se travestir em homem, uma mulher pode se montar uma outra mulher e um homem em um outro homem — mentira, quando o personagem final é um homem, acho que chamam de Drag King, mas deixarei juntinho aqui), contudo isso de querer se montar é inconcebível na cabeça fechada de muita gente, que elas reprimem, sendo por isso muito mais fácil achar pessoas do universo LGBT no meio Drag (pois já estão acostumadas a quebrar tabus e a não se reprimem tanto, quanto o hétero que está preocupado em manter seus status de virilidade).
[Particularmente eu não traduziria Drag para Travesti, pois Drag é algo mais artístico e Travesti é apenas uma forma de expressão de gênero (por motivos pessoais ou políticos até). Apesar de Travesti ser utilizado também de forma pejorativa para aqueles que se travestem e se prostituem, Drags não se encaixam nesse conceito também. Exemplo: o cartunista Laerte Coutinho se travesti, mas ele não é uma Drag (não faz shows artísticos travestido) e também não se prostitui, logo ele é um travesti (mas não no termo pejorativo). Perceba que se travestir é só uma forma de expressão, não influencia em nada sobre sua sexualidade ou identidade de gênero. Ele ainda se entende como homem e hétero.]
Pensando bem, esses termos não são novos para nossa sociedade contemporânea e talvez eu não esteja conseguindo passar a ideia certa. Tentarei por um outro caminho, afim de esclarecer.
Assim como o termo Drag, você já deve ter ouvido falar que muitos termos de uma língua estrangeira não tem uma tradução direta, sendo que em alguns casos as pessoas nem conseguem traduzir, porque simplesmente não há tradução (mas não é porque não há tradução, que não conseguimos abstrair o conceito dessas palavras e aprender a utilizá-la...). Esta aí uma das coisas mais legais de se estudar idioma (para mim pelo menos): aprender novos conceitos sobre outra perspectiva.
Linguagem é uma coisa fantástica, pois como cada palavra remete a uma série de conceitos; todas as palavras, são conceitos levemente diferentes para cada um de nós, mesmo aquelas mais comuns de nosso dia-a-dia ou as que representam coisas físicas e palpáveis. Ao dizer a palavra "árvore", todos saberão do que me refiro, mas todos temos uma ideia ligeiramente diferente da definição de árvore, todos puxam na memória, a primeira instância, uma imagem de uma árvore diferente e diversos pequenos conceitos sobre essa palavra (um outro exemplo mais besta, porém mais papável: a palavra "limão". Para nós brasileiros geralmente vem coisas relacionadas como "verde" e "azedo", porém para pessoas de zona temperada pode vir a mente "amarelo" e "cítrico", isso porque o tipo de limão mais comum em cada região é diferente. Não significa que não conhecemos o outro tipo de limão, é só que sem muito contexto ou muito tempo para pensar sobre, puxamos as palavras associadas mais comuns do nosso dia-a-dia). O interessante é que quanto mais abstrato são as palavras maior a divergência de conceitos que cada um tem delas, como "dinheiro", "trabalho", "fome", "bem-estar", "estresse", "amor" etc. Mas obviamente são divergências pequenas, pois ainda conseguimos captar sobre ao que se refere (senão não haveria comunicação), mas o acumulo de pequenas divergências, às vezes faz surgir maus-entendidos, faz gerar mal-estar em algumas pessoas sem que elas percebam, mas principalmente traz ideias diferentes a cada um de nós. As mesmas palavras podem influenciar e inspirar pessoas de modos muito diferentes!
E o quão fantástico é estudar um novo idioma e aprender diversos novos conceitos. Mesmo que se aprenda um novo vocabulário fazendo associações com sua língua materna e até com traduções, você percebe que uma mesma frase soa muito diferente em seu significado em outro idioma, pois as palavras carregam pesos diferentes em cada língua e principalmente: elas carregam conceitos diferentes. Às vezes uma palavra estrangeira pode significar três em sua língua materna e ao escolher um destes três significados e montar uma frase, a ideia principal é passada através daquele signo que você recorreu, mas mesmo assim, ali por trás, nos bastidores do seu inconsciente, os outros dois significados daquela palavra, trás certo peso na mensagem final, pois naquele idioma todos aqueles conceitos e ideias estão vinculados aquela mesma palavra. Multiplique esse fator ao número de palavras em suas sentenças.
Desculpem-me se soei complicado, mas resumindo a ópera: aprender um novo idioma é aprender um novo jeito de pensar. Para mim é ir desvendando o mundo através dos olhos de outros povos e culturas. É ganhar novas perspectivas.
Eu não saberia analisar bem o que aprendi com o jeito de pensar do idioma português, pois é minha língua materna e estou muito imerso nele para conseguir ver seu todo em mim / ver suas influências em meus modos de pensar, mas posso falar de meus outros idiomas.
Devo só ressaltar que este texto todo foi feito quando eu tinha/tenho 21 anos de idade, logo espero que minha lista de idiomas tenha aumentado no futuro.
Com o inglês eu aprendi a simplificar. Aprendi várias coisas diferentes, claro, mas de início o que mais abstrai do inglês foi seu fato de uma palavra significar muitas coisas (e isso dá a liberdade para tanta ambiguidade, trocadilhos e ganhos de pensamentos que puxam outras pensamentos...), logo eu conseguia passar várias ideias, com muito pouco vocabulário e trazendo isso para minha vida no português eu aprendi a dizer muito com pouco. Mas não foi só isso. No inglês aprendi várias expressões legais, contudo uma que quero ressaltar, pois acho que não tem ela em português é Godspeed, que é meio que um boa sorte, mas ao mesmo tempo um "o que terá de ser será", acontecerá ao tempo (na velocidade) de Deus. [Já dando uma adiantada, este link entre as palavras "tempo" e "velocidade", se tornou muito claro para mim com o alemão...]
Há também "trade-off" que eu não conseguiria nem explicar direito, então deixo pro Google. ;)
Antes de sair do tema inglês, devo dizer que sou um grande fã das produções culturais do Reino Unido (S2 BBC) e claro, eu sou um grande consumidor das produções americanas (USA), pois eles maravilhosamente produzem tanto, mais tanto, que atirando para todos os lados como eles fazem, obviamente eles acertam alguns. E não tem como, quanto mais o filme passar por traduções, mais ele se perde (perde-se muito nos detalhes!). Particularmente tenho um caso sério contra dublagens. Então, pelo amor de zeus: aprendam pelo menos o básico de inglês. Mais da metade da internet está em inglês!!
Agora com o alemão aprendi quase que o contrário do inglês, aprendi a ser mais preciso e específico com o que quero, pois no alemão eles tem muitos substantivos e verbos extremamente específicos (e não têm ações continuas, só pontuais). Então era necessário muito vocabulário para não passar a ideia errada. Porém o alemão é estruturado em uma base gramatical tão diferente, como posições específica das palavras, frase principal e "auxiliar" (Nebensatz), quatro casos (nominativ, akkusativ, dativ, genitiv), ... que para mim ficou muito óbvio que estava aprendendo um novo jeito de pensar.
O alemão ainda possui o gênero neutro, possuindo no total três gêneros, de forma que vi que essa ideia de gênero é uma construção cultural (da sociedade) e não da natureza ("água" por exemplo, não tem genitália alguma, então porque ela é feminina? Por que é "a" água?), além de as construções de palavras emendando uma as outras, para formar novas palavras. Foi assim que consegui enxergar ligação entre algumas palavras, e consequentemente, entre algumas ideias, as quais nunca tinha associado antes (assim como precisei do francês para ver a relação entre "cantar" e "encantar").
Acho que nunca desconstruí tanto o sentido das palavras, quanto em meu estudo do alemão. Mas de todas as palavras, vou destacar uma aqui, que novamente não possui tradução e que foi de grande impacto para mim: Schagfertigkeit. Basicamente é aprender a duelar com as palavras. É uma técnica passível de treinamento e é uma das melhores armas contra o bullying, por exemplo. Aliás, quem ataca uma pessoa armada?
Uma tradução extremamente tosca, seria dizer que a pessoa tem uma língua afiada, mas é muito além disso. É saber atacar e se defender com as palavras com precisão.
Novamente reitero, aprendi muito mais e vastamente, mas não quero me delongar aqui neste texto já enorme.
Meus conhecimentos de francês e japonês ainda estão muito básicos para que eu comente algo, e o espanhol é muito próximo do português, de forma que não consegui abstrair nenhuma novidade além de novas fonéticas, contudo estou sempre em busca de novas perspectivas e novos meios de pensar e descobri que outras culturas e outros idiomas é justamente o que vai me trazer o que procuro. Infelizmente no japonês ainda estou preso aos caracteres iniciais de hiragana e katakana, mas sou grande consumidor de cultura japonesa (e agora começando a ficar de cultura coerana também) e acho sempre mágico o jeito diferente deles pensarem e se expressarem, assim como é diferente do jeito alemão, britânico, americano, mexicano e brasileiro.
Hoje posso dizer que consigo abstrair e formular alguns pensamentos muito mais complexos, pois tenho vocabulário para isso, sendo que parte desse vocabulário é um vocabulário estrangeiro. E até hoje amo visitar o dicionário e aprender sempre novas palavras.
Todavia, como se pode perceber por este texto, ter vocabulário não é sinônimo de conseguir se expressar bem. Sei que tenho dificuldades e um dos propósitos deste texto, que citarei ao fim dele, é justamente conseguir superar, pelo menos em parte, esse meu déficit de expressão (conseguir ser mais claro) e reduzir um pouco meus vícios de linguagem.
Só um detalhezinho a acrescentar: atualmente não me sinto fluente em nenhum idioma, apesar de conseguir compreender razoavelmente bem inglês, alemão e espanhol. Espero melhorar enquanto a isso no futuro e me tornar um poliglota fluente. Contudo, acho que fome, por falta de comunicação, eu não passo.
Espero ter conseguido pelo menos convencer um pouquinho sobre o poder que as palavras têm, mesmo assim já complemento com uma frase do anime Code Geass: Lelouch of the Rebellion: não se pode mudar o mundo com palavras bonitas apenas (em inglês: The world can not be changed with pretty words alone). E como sou ridículo, com mais um ditado: se quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo. Você deve ser a mudança que você quer para o mundo.
Eu poderia na verdade, ter feito esse texto todo só através de citações, tanto porque a humanidade já tem milênios de produção, o que até torna difícil ser original em algum ponto no meio de todos os pensamentos e textos que me precedem. E plágio então? Será que estou plagiando alguém? É bem provável que sim, pois nosso cérebro absorve muitas coisas consciente e inconscientemente e reproduzimos, criamos e recontamos tudo o que tivemos contato, às vezes sabendo disso e muitas vezes sem ao menos notar. Então é bem provável que meu texto na verdade seja só recortes de vários outros textos por aí, mas não me importo, pois creio fazer parte do caminho da humanidade.
Eu creio fielmente que a humanidade está aqui para criar algo. Criar algo extremamente complexo. Algo tão complexo quanto Deus, de forma que nem conseguimos imaginar ou sonhar ainda com isso, assim como você não consegue imaginar uma nova cor.
Acredito que a humanidade está abrindo caminhos na criatividade através de produções culturais, inspiradas em produções anteriores a elas e que por sua vez foi inspirada por pensamentos anteriores a essa e assim por diante.
Você acha que alguém do século XII conseguiria algum dia imaginar (só imaginar) um smartphone touchscreen? Nós conseguimos imaginar que no futuro haja teletransporte e hologramas (possivelmente inspirado em obras de ficção científicas), mas quantas tecnologias atuais as pessoas de 50 anos atrás nunca nem imaginaria? Pergunte-se, quantos livros ou textos do primeiro milênio depois de Cristo (ou antes), mesmo os de ficção científica, descreve métodos de comunicação a distância como temos hoje? Nenhum? Quase nenhum? Isso, porque construímos o que conseguimos imaginar e conseguimos sonhar tendo como base aquilo que já existe, pois estamos num constante processo de criar e ir melhorando o que temos, e é neste melhorar que criamos coisas cada vez mais complexas. Não teríamos como criar um tablet sem antes inventar o telefone fixo.
Há uma pesquisa que mostra que na época da TV preto e branco, a maioria da população sonhava muitas vezes em preto e branco também, e que a sociedade começou a sonhar mais colorido com o advento da TV a cores. O quanto então nossas tecnologias influenciam nossos sonhos? Eu realmente acho que o homem das cavernas nunca sonhou com o plástico, com a garrafa pet ou com uma máquina automática de fazer café.
Enfim, eu realmente acredito que a humanidade está aqui para que com as mudanças e novas produções (culturais e tecnológicas) conseguimos ampliar nossos horizontes da criatividade e conseguirmos [quem sabe, daqui mil anos] construirmos algo de que o Universo tanto precisa. E sinceramente, eu gostaria de contribuir com a humanidade nisso.
Mas dando um exemplo sobre o "plágio", vou apresentar-lhes a seguir uma teoria de minha própria autoria e verão que não é nada inovador e provavelmente são várias partes de outros dizeres espalhado por aí, contudo através de uma pequena pesquisa no Google, não consegui encontrar "minha teoria" por aí, logo assumo que ela é algo original e não só meu cérebro trazendo a tona antigas memórias. O original que digo aqui é: ninguém ainda compilou essas informações da forma que juntei. Só isso. Assim como os textos que produzirei nesse blog, serão originais meus, nada sob esse sol e essa lua são de fato 100% originais e é aí que está a beleza: nada é realmente novo.
A disposição e perspectiva diferente de algo "não-novo", colocando em um novo contexto ou simplesmente em outra ordem, podem despertar novas ideias. Ainda mais dependendo de quem será tocado por esses conceitos. Porque às vezes mais importante do que "o que" é o "como". Às vezes surgem novas ideias na sutil mudança dos detalhes de algo "velho".
Cada pessoa é importante nesse mundo, pelo simples bater de asas de uma borboleta. Em diferencias vivencias cada um tem uma visão do mundo que pode despertar pensamentos maravilhosos, magníficos e extremamente significantes quando entrar em contato no momento certo com a coisa certa. Por isso a "cultura" está aí para mudar o mundo. Para nos dar asas a criatividade.
Enfim, minha teoria dos 5 tipos de ignorância (que devo dizer que ainda está em construção):
• Não saber se sua existência
• Conhecer algo erroneamente
• Conhecer algo parcialmente
• Saber de sua existência e não conhecer
• Ilusão
É uma teoria de categorização dos tipos de ignorância que enfrentamos, pois para mim era fundamental saber com um pouco mais de precisão o quão ignorante sou e como estou sendo ignorante, para que eu possa me reciclar e melhorar.
Irei explicando brevemente de cima para baixo, pois eu não faço a mínima ideia se só os tópicos já falam por si só.
A ignorância da ilusão é a ignorância burra para mim. Quando alguém utiliza a palavra ignorante como sinônimo de burro ou de pessoa de mente fechada, para mim ela está se referindo a este tipo de ignorância, em que uma pessoa cria uma ilusão ou simplesmente se fecha para acreditar somente naquela realidade que ela adotou para ela, não importando qualquer prova ou evidência que você mostre para ela. A ignorância da ilusão não aceita argumentos e é difícil de tratar ela.
A ignorância de saber de sua existência e não conhecer acho que é a mais aceitável para mim. É quando você sabe que a coisa existe, mas no momento você não tem muito interesse nela, contudo se algum dia você precisar, pode pesquisar sobre e aprender. Como se você soubesse que existe organelas dentro de suas células, mas não sabe quais nem sabe o que fazem. O dia que você se interessar, você pesquisa e se aprofunda nesse conhecimento. Ou você sabe que houve a revolução industrial, mas não decorou suas datas, contudo o dia que você precisar você abre o Wikipédia e pronto, tem sua informação.
A ignorância de conhecer algo parcialmente é perigosa, pois é justamente como ouvir só uma versão dos fatos ou ouvir só metade da história. Você pode acabar defendendo o lado errado (de acordo com sua própria ética, caso soubesse de toda a história). No caso a ciência vive constantemente nesta ignorância, contudo eles estão bem cientes disto o que faz com que ela não seja tão perigosa assim. A física por exemplo, com Newton, a física clássica, tínhamos conhecimento de uma parcela bem pequena de como funciona o universo, mas daí veio Einstein e mostrou com a teoria relativista que conhecíamos apenas uma parcela da física. A física clássica que conhecíamos não estava errada, mas era apenas uma parte da história, uma particularidade, não o todo. E hoje sabemos que mesmo a física moderna não é tudo. Há várias teorias contemporâneas ainda mais globais e genéricas que tentam englobar a teoria clássica e a relativista, sendo uma destas teorias a teoria das cordas, em que trabalha com diversas dimensões (17 eu acho), além das 4 aceitas hoje em dia (3 dimensões espaciais e 1 temporal).
Mas enfim, quando estamos cientes de nossa ignorância e queremos melhorar, ela não se torna mais um perigo e sim um motivador para irmos mais longe. Imagine se a ciência não compreendesse sua ignorância e até mesmo ter a maturidade de entender que conceitos sólidos e antigos podem estar errados, nem de perto teríamos acesso as tecnologias que temos hoje.
A ignorância de conhecer algo erroneamente é parecida com a parcial de certa forma, mas é como o próprio nome diz: é quando acreditamos ter a informação certa (parcial ou total), porém é uma informação falsa/errada. O problema maior dela é justamente de que acreditamos que temos uma informação verdadeira e confiável, pois se ao menos soubéssemos do erro, tínhamos a opção da segunda ignorância comentada (de saber de sua existência e não conhecer): ter a opção de correr atrás. Um exemplo: você acha que um silenciador de arma, realmente abafa o som do tiro de forma que ninguém no comodo ao lado ouça?
Lembro-me no ensino médio a desconstrução em minha mente que foi, descobrir que o coração simplesmente não pulsava se contraindo todo e depois se expandindo, mas sim que ele contraia sua parte superior [os átrios] enquanto relaxava a parte inferior [os ventrículos] e depois fazia o inverso, de forma alternada (não ele todo, como eu via nos desenhos animados).
E agora a pior ignorância de todas ao meu ver: a de não saber de sua existência. Quando a ignorância é tão grande que você não sabe que ignora. É esse tipo de ignorância que mais me aflige e que mais tento converter, no MÍNIMO no tipo saber de sua existência e não conhecer, pois se não sei de sua existência, nem cogitar sobre ela eu posso. Quando então será que minha imaginação poderá alcançar tais conceitos?
Você sabia os raios vão da nuvem para o solo, às vezes do solo para a nuvem e ainda às vezes da nuvem para a própria nuvem ou uma nuvem vizinha? Provavelmente sim, mas você sabia que pode acontecer de o raio subir da nuvem que está na troposfera para a mesosfera? São conhecido como raios sprites. São mais raros, pois é uma situação em que é mais difícil de se fechar o circuito [onde a corrente elétrica possa transitar], mas existe.
Você assisti Doramas? Sabe o que é um estereograma? Qual a diferença entre femismo e feminismo? O que é um esper? Sabia que uma mulher menstruando às vezes acha que só está precisando ir fazer cocô? O que você sabe sobre signo (me refiro a significante e significado)? Como se aplica Briot Ruffini para reduzir o grau de um polinômio? Você consegue reconhecer um pé de limão japonês na rua? O que é neuróbica? Já se perguntou se a disposição dos cabos de energia elétrica interferem nas perdas de transmissão? Qual a última tecnologia desenvolvida pela NASA? Você gosta de carne de rinoceronte? Tem um jogo que você adoraria jogar! Se você o conhecesse você o amaria, mas... não conhece.
Enfim, essa é a ignorância que mais me motiva, pois me pergunto quantas coisas ao meu redor que estão a minha frente e eu estou ignorando-as por não compreender sua existência. Essa é a mesma ignorância de quando você não conhece uma pessoa (de sua escola/faculdade/trabalho/vizinhança), mas daí um amigo em comum te apresenta a essa pessoa e você então começa a reconhecer e a encontrar aquela pessoa em vários lugares (pergunte-se: ou aquela pessoa sempre esteve perto de você ou ela readequou sua agenda pessoal para vocês se esbarrassem mais por aí). Você simplesmente não sabia de sua existência, mas assim que a tirou da ignorância, você soube reconhecê-la e pode até desenvolver uma amizade fantástica com ela. Agora se pergunte: quantas pessoas legais você não conhece, pois para você é apenas mais um na multidão de estranhos?
A inocência para mim é um tipo de ignorância, geralmente encontrada nos mais novos de idade, mas não sei se é um tipo de ignorância a parte (talvez seja meio forte chamar uma criança de ignorante, por isso preferimos esse "eufemismo" para protege-las de algo que elas não tem culpa...). Por exemplo, a inocência de acreditar em Papai Noel e Coelho da Páscoa é uma ignorância de conhecer erroneamente, mas também pode vir a ser de ilusão. A ignorância de sexo, dependendo da idade é de não saber de sua existência, mas também quando mais velho pode ser que ela só não tenha compreendido o todo ainda, devido a superproteção de alguns, de forma que ela só é ignorante de conhecer algo parcialmente, ela só precisará ligar os pontos.
Enfim, não sei. Como disse no começo essa é apenas uma teoriazinha que estava desenvolvendo para mim próprio, tanto que ela está numa forma muito rústica e com nomes muito toscos ainda.
Agora, um pouco mais de realidade e problemas atuais (de final de 2016): o problema da reforma do Ensino Médio. Um problema gravíssimo, uma vez que ele não é visto como um problema.
Pensando um pouco no nome das coisas: o Ensino Fundamental tem esse nome, pois consideramos conhecimentos fundamentais e essenciais para qualquer pessoa (o mínimo de educação), como saber ler, escrever e somar, por exemplo. Tempos depois disso o Ensino Médio e Ensino Superior. O Ensino Médio é aquele que abria seus horizontes para você engajar ou não num ramo específico, em um Ensino Superior, focado numa daquelas áreas do Ensino Médio (o que te traz até Metade do caminho; o ponto Médio). Bem, mas esse era o sistema antigo.
Isso tinha falhas? Bastante!
É obvio que um sistema genérico desses não ia abarcar todas as pessoas. Quem tinha mais apitadão prática ou quem não queria seguir uma vida de estudos em uma faculdade, já não se encaixava nesse sistema. Pense só uma pessoa que queria por a mão na massa ou tinha o dom para culinária, ou ser vendedor, ou cabeleireiro, ou confeiteiro, ou piloto, ou pedreiro etc. Esse sistema não os deixava seguir seu sonho muita das vezes. Faziam se acharem burros por não encaixarem no sistema. Marginalizava muitas profissões.
However, ao invés de procurarem resolver o problema, ampliando as possibilidades de ensino e tal, preferiram fuder com a porra toda para que atendesse minimamente o problema anterior, sem se preocuparem com aqueles que já estavam bem no sistema, de forma a deixar todo mundo que precisasse da educação com uma coisa meia-boca. (Simples: se um sistema está funcionando a muito tempo, por pior que ele seja, é porque tem uma boa parte dele que funciona! Por isso está aí a muito tempo. Se não funcionasse, pelo menos uma grande parte, não teria durado tantos anos. A questão é que muitos sistemas não se adequam e modernizam com o passar do tempo e com as novas realidades da sociedade.)
Novamente eles resolveram mudar o sistema educacional de cima para baixo. Parece que não entra na cabeça deste povo que precisa começar mudando na base. Mas vamos lá. Agora o estudante não mais "desperdiçará" tempo estudando para um monte de matérias (as matérias que eles não gostam). O estudante montará sua grade a acordo com sua afinidade, o que lhe permitirá se aprofundar e dar mais atenção no que ele realmente vai usar nada vida etc.
De acordo com o MEC haverá uma área de estudos comum que não poderá exceder metade da carga horária do aluno "e o restante do tempo será composto por diferentes ênfases nas áreas de conhecimento ou de atuação profissional: I – linguagens; II – matemática; III – ciências da natureza; IV – ciências humanas; V – formação técnica e profissional" que ficará a critério de cada escola, ao que parece (cada escola terá na "formação técnica e profissional" cursos diferentes).
Nossa, não sei nem por onde começar.
Primeiro, que as faculdades terão que readequar seus métodos de seleção para o ingresso no corpo de discentes, pois não poderá haver provas realmente desafiadora de todas as áreas, pois o aluno só saberá o básico, tendo menos da metade da carga horária nos assuntos "gerais". Logo precisa ter provas específicas para as ênfases escolhidas. Mas isso nem de longe é minha preocupação.
Minha preocupação é fazer crianças terem que escolher o que vão querer da vida com 13/14 anos mais ou menos. Se com 16/17 anos já me sentia muito novo para escolher o que fazer pelo resto da minha vida, tendo mudado de ideia umas 20 vezes no mínimo, imagina uma pessoa na pré-adolescência, toda confusa e sobre pressão, porque se ela já estiver certa que quer um curso técnico (o que é uma piada dizer sobre suas certezas na pré-adolescência), você terá que já procurar um colégio que terá aquilo que você almeja.
Se você faz uma pessoa escolher cedo demais, caso ela resolva mudar de ideia, em uma outra área de estudos, ela se sentirá totalmente desmotivada e sem preparo, pois ela não terá quase nenhuma base naquilo.
É loucura adiantar tanto uma escolha tão importante quanto sua futura profissão. Se nas faculdades as pessoas vivem mudando de curso, cada vez mais, em busca do curso certo para elas, pois, pirem, elas se equivocaram ao escolher seu curso com 17 anos de idade. Imagine essa nova geração neste sistema louco?
Mas sabe o que é pior? É este sistema trazer uma enorme geração para a ignorância "não saber de sua existência".
Como você não vê mais todos os assuntos e nem tem a possibilidade de montar uma grade para ver todos os assuntos (devido a choque nos horários), essas novas crianças deixarão de ter tantos conhecimentos gerais que elas mal saberão sobre coisas que podem empolgá-las a estudar ou não.
Talvez uma pessoa se apaixonasse por botânica ao ver o processo reprodutivo das plantas e das diferentes classificação de plantas, e também se encantasse com genética, mas ela não chegou a estudar coisas tão "aprofundadas" como essas, pois como ela tirava boas notas em matemática ela achou que seguiria uma carreira nas exatas.
Estamos criando verdadeiros escravos de um sistema, onde cada um só saberá fazer uma coisa, algo tão específico, que se ele precisar se inovar ou mudar de ramo conforme o mercado de trabalho, já era, desista. Ou sofra! Corra atrás! Ninguém mandou você se indeciso quando jovem. Isso de transferir responsabilidades tão grandes não seria um roubo da juventude? E novamente pergunto: como uma pessoa pode escolher sem experimentar várias coisas antes? Ela vai escolher só pelo o que ela ouviu 30 minutos em uma palestra?
Desculpem-me, mas achei essa uma reforma ridícula e que destruirá o Brasil de dentro para fora, mas não bruscamente, infelizmente, pois se fosse de forma brusca as pessoas conseguiriam ver o problema com clareza e tentaria consertá-lo..., mas teremos uma degradação gradual e lenta e jovens cada vez mais infelizes e depressivos.
Eu não sei se conseguiria sugerir algo melhor, mas se fosse para piorar eu não meteria a mão. O problema é que tentam imitar parte de sistemas complexos e já consolidado de outros países sem analisar direito nossa realidade e quais seriam seus impactos aqui.
Contudo eu tenho uma leve noção do que seria uma boa educação no meu conceito. Uma educação que formasse indivíduos diferenciados, pois só com a diversidade de pensamentos é que podemos construir um mundo melhor. E quem sabe, com mais diversidade teríamos mais tolerância com o diferente e com o novo e mais respeito uns com os outros.
No sistema atual, que chamarei de "antigo", só há aulas expositivas em grandes salas com mais de 40 alunos, o que é tratar todos como uma grande massa, em que todos aqueles indivíduos conseguem absorver o conteúdo de um aula, todos recebem a mesma educação indiferente de suas particularidades, uma verdadeira produção em massa de copiadores e decoradores. Com o "novo" sistema teremos apenas seres de capacidades específicas, em uma sala com ainda 40 alunos?! Pois no sistema antigo, era necessário várias salas para várias turmas em uma mesma série, mas agora com a divisão, as turmas específicas serão em uma quantidade menor, mas as aulas ainda serão para massas.
Minha solução de modelo ideal entretanto é inviável nesse mercado das instituições de ensino lucrativas. É simplesmente reduzir o número de alunos de uma turma a menos que 10 alunos.
Primeiramente acho extremamente importante que o aluno tenha contato, com um bom certo nível de profundidade (nada de superficialidades), mesmo que gradativamente a cada ano, no máximo possível de áreas de estudo. Segundamente, e mais importante, que cada aluno tenha um professor tutor, sendo que esse professor não pode tutorar mais que dez alunos, pois com até dez alunos o professor-tutor pode dar uma atenção especial a cada um deles, perceber suas particularidades e individualidades e tentar encaminhar seus estudos de forma direcionada.
Eu sei que isso da certo, pois vivenciei isso, com meu Clube do Livro com o Gustavo. O incrível desse método de tutor é que cada aluno sai da escola com uma educação completa, porém ainda sim diferenciada, pois elas recebem influências diretas de professores diferentes. Seria possível ter estudos direcionados para uma vida acadêmica, quanto para a vida em geral (ou pensando de forma mais "profissional", nas aulas de história, filosofia e sociologia, apesar de verem todo o essencial, cada tutor pode trazer certas ênfases mais interessantes...). Além de que pro professor seria ótimo, pois ele não precisaria apenas ficar se repetindo, dando uma mesma aula, todo semestre ou a mesma aula na mesma semana para diferentes turmas. Ele poderia se reciclar e se inovar sempre, trazendo novos conteúdos e novos jeitos de dar aula, que se adeque melhor ao seus tutorados. Aliás o método de aula, se expositiva, se de leitura e tirar dúvidas, se prática, ficaria a critério de cada tutor.
As provas, seriam interessantes se formuladas e aplicadas por uma bancada de professores, para ver se os alunos aprenderam o essencial de todas as áreas destinadas a serem estudadas naquele período. Seria interessante também haver reunião de grupos de estudantes de tutores diferentes para desenvolverem a dialética e discutirem temas diversos, para desenvolver o ponto crítico dos alunos e um grupo entrar em contato com os ensinamentos que o outro tutor transmitiu.
Imagine só, um aluno apto para a gastronomia ainda sim ser um ser pensante e que conhece e domina várias áreas do conhecimento. Uma pena que é inviável, pois não temos a cultura de respeitar professores, não temos a cultura de valorizar essa profissão (ao contrário, a gente marginaliza ela e deixa no mercado vários professores sem um pingo de didática por ai), não nos importamos realmente com a educação e deixaremos de fomentar um grande mercado de escolas particulares que lucram absurdamente com esse sistema de poucos professores para pagar e de muitos alunos para receber.
Acho que ficaria feliz de simplesmente haver diferentes tipos de escolas com diferentes tipos de ensino e não apenas várias escolas com um mesmo método, se diferenciando apenas em poucos detalhes.
Pensando bem, essa parte do texto não diz respeito ao propósito dele, mas aproveitando que já o escrevi, digo mais uma coisa de minhas vãs análises da História: aqueles que se sobrepunham e que mudaram o mundo, eram aqueles que tinham uma educação diferenciada, aqueles que conseguiam pensar além, diferente dos demais a sua volta...
Talvez eu seja muito utópico, pois nunca pensei aprofundadamente sobre o assunto, uma vez que mesmo que eu pensasse, as chances de minha ideia se aplicada neste país são negativas. Quem sabe, pensando um pouco mais eu encontre várias falhas de implementação. Não sei. Talvez eu atribua um pouco dessa culpa a meu pilar político.
Não me refiro a política do estilo House of Cards, de Senadores, Governadores, Prefeitos, Deputados et cetera, tanto porque sou todo perdido nas alianças políticas, dos golpes, das traições políticas, dos jogos de interesses e por aí vai. Política é um tema bem complicado e no que se refere a meu comportamento político em relação a economia, eu acho que sou meio liberal, não me importo muito qual o sistema econômico é adotado, pois acho que todos podem dar certo se bem gerenciados. Já nas questões sociais, creio ser bem de "esquerda", pois adoro uma mudança, adoro uma revoluçãozinha, mas o que mais busco e apoio mesmo é tolerância e respeito. E acho que nenhum extremo ou excesso seja bom (sei que 'nenhum' é uma palavra forte, mas já pensei muito sobre o assunto e não encontrei uma exceção para esse nenhum ainda). Precisamos saber ponderar também e até mesmo saber parar, quando alcançamos certos objetivos, pois se só expandirmos fronteiras sem tempo para nos fixarmos e nos estabilizarmos um pouco, não saberemos mais lidar e gerenciar os novos domínios, mas acomodar também na zona de conforto é que não podemos. É necessário o equilíbrio. O equilíbrio revolucionário ;)
Ahh, mas não me entendam mal. Não gosto de todos os tipo de mudança. Nem mesmo de todos os tipos de "evolução" (que é um tipo de mudança). Não gostaria de saber que meu câncer evoluiu. A verdade é que compro muito a ideia do equilíbrio neste universo entrópico.
A busca do equilíbrio no mundo entanto faz crescer tanto o lado bom, quanto o ruim e preciso saber conciliar isso dentro de mim. Como disse anteriormente: "Se quer a mudança no mundo, comece em você, por você. Sê a mudança quer quer ver no mundo.". Pois bem, tento ser, eu preciso ser esta famosa metamorfose ambulante de Raul Seixas, pois ao bem da verdade, enjoou muito rápido das coisas e para conviver comigo mesmo, tento sempre manter essa minha inconstância, sempre uma nova pessoa (e sem querer talvez eu tenha criado algumas personalidades... — até o momento tenho ciência de quatro dentro de mim; mas para minha sorte há harmonia entre nós). Talvez por isso não vejo meu pequeno problema de memória um real empecilho. Sem o esquecimento eu não poderia rever conceitos tão básicos, de verdade que ignoro por já achar sabe-los. Como por exemplo, porque a noite é escura? É uma verdade tão absoluta e empírica, porque desde que nascemos ela sempre foi escura, logo não pensamos em questionar isso. Não quando se esquece o motivo, até perceber que você nunca soube o motivo e que muitas coisas você só aceitou.
É verdade que qualquer ponto do céu que você apontar, por mais escuro e sem estrelas que ele pareça, há milhares de estrelas naquela direção (caso tenha um telescópio super potente, facilmente se verifica isso). Logo, como há estrelas em cada espacinho do céu noturno, não deveria ser o céu a noite todo claro por causa das estrelas? Nem que fosse um grande pisca-pisca fora de ordem?
Há uma explicação, claro. É que o universo está se expandindo, desde o Big Bang, e o brilho que as estrelas e planetas emitem, devido a tal movimento é distorcido, como acontece com as ondas sonoras no efeito doppler (aliás o efeito doppler é valido para quer tipo de onda, inclusive a luz, como é o caso), logo o brilho de muitos corpos celestes que estão se afastando de nós entram no espectro do infra-vermelho, logo não conseguímos enxergar, mas para alguns animais a noite é bem clara e iluminada.
Mas o esquecimento também muitas vezes me fez repensar conclusões que já havia chegado antes [por simplesmente não lembrar a que conclusão havia chegado]. Engraçado, pois na maioria das vezes ao achar uma solução para um problema e conseguia me lembrar da solução que tinha encontrado antes. às vezes batia, às vezes não.
Porém é só um lado do esquecimento, pois já passei por bastante constrangimento por ter esquecido algo, principalmente o nome ou a fisionomia de uma pessoa. Mas depois, analisando a mim mesmo, cheguei a uma conclusão sobre esses casos em específico (não que seja uma conclusão certa e verdadeira, mas ela me preenche em sua verdade [mesmo que parcial]):
Há basicamente dois motivos para não ser bom com nomes: O primeiro é que não me importo. Quando eu conheço alguém, o nome dela nada me importa, por justamente não conhecer ela, logo o nome dela não me significará nada. Enfim, até aquela pessoa começar a significar algo para mim...
O segundo motivo é que na maioria das vezes eu acho que o nome da pessoa não combina com ela. (São nomes que não foi eu quem dei. São nomes aleatórios que pessoas que não conheço deram para uma pessoa, sem mesmo conhecer ela. Dão nome para bebês! Você não conhece um recém nascido. Como estão pode nomeá-la?)
É por isso que acho muito diferente as perguntas "qual é seu nome" e "como você se chama" (para mim a primeira é genérica e a segunda é super pessoal).
Confesso que já tentei muitos nome a mim mesmo. Já me nomeei de diferentes formas, tentar achar algo que me significasse, pois apesar de atender prontamente se alguém chamar o nome Alisson, nunca senti que esse era meu verdeiro nome (nem mesmo na infância); agradeço até por ter tido tantos apelidos durante minha vida (um bom jeito também de captar um pequeno lampejo de como as pessoas te veem;). Além de que sempre tive a sensação de que esse não é meu corpo certo (engraçado, conviver mais de vinte anos num corpo que você não sente ser o você de fato, ser uma expressão física de sua consciência), apesar de obviamente estar super acostumado com ele, apesar de não saber usá-lo.
Acho isso muito louco na verdade. Vivo em um corpo que não sei usar. Mesmo sabendo algumas das capacidades do corpo humano. Assistindo um pouquinho de ginástica artística e parkour vemos que com um pouco de prática podemos dar mortais para frente ou para trás (sem uma cama elástica), pular grandes distâncias e suavizar o impacto de uma queda com cambalhotas, por exemplo, entre várias outras coisas que o corpo humano é capaz. Contudo mal consigo correr. Sempre quis aprender uma luta, praticar um esporte e aprender a tocar um instrumento musical, para alcançar pelo menos um pouco das potencialidades que meu corpo pode executar, além de acumular gordura e acnes... Essas são outras três metas minhas nesta vida.
Well then, acho que já temos o suficiente para a desilusão.
Talvez precise voltar no começo do texto para lembrar que tudo isso era para chegar na desilusão.
Sou obviamente alguém único nessa Terra, assim como cada um de nós (sei lá quantos seres vivos atualmente estão habitando o Planeta, mas em termos de seres humanos mais de 7 bilhões de individualidades). Contudo não sou um único ser, pois para cada pessoa que entrou em contato comigo, passei uma impressão diferente. Sou uma pessoa diferente para cada um dos outros trilhões de seres deste planeta. Até mesmo meus amigos mais próximos não possuem a mesma opinião sobre mim e isso falo com propriedade, pois para alguns deles eu entreguei uma lista com inúmeros adjetivos em ordem alfabética e pedi para eles circularem os adjetivos que combinassem comigo, que me descrevessem quem eu sou e pude ver o quão a divergência era grande (isso porque eram os meus mais próximos).
Eu definitivamente então sou um ser único e singular, assim como continuarei tendo sido após minha morte, pois o universo precisou passar por muita coisa para que enfim pudesse juntar seus átomos e me formar como ser que sou (ou quem sabe apenas mais uma peça do elaborado plano dos deuses); e sou definitivamente nada único e singular, uma vez que sou diferente a cada instante de tempo e na perspectiva de cada um.
E a desilusão está exatamente nisso. As pessoas criam conceitos sobre quem sou baseado naquilo que captam de informação sobre mim e ao dar mais informações sobre mim as pessoas acrescentaram e retiraram ideias a esse conceito, me moldam um pouquinho mais diferente em suas cabeças, de forma que desiludi muito de suas concepções sobre mim, pois muitas das vezes às pessoas preenchem lacunas assumindo certas verdades.
Meus pais por exemplo, como me criaram desde pequeno nunca me perguntaram coisas como minha religião, minha sexualidade, meu posicionamento político ou minhas preferências culturais, eles simplesmente assumem que sou cristão católico, sou hétero cisgênero, que não me interesso por política e gosto de livros (o que deu para sacar após montar uma biblioteca em casa e alguns clubes do livro), apesar de claro, talvez suspeitem que há algo de diferente (pelo menos espero haja no mínimo uma suspeita, apesar de achar que meu pai não sabe nem a data do meu aniversário rsrsrs). É verdade que eles conhecem muitos de meus hábitos e meu caráter, mas sinceramente pouco sabem do que penso, todavia até prefiro assim, não uma relação de amizade, mas uma relação familiar de pais e filho. E espero pelo menos que meu caráter e meu jeito de ser, que eles com certeza conhecem, não mude o que eles sentem por mim independente de minhas escolhas pessoais. E sinceramente, se importarem-se, não estou muito ligando não. O que meus dois pais já me mostraram nessa vida é que relações familiares não é um contrato assinado com sangue não. Relações existem e sem mantem enquanto houver respeito por ambas as partes. Quando a relação, familiar no caso, não mais funcionar (por qualquer motivo, como por causa de uma mentalidade conservadora, por exemplo) a gente se separa e seguem caminhos distintos de nossas vidas. Desculpem-me, mas sou desapegado mesmo, apesar de todo amor que recebo e recebi dentro de casa, pois não posso ser livre se ficar me agarrando as coisas.
Vejam portanto que como muitas informações são verdades assumidas por eles mesmos, informações como "sou feminista" é desiludi-los sobre quem eu sou para eles. Cada pecinha mais de informação é uma desilusão e a formação de uma nova.
Um verdadeiro criador de ilusões que adoro é o pilar da sexualidade, pois ele é cheio de preconceitos sobre o caráter de uma pessoa, logo quando essa é uma das primeira informações, muito é baseado e assumido em cima dos pré-conceitos que aquela pessoa traz com ela.
Cada pessoa tem seus próprios pré-conceitos e difícil saber como é a mente de cada um, mas de forma geral, as pessoas já ligam sua opção sexual a seu caráter sim, como, por exemplo, homossexual: então é extrovertido, animado, gosta de coisas coloridas e não é uma pessoa religiosa; bissexual: pessoa indecisa da vida, tem vergonha de se assumir; heterossexual: é provavelmente homofóbico; assexual: virjão, fracassado que não consegue pegar ninguém; não-conheço-sexual: pessoa carente que quer chamar a atenção sendo o diferentão.
É triste isso, das pessoas ligarem as opções sexuais a caráter, pois uma coisa nada tem a ver com a outra. O que tem a ver, por exemplo, se uma pessoa é caridosa, de gostar de doar dinheiro a mendigos e pessoas carentes, ser racista e ser cantor de axé com ele ser gay? O que tem a ver uma pessoa gostar de sair, ir para balada, ser viciada em vídeo-games, ser espírita, gostar de contar piada, ser contra o aborto e ser bissexual? Ou hétero? Ou a?
Não tem nada a ver!!! Tanto que você pode conhecer (e conhece) várias pessoas sem saber sua orientação sexual e você escolheu fazer amizade com elas e se interagir com elas sem perguntar do que ela gosta na hora do sexo (algo tão normal do ser humano).
Esse pilar entretanto para mim não é um pilar forte, pois ainda estou me descobrindo nele e nesse lado da vida. Mas posso desiludi-los um pouco mais sobre mim:
A princípio achei que era hétero, como quase todos nós. Depois questionei-me se seria homo. Então me dei conta de que podia ser bi na verdade. Voltei atrás muitas vezes pensando se não era apenas um homo que não queria se assumir, mas entendi que era bi mesmo. Cogitei ser a, por não conseguir me apaixonar e sentir amor e ter um pouco de dificuldade de entender esses sentimentos. Mas após pesquisar um pouco entendi que como eu sentia atração, não poderia ser a e cheguei no conceito de pan. Eu meio que repudiava o conceito de pansexual, porque achava que englobava sexo com animais e com cadáveres, porém pelo o que entendi pan na verdade diz respeito a um tipo de bissexualidade um pouco mais amplo, pois uma vez que bi sente atração no masculino e feminino, o pan sente tesão também em todos os gêneros, incluindo todos o espectro daqueles entre o masculino e o feminino, como os não-binários. Entendi então que eu era possivelmente pansexual, pois gostava de humanos (assim como os odeio também) não importando se são cis ou trans.
Eis então que achando estar resolvido pelo menos em terminologia quanto minha sexualidade me deparo com os termos sapiossexual e demissexual. Novamente me senti perdido, mas após pesquisar um pouco mais, me senti tanto dentro da demissexualidade que atualmente é onde está sustentado meu pilar.
Meu pilar identidade sexual em resumo é cisgenero demissexual, que é como me sinto melhor representado.
Entretanto de modo geral, apresento-me como pan (na verdade como bi, pois é um termo mais conhecido). Confesso aqui porém, no meu compromisso comigo mesmo com a verdade e o mínimo de omissões, que ainda sou virgem, apesar disso ser extremamente embaraçoso para mim, principalmente por causa de minha idade. Devo dizer que tenho interesse em experimentar, mas ao mesmo tempo não tenho tanta curiosidade assim, afim de correr atrás e raramente consigo perceber qualquer tipo de indireta relacionado a assuntos mais íntimos. Possivelmente se não fosse por iniciativa de uma garota durante um cinema eu continuaria sendo BV...
*Engraçado, a essa parte do texto esperava não me sentir tão exposto ao relatar isso, pois considerava a parte sobre minhas loucuras tão mais íntimas. Assumir ser virgem pesar mais que um praticante wicca esquizofrênico que convive com várias personalidades dentro de si é no mínimo curioso para mim mesmo.*
Nenhum final é perfeito, porque somos seres tolos que criam expectativas.
Começo então a encerrar esse longo texto aqui, explicando o motivo de sua existência. Por que afinal escrevi esse texto todo? Qual plano falhou afinal?
Os propósitos desse texto foram múltiplos, logo revelarei só alguns, pois ainda pretendo manter meus segredos comigo mesmo, porque apesar de parecer que alguns de meus segredos foram expostos aqui, na verdade só respondi perguntas nunca perguntadas e em alguns casos respondi perguntas evitadas, pois não me sinto obrigado a responder qualquer pessoa sobre qualquer tema (há perguntas que só respondo a algumas pessoas — uma informação minha pode muito bem ser segredo para um amigo e para outro ser algo totalmente casual; mas em geral só foram respostas de perguntas não feitas ou um pouco mais completas que minhas usuais respostas simples, pois respostas grandes geram monólogos e não diálogos).
Alguns dos motivos pelos quais escrevi, foi autoconhecimento, pois pude colocar certos pensamentos de uma forma linear ao colocá-los em palavra escrita. Foi também uma tola mensagem para mim do futuro, pois gostaria de ter alguma base de comparação sobre o quanto meus pensamentos mudaram, pois mudo de ideia a cada instante, inclusive um dos motivos de minha preguiça de revisar textos antes de publicá-los, pois ao finalizar o texto já me contradigo com o que escrevi no começo e já não concordo comigo mesmo, de modo que as revisões são intermináveis, em que quero mudar cada sentença a cada (re)leitura. Ainda mais esse texto grande, que nem sei se consegui passar alguma ideia clara ou se repeti vários pensamentos em várias etapas, além de ter deixado mil outros pensamentos, que acho que me definem, de fora. Contudo vou me comprometer a revisar esse texto, pois deve haver erros de português grotescos (inclusive, podem marcar as faltas de concordância que encontrar, que eu arrumo depois). Só não garanto a voz do texto, pois havia momentos que estava escrevendo unicamente para mim, em outros estava escrevendo para uma pessoa imaginária, em outras ocasiões para um desconhecido: o meu eu do futuro e em outros momentos para o mundo, para todos! Então haverá partes em que o interlocutor estará no singular e outras no plural e não sei se terei saco para corrigir todo o texto neste quesito...
Mas esse texto para meu eu do futuro é para conseguir medir também o quanto mudei e o quanto melhorei, pois por exemplo não consigo ser tão eclético e aceitar muitas faces culturais quanto gostaria, principalmente no quesito música. Como eu queria ser eclético e gostar de todo o tipo de música, porém eu quero morrer toda vez em que sou obrigado a ouvir um sertanejo ou um arrocha (e vários outros estilos de música)... Não sei se é trauma ou o que, pois minha infância foi ouvindo modão (que atualmente odeio!!). Entretanto Funk que eu não gostava, hoje já tolero bem mais. Samba... depende do tipo de samba...
Enfim, minha única certeza é que sou do Rock e do Erudito, mas estamos aí para expandir nossos horizontes, não?
Espero que esse texto também sirva para mim, caso algum dia eu bata a cabeça por aí e esqueça quem eu sou. Minha esperança é que eu tenha pelo menos a decência de pesquisar meu próprio nome no Google, mas somente após um ano ou dois, pois assim eu poderia construir toda uma nova personalidade sem influência das anteriores e quem sabe até fazer e gostar de coisas que atualmente não gostaria e ainda depois ter que lidar com o dilema de levar a vida como era antes da amnésia ou depois, ou quem sabe uma terceira opção.
Contudo os dois principais motivos deste texto foi o desenvolvimento de um hábito e ter um texto base de inspiração. Como estudante de "exatas" escrevo muito pouco literariamente, logo não tenho o hábito de escrever, muito menos literariamente, portanto eu precisava criar esse hábito, por isso decidi começar com algo simples e que eu tivesse amplo domínio e não precisasse ficar fazendo pausas para pesquisas, apenas me concentrar em escrever de forma periódico, por isso então resolvi escrever sobre o que mais conhecia: minha própria vida.
Stephen King porém foi a inspiração também para esse texto, pois em seus livros, principalmente em A Torre Negra, no decorrer da narrativa eu conseguia captar cada passagem da vida do autor e o quanto da vida dele estava entremeada àquela narrativa fictícia, logo resolvi trazer a superfície o que aconteceria somente inconscientemente (mas que ocorreria de qualquer forma), que é basear meus escritos em experiencias minhas e em coisas que já li, vivi ou presenciei. Logo esse longo texto será minha base e meu plano de fundo de onde tirarei inspirações para fazer surgir novos textos. Digamos ser um prelúdio ;)
Já meus planos, falharam rudemente, pois como blog de intercambista, ele não está sendo feito nem durante meu intercâmbio e nem sobre ele (mal falei de meu intercâmbio na verdade). Também não segui e nem seguirei mais o que eu mesmo tinha proposto (no texto anterior) para esse blog. Não pretendo mais escrever uma história em vários idiomas, pois acho que não tenho competência para isso no momento (iludi-me demais neste ponto de que talvez eu conseguisse) e nem estou certo se será uma grande história ou apenas vários contos. Deixarei os ventos me levarem, portanto não há promessas nem compromissos. Valerei-me qualquer coisa de meus escudos: não escrevo com regularidade, por causa de minha vida acadêmica; escrevo mal, pois sou de exatas; etc.
Particularmente gosto dessas falácias, pois elas são amplamente aceitas sem questionamento devido aos (reais) estereótipos.
Bem, era isso... Mas antes do ponto final, alguns lembretes: não são os opostos que se atraem, mas sim os complementares; Sim! Tema o que limita e padroniza!; e de minhas aulas de Cálculo: "Alisson, qual é o próximo passo?".
Vou começar pelo mais simples e óbvio, pois eu acredito fielmente que a base é o mais importante. Ter uma base boa, forte e bem estruturada, te permite muito mais do que um profundo conhecimento de coisas complexas e elaboradas, tanto porque as coisas complicadas são só uma junção de coisas simples e acho que a questão é conseguir enxergar essas coisas simples nas coisas complicadas, até que elas se tornem naturais para você. De forma que se você ainda vê algo como complexo, é porque você não foi capaz de ver sua simplicidade. É como um enigma, que lhe parece complexo e insolúvel até saber a resposta, que se encaixa tão perfeitamente bem e deixa cada sentença clara.
E porque não há nada pior do que deixar lhe escapar o óbvio.
Permitam-me a partir daqui ser indireto e dar uma pequena volta, para esclarecer a "desilusão", porque apesar da explicação ser simples, não vai significar o que quero que signifique, sem a devida (sutil) perspectiva.
Em algum momento da vida, todos passamos por questões existenciais, que por isso são consideradas as perguntas mais velhas do mundo: "quem sou eu?", "qual o motivo de minha existência?", "o que devo fazer da minha vida?", "pra que nascer se vou morrer?", "qual o sentido de tudo isto?", ...
Essas questões e suas variantes são tão comuns e todos conhecemos-as tão bem, que nem preciso me delongar nelas para lhes passar a ideia do que quero dizer.
Contudo é a partir dessas perguntas, que vemos a necessidade de estabelecer alguns pilares em nossas vidas. Para sustentar nosso caráter e nos afastar dessa depressão, de forma que possamos viver sem pensar muito nisso. Logo, se você quiser conhecer um pouco sobre alguém, pergunte sobre seus pilares, e se quiser abalá-la, ataque esses mesmos pilares.
Basicamente aqui falarei dos pilares "religião", "política" e "identidade sexual". [mais a frente]
Devo dizer contudo, que seguir a vida "sem pensar muito nisso" não é o meu estilo, por isso tentei resolver o melhor que pude essas questões para mim. Primeiro estabelecia minha crença religiosa e disso formulei um objetivo para minha vida. Um objetivo realizável e por onde eu gostaria de guiar minha vida. E o melhor, um objetivo que mesmo que eu o alcance (o que quero muito!), ele ainda continuará a ser meu eterno objetivo. [Não me depararei com: "Ok! Eu já cumpri o objetivo que tracei para minha vida, vou ali me suicidar agora."] (← eu sei, dramático, mas o mais comum "Consegui fazer o que queria em vida, agora posso morrer em paz / viver o resto da minha vida tranquilamente" também não é para mim).
Acho importante que cada pessoa tenha grandes metas para realizarem. E a minha é "mudar o mundo de um modo significativo". Talvez soe tolice, mas este texto inteiro deve soar assim, porque talvez eu seja uma pessoa tola, mas é exatamente esse único objetivo que me faz levantar da cama todos os dias e seguir minha vida. É o que me faz ir para frente e eu demorei um bom tempo em reflexões, para decidir isso. Assim como tive que experimentar várias religiões antes de descobrir qual a minha. Por isso hoje sei o que quero.
Bem, esse é meu objetivo final, mas para alcançá-lo procuro realizar algumas metas intermediárias, pois há infinitos caminhos possíveis para seguir até chegar ao destino final, e decidi que quero aproveitar o caminho até lá, ao invés de me satisfazer só quando chegar onde quero chegar. O caminho faz toda a diferença! Assim como um livro sensacional com um final ruim, merece ser lido. Aliás, somos todos histórias no final, e nós ainda não sabemos nosso final, mesmo assim você não gostaria de ler a história da sua própria vida? Mesmo que o final seja ruim? Com uma morte abrupta e sem graça, por exemplo...(?)
No atual momento de redação deste texto, estou vivenciando uma leve crise, pois não sei meu próximo passo (o próximo plano intermediário).
Para que entendam melhor, vou relatar meus planos até aqui, que, por sorte talvez, consegui alcançar todos com sucesso. :D [e para isso, precisarei contextualizar um pouco — provavelmente será a parte mais chata do texto]
Primeiramente segui a vida que meus pais planejaram para mim, claro, pois não tinha nenhuma consciência direito e nem maturidade para decidir as coisas por mim mesmo, mas o plano era basicamente "vá estudar" ('quem sabe no futuro, arranja um emprego, fica rico e sustenta bem os pais' ← não sei se é verdade, mas é uma ótima suposição).
Ao chegar no meu último ano do ensino fundamental me deparei com um pirata (na verdade não sei ao certo se já naquela época ele já era um pirata, mas) que foi um verdadeiro "catalizador" para mim [comentarei mais a frente]. Foi no ensino médio que resolvi avaliar minha vida (aos 14 anos de idade +/-). Só de fato aos 15 consegui me esclarecer religiosamente e foi quando meus próprios planos começaram a ser formulados.
Devo abrir mais um parênteses aqui para dizer que o ensino médio foi um dos melhores momentos da minha vida, pelo simples fato de eu estar sendo bombardeado de conhecimentos variados (e novos para mim), de todos os lados possíveis. Eu tinha uns 20 professores, ou mais. E receber aquela quantidade de informações era maravilhoso para mim. Aquele sentimento de preenchimento e afugentamento das ignorâncias que eu nem mesmo sonhava ter. Infelizmente só era estragado, por um professor de Biologia que eu odiava (mas não a matéria), e com o alto stress de muitas provas e da pressão psicológica de "passar no vestibular". A vida do terceiro ano era basicamente VOCÊS TÊM QUE PASSAR NO VESTIBULAR! Mas tirando isso, foi fantástico!
Logo o primeiro plano foi "passar no vestibular". Óbvio, eu sei. Mas, por favor, não subestime o óbvio! O problema: para qual curso? Eu simplesmente amava todas as matérias. Todas! Porém tive que optar por alguma coisa. Escolhi um curso em cada área para começar. Humanas: Ciências Sociais. Exatas: Engenharia Mecânica. Biológicas: Biotecnologia.
Foi aí que elaborei meu segundo plano: Intercâmbio!
Eu sabia que era jovem de mais para escolher algo tão importante e que não tive tempo direito para pensar no que eu realmente queria devido as pressões ao meu redor e ao pouco tempo que tinha para mim mesmo devido aquele estresse de provas, obrigações e tal. Então decidi: "preciso de um tempo para mim mesmo. Farei um intercâmbio, onde poderei pensar com tranquilidade. E ainda atendo as expectativas ao meu redor (continuarei 'estudando')". Logo me decidi pelo curso que tinha maiores chances de arranjar um intercâmbio de forma relativamente fácil (pois todos tinham chances). E por isso optei por exatas. Engenharia Mecânica!
Mas...
Fracassei!
Não passei no vestibular que eu queria (UFG no caso).
No meio do ano prestei vestibular novamente na UFG, mas para Engenharia Elétrica, porque não tinha para Engenharia Mecânica no meio do ano. Mais para treinar mesmo. E passei! Contudo nem liguei muito, pois era só para treinar e tal. Mas o destino e/ou o acaso resolveu atuar. E as inscrições para os aprovados no vestibular foi adiada (devido a uma greve) e tive bastante tempo para reconsiderar e reavaliar minhas opções. Resolvi então aceitar o desafio!
Um resumo dos pensamentos foi: os dois cursos são Engenharia, então vou pegar a Elétrica mesmo, que já vou estudando a base, que todas as engenharias estudam mesmo (Cálculo, Álgebra, Física, etc.), e depois eu peço transferência de curso, que é mais tranquilo que enfrentar o vestibular de novo, e já aproveito as matérias cursadas. Além de que posso explorar um pouco o mundo da Elétrica e descobrir se me agrada, já que não estava tão certo quanto a escolha do curso mesmo. Na verdade, eu escolhi inicialmente Engenharia Mecânica porque Mecânica era a física que mais tinha gostado de estudar no ensino médio. E em todo o caso, independente do curso escolhido, estava dentro dos meus planos.
Várias coisas aconteceram, permaneci na Elétrica e quando consegui o mínimo necessário para conseguir uma bolsa de intercâmbio, preparei todo o processo para ir.
Ir para onde?
Posso dizer que eu tinha bastante opções. De novo várias opções a minha frente. Mas fiquei com a Alemanha. Há várias versões que costumo contar quando justifico o motivo de minha escolha, e todas são verdadeiras, então aqui vai duas delas.
1. Eu simplesmente quis. Senti que precisava ir para a Alemanha. (a explicações geralmente para por aqui, mas devo acrescentar que sou levemente intuitivo comigo mesmo, pois apesar de não ter abordado o assunto ainda, eu me esqueço muito facilmente das coisas, mas trabalho muito bem em conjunto com meu inconsciente e sei reconhecer quando ele quer se manifestar (na maioria das vezes), e geralmente é por meio do que chamo "intuição". Eu posso comer uma coisa ruim e não lembrar depois de 5 ou 10 anos se gosto ou não daquilo, mas sinto intuitivamente que não é para eu comer aquilo quando me deparo com o alimento. Talvez um péssimo exemplo e talvez não seja a definição real de intuição, mas é como funciona para mim. E nessa escolha, minha intuição me disse que devia ser Alemanha).
2. Vou colocar abaixo um trecho de conversa que tive com uma amiga (não vou nem adaptar, é linguagem abreviada mesmo, vai ser ctrl+c e ctrl+v):
"
basicamente eu queria fazer um intercâmbio pra conhecer um pouco o mundo, outras culturas, pensar um pouco na vida de forma que não aparente que estou vagabundando sem fazer nada (mas só aparente!) [adoro como a sociedade pensa!]
e então depois do intercâmbio decidir no que realmente queria seguir na vida
trocar de curso, continuar, etc.
[...]
Desde de que entrei na UFG eu sabia que queria fazer intercâmbio, e no momento estava em alta o Ciências sem Fronteiras. Um programa fantástico que abria portas para muitos países do mundo.
Entre todas as possibilidades, eu quis algum na Europa, para que nos tempos livros (férias e feriados) eu pudesse conhecer um pouquinho de cada canto, de um lugar que trás tantas histórias com sua idade
Me focando na Europa, concentrei-me no ocidente. Talvez por pensar no esteriótipo dos países do leste europeu, mas não tenho muita certeza do motivo mesmo.
Após essas muitas restrições, eu tinha a meu dispor os idiomas: português, espanhol, italiano, inglês, francês e alemão (sim, há outras línguas, eu sei)
Como eu queria aproveitar ao máximo meu intercâmbio, aprendendo um novo idioma, para aprender uma nova perspectiva, um novo modo de pensar, já descartei o português e o espanhol, por serem bem parecidos.
e pensei, idiomas latinos são bem similares, seria mais fácil para eu aprender
e então pensei: fácil de mais até
e entre o inglês e o alemão, que me sobrou
pensei: o inglês é super importante! precisarei dele para minha vida e minha carreira, seja lá qual eu escolha
e por isso escolhi o alemão
[...]
mas meu raciocínio foi justamente este, pois o inglês eu já tinha uma base bacana (só uma base!)
e como eu sei que vou precisar dele com toda certeza no meu futuro, sei que de um jeito ou de outro vou aprender.
Já o alemão não. Se eu não me força-se neste momento a estudar alemão, eu poderia passar o resto da minha vida sem ter conhecido (ter tentado aprendê-lo)
Resumindo (...): Queria aprender um idioma novo, além do inglês. Queria um desafio na minha vida. Escolhi estudar um outro idioma para ganhar novas perspectivas em minha vida.
E pra ficar bonito, que o povo gosta: Porque é um idioma extremamente necessário para a carreira que quero seguir (ou: para o ramo de conhecimento que almejo).
"Devo dizer que fiz mais ou menos esse mesmo tipo de decisão ao optar por Inglês ou Espanhol no meu ensino médio, pois no vestibular da UFG você podia optar por um ou por outro. Eu optei por inglês, por não saber nada e como aquele (meio que era) meu futuro (quase certo), eu decidi me forçar.
Essas loucuras de me arriscar em algo tão decisivo sem saber praticamente nada de nada é seguindo uma crença que as pessoas já não levam tanto a sério, por ter se tornado ditado popular, mas eu realmente acredito que "a necessidade faz o homem", pelo menos no sentido de que quando preciso fazer algo e não tenho motivação suficiente, tento fazer desse algo uma necessidade, para que eu possa seguir motivado. Percebam que em ambos os casos eram decisões sem volta. Não dava para passar um ano estudando inglês e falar "acho melhor pegar espanhol", porque não dava, já que não tinha como acompanhar a outra turma mais. Talvez isso não faça tanto sentido, se não conhecerem o sistema do meu colégio, mas acho que fica mais claro o exemplo de chegar na Alemanha e falar "acho que alemão foi uma péssima ideia, vou começar a estudar francês" (dificilmente eu sobreviveria na Alemanha falando só francês rsrsrs)
Acho que está claro também que me coloco em zonas de desconforto também, para progredir... [mas zonas de desconforto bem selecionadas ;) ]
Fui para a Alemanha! Fiquei um ano e meio fora!
Várias coisas fantásticas ocorreram nesse meio tempo!
Aprendi de um modo diferente sobre várias coisas. Aprendi através de conversas e vivencias ao invés de leituras e sala de aula. Encantei-me várias vezes. Respirei diferentes culturas. Surpreendi-me e deslumbrei-me. Abri-me para novas perspectivas! Descobri um novo jeito de pensar: tive certo exito em aprender alemão.
— Mas eae, conseguiu fazer o que queria fazer em seu intercâmbio?
Não!
Em partes na verdade. Tive um tempo para me desligar da pressão acadêmica, aprendi um novo idioma e visitei parte do velho-mundo, mas meu objetivo de (re)avaliar minha vida e meu curso não ocorreu.
Foi bem ao fim do intercâmbio mesmo, quando já estava quase voltando ao Brasil que refleti "é hora de tomar uma decisão". E eu vi que eu já estava onde devia estar, fazendo as coisas que eu devia fazer, seguindo um sonho tão primário, que já não estava levando-o em conta: Eu queria ser um inventor.
A simplicidade e genericidade dessa frase diz quase tudo. Era um sonho de infância. Sempre quis criar! Reinventar! Descobrir! E por algum motivo nunca gostei da ideia de herói e nem de super-herói. Aqueles acessórios para crianças do universo Marvel e DC sempre me passavam uma sensação de ridículo, que nunca me fez gostar. Nem as histórias eram tão legais ao meu ver. Assim como a ideia de querer ser policial ou bombeiro nunca combinou comigo. Astronauta sim, mas ser inventor para mim era tão legal quanto um cientista.
Porém como sempre acontece quando crescemos e somos tragado pelo mundo da sociedade e passamos a ter que focar em nossas responsabilidades: esquecemos desses sonhos infantis. Mas claro que com o passar do tempo, nossas projeções de futuro continuam, só que se adequando a profissões palpáveis (e me lembro até que já quis ser ator, advogado e professor). Até chegar ao ensino médio e eu me imaginar em cada profissão possível rsrsrs.
Então olhei para todo o universo da Engenharia Elétrica e me deparei com um curso aberto a tantas possibilidades de coisas tão legais e tão ligadas a tudo, uma vez que somos tão dependente da eletricidade hoje em dia, que vi que esse era o curso mais próximo de "inventor" que eu poderia ter chegado e era por onde talvez eu poderia cumprir meu objetivo maior: mudar o mundo. Por que não mudá-lo com uma invenção? Uma tecnologia nova, um novo equipamento ou aprimoramento de algo já existente...?
Mas daí voltei a minha vida acadêmica regular naquele ambiente sem vida e de pessoas cansadas. Alunos cansados da vida acadêmica e professores cansados de dar a mesma aula todo santo semestre. Todos alimentando o ciclo da tristeza, em que os alunos ficam estressados com os professores que já estão dando uma aula ruim e os professores se estressando com os alunos por não conseguirem mais demonstrar interesse nesse universo de provas, trabalhos e notas.
Meu novo objetivo então passou a ser: descobrir qual área do meu curso eu gostaria de trabalhar na prática.
É onde nesta história em que me encontro. Mas não gostei desse meu último objetivo. É um objetivo nada objetivo. É genérico demais e não me dá um rumo concreto. E porque não quero parar de estudar ou me focar só em uma área. Gostaria de continuar explorando o mundo do conhecimento. Não quero só viver nas "exatas", ainda mais quando minha alma também está no mundo das "humanas" e com um pezinho nas "biológicas" (só um pezinho mesmo, pois tenho horror a área de "saúde").
Em suma meu objetivos menores foram: Estudar e eliminar as ignorâncias mais fundamentais e médias; Passar no vestibular; Conseguir uma bolsa de intercâmbio; Aprender um idioma diferente, viajar e explorar; Decidir que curso superior cursar; Descobrir onde e como quero atuar no mercado de trabalho (objetivo que ainda estou reavaliando, o que é estranho, pois os outros objetivos me vieram de forma tão natural e clara e me surgiam uns 2, 3 anos antes de eu ter a capacidade de alcançá-los... ← daí a crise atual).
Todas essas metas foram elaboradas visando minha grande meta final, mas também de uma forma realista, de modo a ficar longe, mas não distante o suficiente que eu não pudesse batalhar para alcançar. Porém ainda assim, pontos de apoio. Como pequenos planos preparatórios para a execução do plano final. Ou execução de vários grandes planos, pois é óbvio, que mesmo após alcançar meu objetivo de mudar o mundo de forma significativa, eu posso continuar nele até minha morte (e quem sabe, depois dela). Aliás, esse foi um dos motivos por ter escolhido esse meu objetivo de vida.
Talvez você tenha se perguntado "Por que não 'mudar o mundo para melhor'?". Ou ainda, "Se este é seu objetivo final, para que mudar um local se não vai usufruir dele? No final você estará morto mesmo. Não estará por aqui." ou quem sabe ainda ter refletido "Então você só quer ser famoso. Mesmo que no seu pós-morte.". Tentarei responder essas questões:
Bem, as pessoas mudam, então nenhuma resposta é definitiva, mas de forma geral não quero ser famoso em vida (reconhecido por um grupo seleto talvez, mas não famoso). Eu não saberia lidar com isso. Gosto do anonimato, de passar desapercebido e ser subestimado, porque quando sei que não estou sendo observado eu posso errar tranquilamente e se me estimam ou superestimam, começam a criar expectativas em cima de mim. Se você passa desapercebido e é subestimado, melhor, para você ser quem é livremente, e se errar, ninguém vai se importar muito [não era esperado, mas também não era inesperado], mas se você fizer algo interessante, você quebra as expectativas de uma for positiva, você surpreende. (É minha zona de conforto)
Outro motivo também é que não gosto de fazer a mesma coisa mais de duas vezes. E ter que cumprimentar várias pessoas, porque elas me reconhecem, é extremamente chato. Devíamos ter um amplo leque de cumprimentos, para não termos que ficar nos repetindo. E as pessoas podiam nos cumprimentar ou acenar apenas se fosse nos dedicar naquele instante, pelo menos mais que 30 segundos. E não ter que cumprimentar cada pessoa conhecida ao cruzarmos com elas nos corredores ("por educação"). Contudo, não vou negar que ser famoso em meu pós-morte não me chatearia. Acho até que me agrada essa ideia, mas não me demorarei pensando nisso agora.
Eu não quero mudar o mundo para "melhor", pois acho que "melhor" e "pior" é tão relativo quanto "bem" e "mal" e é uma questão de perspectiva. E seguir minha perspectiva é seguir minha ética, seguir aquilo que acredito, o que é algo totalmente questionável. Vou pegar por exemplo Adolf Hitler. Ele foi um cara que mudou o mundo, fazendo aquilo que achava ser certo. Suponho que na cabeça dele ele estava purificando e melhorando a humanidade. Ele mudou o mundo de uma forma significativa! Os métodos dele foram cruéis e devido a segunda guerra mundial que ele causou o mundo avançou muito. Eu diria que Hitler foi um catalisador. Tecnologias, como a computação, para quebrar códigos encriptados e a internet, para comunicação, ganharam força e se desenvolveram nessa época. Nunca os "direitos humanos" progrediram tanto, onde foram tão revistos e reavaliados, pós-segunda guerra mundial. Os direitos das mulheres na sociedade machista só começaram a ser questionado com força e em massa após as guerras mundiais (onde as mulheres encontraram a liberdade ao movimentarem as cidades e economias do mundo, sem a repressão das normas sociais que privilegiavam os homens, umas vezes que estes estavam nos campos de batalha). A atrocidade da guerra foi tão grande que até mesmo religiões foram questionadas. Entre várias e várias coisas. Basicamente cada estrutura da vida cotidiana foi revista, tão grande foi a descompensação e o abalo que Hitler causou na história.
Um outro exemplo que pegarei é a descoberta científica que proporcionou a construção da bomba atômica, que já matou milhares (quiçá, milhões) e ainda dá muita dor de cabeça. Essa mesma descoberta, ajudou muito a entender melhor o universo e a criar novas tecnologias, que a humanidade se beneficia. Novamente nos deparamos: essa foi uma boa descoberta? Foi algo que de fato mudou o mundo.
Ou melhor ainda: as tecnologias derivas das revoluções industriais, que tanto te beneficiam hoje, mas que está matando o planeta, são boas ou ruins?
Por tanto não quero fazer algo bom nem ruim. Farei aquilo que acreditar que devo fazer. Farei aquilo que quero fazer. Aquilo que eu gostaria que acontecesse. O que achar ser uma coisa boa. Afinal, ninguém saí impune do julgamento dos outros. Até mesmo o guia mais espiritual que dedicar sua vida para fazer o bem, não estará livre de comentários maldosos e de visões e perspectivas que o condenem.
E por que quero deixar um legado? Pois acredito que este é o caminho da humanidade. É o motivo de nossa existência. O propósito maior o qual buscamos. Eu acredito que a humanidade está criando algo. Algo grandioso. E estamos passando por uma crise, este momento.
Vou clarificar esse ponto, pelo meu ponto de vista, mais a frente em um discorrimento sobre a criação. Mas a crise a qual me refiro é justamente o ponto crítico de insustentabilidade que a humanidade está alcançando. Após a Revolução Industrial a população humana mundial aumentou tanto e de uma forma tão rápida, que por si só, esse fato é extremamente preocupante, porém para piorar, essa nova população numerosa tem hábitos consumistas exagerados, de tal forma que em pouco tempo (questão de poucas décadas), conseguimos reduzir drasticamente os recursos aproveitáveis do nosso planeta a uma quantidade tão crítica (em um tempo que nem mesmo o complexo sistema dinâmico do planeta não consegue renovar em tempo hábil neste padrão social), que estamos colocando tudo a perder, nos colocando em um processo de risco de extinção artificial criado por nós mesmos. Graças a alguns ambientalistas, começou-se a criar uma noção coletiva de sustentabilidade, porém muito pouco ainda está sendo feito para compensar nosso modo burro de viver e conviver neste mundo. Sem nos autodestruirmos e a vida que nos é próxima.
Mas, do que estávamos falando mesmo, antes disso tudo??
Ahh sim, a desilusão!
Porém não posso prosseguir ainda nisso, pois nem todas as peças foram fornecidas ainda.
Guiarei-os então pelo meu primeiro pilar: a religião!
Para isso, devo fazer uma declaração, que já a fiz neste blog, mas preciso refazê-la: sou louco! Mas devo acrescentar: sei não ser louco! Por que aliás o que é a loucura?
Tentarei elucidar este ponto, mas não sou nenhum especialista e nem tenho fatos com fontes para dar-lhes precisão no momento. Só contarei com minha débil memória de coisas que internalizei durante a vida. E para isso devo citar o momento de maior impacto dessas coisas que internalizei. Momento(s) esse(s) que devo dedicar a um pirata: Gustavo Brito — capitão do The Rising Sun.
No último ano do ensino fundamental (9º ano), eu tive professores novos, devido a minha troca de colégio. Sem saber, um professor de literatura também estava ingressando no colégio naquele mesmo ano, e nos encontraríamos em sala de aula.
Esse professor contudo, era bem diferente dos demais. Além do seu caráter e seu pedido de redações semanais com no mínimo 40 linhas, ele foi o único que abria um livro literário e começava a ler em voz alta para gente. Não eram os chatos textos didáticos dos livros de português e nem reportagens tendenciosas, era simplesmente literatura. E quando menos percebíamos, tínhamos aprendido algo (da "ementa").
Com certeza não era um método muito ortodoxo, mas esse não foi seu real diferencial que me fez citá-lo aqui. Como já disse, tive vários professores fantásticos nesta época. Professores que se importavam com o aluno e que tentavam planejar uma aula legal. Porém sei que essa realidade de boa escola foi um de meus privilégios. Privilégios esses que tenho dificuldade de reconhecer, pois quando se começa a pensar...: nasci e fui criado em cidade grande com saneamento básico, eletricidades etc., tenho uma cor de pele parda clara (não sofri preconceitos raciais), não fui muito baixo, mas também não fui muito alto em relação aos demais da minha turma (ainda mais por ter sempre sido o caçula da turma e hoje tenho uma estatura "normal" para um homem brasileiro), não sou magro, mas não chego a ser gordo (não sofri realmente gordofobia, mas não pensem que não cheguei a sofre bullying. Crianças são seres maldosos!), ainda não tive que enfrentar preconceitos por minha sexualidade, sou filho de classe média (não tive muitos luxos, mas nunca passei necessidades), tive oportunidades de estudar em boas escolas particulares (sempre com altas bolsa de estudos, claro, mas ainda sim em escolas caras), tive oportunidade de continuar estudando em uma universidade federal, sempre pude dedicar-me somente aos estudos (nunca precisei estudar e trabalhar ao mesmo tempo; exceto monitorias, iniciação científica e coisas do universo acadêmico), pude fazer intercâmbio de graça (financiado pelo governo), tenho liberdade para ir e vir e tenho alguns poucos recursos financeiros para meu lazer (que me são no momento mais que suficientes, pois nunca precisei de muito). Em suma, sempre tive ótimas oportunidades e com certeza fui e sou privilegiado em diversos aspectos, tanto que é difícil para mim enxergar tamanhos privilégios, uma vez que sempre fui imersos neles.
Pois bem,
Esse professor de literatura, porém tinha planos maiores que suas simples aulas. Ele queria muito criar um núcleo de debates e discussão. Ele queria tutorar e ministrar um Clube do Livro (CdL).
Este projeto de CdL foi aprovado pela direção da escola, nos repassado no meio do semestre e inicialmente poderia participar somente quem quisesse e tirasse uma excelente nota na prova de literatura.
Sinceramente eu ponderei muito antes de tentar me inscrever. Eu não tinha hábito de leitura nenhum. Nunca tinha parado para ler em casa. O máximo de incentivo a leitura em minha residência tinha sido uma pilha de revista de quadrinhos antiga do Cascão (da Turma da Mônica), que, quando criança, eu só folheava para ver as imagens e depois que cresci fiquei só com a televisão mesmo (época em que ainda se tinha muitas programações para o público infantil).
Em minhas ponderações eu só pensava: poxa, nunca li quase nenhum livro, como vou participar de um clube do Livro? Os poucos livros que li eram aqueles que a escola forçava a gente ler e era todos meio chatos e sem profundidade. Sem contar que não sei ler direito. Não sei ler rápido e nem tenho leitura dinâmica. Se eu participar vou é passar vergonha e/ou ser marginalizado com o menino burro e ignorante do grupo.
É engraçado como não me dava conta o quão novo eu era ainda e só pensava "é tarde de mais para se começar algo desta magnitude".
Mas por fim eu resolvi calar essas vozes e pensei "Poxa, sempre achei o máximo essas pessoas cultas que já leram um monte de livros e que tem uma opinião tão bem formada sobre as coisas. E eu odeio não conseguir interpretar direito os textos." e resolvi me jogar. Decidi que era a partir dali que eu ia começar. E nada melhor do que um grupo que me forçaria a ler (me forçaria, pois eu me sentiria forçado a ler para tentar alcançar aquele grupo que já estaria anos-luz a minha frente em questão de leituras).
Talvez tenha sido aqui uma das primeiras vezes que eu utilizava uma oportunidade para me forçar a fazer algo. Me beneficiar conscientemente do fluxo "o individuo influencia o meio e o meio influencia o individuo". Coisas que já citei acima em "a necessidade faz o homem", em que eu estava aprendendo a utilizar os recursos sociais e psicológicos já existentes a meu favor...
Foi então que me esforcei ao máximo para tirar 10 naquela prova (e tirei! :D) e fiquei muito feliz de entrar para o CdL.
Depois desse primeiro, participei futuramente de vários outros Clubes do Livro e descobri que não existia apenas uma "modalidade" de CdL. Por tanto, acho interessante explicar algumas dinâmicas de CdL, para quem desconhece, assim como eu desconhecia:
(vou enumerar os "tipos" de forma aleatória, de acordo com o que me vier a mente)
# 1º Tipo: O grupo decide por um livro e você tem um bom prazo para ler ele (geralmente um mês). No encontro do CdL então, todos debatem sobre aquele livro a fundo.
O legal de todos os CdL's são as discussões que o livro e/ou trechos do livro puxam e os comentários as referências que uma história traz e nem sempre a história em si. Por exemplo, em um livro mais clássico, tentamos ver a sociedade da época representada ali, ou o quão visionário ou criativo foi o autor; tentamos enxergar as inspirações do autor e se alguém conhece alguma outra obra dele que complemente aquela temática ou seja continuação literal; tentamos entender o porquê de ele ter virado um clássico; tentamos abstrair todas as informações que aquela história traz e principalmente discutir e refletir sobre o(s) tema(s) propostos.
Lembro-me uma vez que ficamos uma amiga e eu (era para ser um CdL, mas só tinha nós dois rsrsrs) e discutimos um bom tempo sobre A Insustentável Leveza do Ser. Como um livrinho tão pequeno era tão denso. Eram tantos assuntos interessantes puxados pelo autor e o principal deles, que era "o que é traição?", nos rendeu um bom tempo...
Mas não necessariamente precisa ser um CdL só com livros profundos e densos. (Tanto porque muitas das vezes não sabemos, já que geralmente escolhe-se livros que ainda não lemos). Como dito, o interessante é a conversa e o livro acaba só virando um ponto de referências comum. Muitas das vezes só deixamos a conversa fluir mesmo. Podemos só comparar o universo do livro com a realidade que vivemos. Ter uma conversa de fãs. E por assim vai.
# 2º Tipo: O grupo escolhe um tema, uma literatura ou um autor específico para lerem. Exemplos: terror; aventura; ficção científica; distopias; literatura brasileira; literatura inglesa; literatura do século XX; literatura de guerra; infanto-juvenil; Machado de Assis; Humberto Eco; etc.
Na reunião cada um fala brevemente sobre seu livro, dando uma sinopse de forma a tentar convencer o outro a ler (ou não) aquele livro. A ideia é "se você tivesse que vender o livro, como e o que você falaria dele?" ou caso você não gostasse do livro "como vou passar a ideia de que é um livro horrível?". Para ambos os casos, você evita os grandes spoilers, sendo o desfecho final do livro um tabu (totalmente proibido falar o final do livro!). Porque se você contar todos as partes interessantes, você vai estragar a experiência de quem se interessou em ler seu livro.
E novamente, há um prazo razoável para se ler um livro, o que geralmente é 30 dias.
O legal desse, é que como são vários livros distintos, vários temas são abarcados além do tema comum de todos os livros comentados naquele dia. A discussões novamente, são sempre muito divertidas, além de renovar e me inspirar sempre ouvindo propostas novas de histórias que você pode ir atrás para se nutrir delas.
Um reconforto para minha alma.
# 3º Tipo: Este é o último tipo que comentarei aqui, pois devem haver muitas outras variações, basta um pouquinho de criatividade, disposição e um mínimo de organização (basicamente um ideia que envolva livros e pessoas), e porque este é o tipo que eu quereria comentar: a do meu primeiro Clube do Livro, que foi ministrado pelo Gustavo Brito (que hoje já possui tantos títulos que não saberei citar aqui, mas alguns são: mestre, filosofo, capitão, professor, viajante, arqueiro, palestrante, explorador e pirata, que provavelmente vai te humilhar no ping-pong, no bumerangue e no kung-fu; enfim, uma pessoa única, que tive o prazer de conhecer, mesmo que só um lapso de sua vida).
Sim, eu disse ministrado, pois este era um CdL tutorado e direcionado como estudo.
Ao contrário do outros, não escolhíamos livros para o próximo encontro, escolhíamos o tema central a ser trabalhado no próximos encontros e baseávamos nossas discussões em literatura. Tentávamos sempre ir o mais fundo possível naquele tema, adotando diversas perspectivas, e para isso usávamos um material já previamente selecionada por nosso tutor (o Gustavo).
Nossos encontros eram semanais (e não mensais) e conciliávamos nossos deveres acadêmicos com os do Clube do Livro, logo não conseguíamos ler livros extensos de um encontro para o outro. Por isso, muitas das vezes líamos contos ou trechos de livros (algo em torno de 50 páginas, se bem me recordo).
Ao descrever parece que estou me referindo a uma aula de literatura para alguns poucos alunos, pois tinha até a figura do professor que orienta e dos alunos que seguem um material proposto. Bem, talvez fosse mesmo, mas ao contrário das aulas normais que eu tinha, podíamos nos expressar e falar, e não só escutar para replicar em uma prova. E durante os nossos encontros eu não conseguia vê-lo como professor, mas como um regente.
Ele deixava a gente discutir e ao mesmo tempo nos ajudava a direcionar nossas discussões, quando ela começava a se desviar do nosso propósito (ou quando começava a ir por um caminho muito tortuoso). E sempre nos chamava a atenção também sobre perspectivas que deixávamos passar e detalhes sobre referências que não tínhamos ainda.
Por causa disso, tive como primeiros livros, livros de Thomas Mann, George Orwell, Dostoievski, Sófocles, Harold Bloom, Michel Foucault etc. Talvez fossem pesados como primeira literatura, mas tínhamos total suporte e estávamos totalmente inspirados para ler aquilo, pois já estávamos engajados nos temas e queríamos discutir melhor as coisas. E se não entendiamos, tudo bem, não tínhamos prova sobre aquilo e podíamos nos esclarecer sem preconceitos naquele meio.
{Infelizmente criei uma ilusão de que no ensino superior (universidade) iria entrar em contato com um ambiente só de pessoas legais, com ideias bem formadas, pessoas maduras, com senso crítico e bem resolvidas. Local rico em discussões construtivas e harmoniosas. Achei que seria um lugar mágico cheio de pessoas interessantes e inteligentes. Pois até mesmo no meu terceiro ano eu achava meus colegas bem maduros... (bem, 75% deles pelo menos)
Mas que decepção foi a faculdade para mim!! Que decepção! [Pelo menos nesse quesito...]
É o que acontece quando criamos expectativas: a gente quebra a cara na maioria das vezes. Todavia, pelo menos o choque me serviu para que eu começasse a perceber meus privilégios.}
Não gostaria de deixar a impressão que não há pessoas legais e discussões na Universidade, é só que na Engenharia a maioria das pessoas não estão tão focadas no que tangem as "humanas" (ou "biológicas"). Interessa só o que é fato ou foi obtido pelo método científico (ou futebol, chopadas e festival sertanejo). Talvez o problema é que encontrei no campus (em geral) mais pessoas que queria ouvir para replicar e impor suas opiniões (enfim, ótimos discursantes e discutidores), do que ouvir para absorver, ponderar e quem sabe mudar de ideia...
Bem, este meu primeiro Clube do Livro foi simplesmente fantástico para mim. Discutimos (a fundo) coisas como fascismo, reação de comportamento de grupo, manipulação, dominação, educação e pedagogia, igreja, a história do diabo, psicologia (mais o começo dela, mais freudiana mesmo), justiça e vingança, simbologia, psicanálise, a loucura, entre várias e várias outras coisas, como inglês, alfabeto cirílico, magnetismo pessoal, Kaspar Hauser... Chegamos até a escrever um jornal!
Simplesmente fantástico! Uma pena que esse projeto teve um fim tão abrupto (outra história, para um outro momento, mas revelo que não foi um fim definitivo; é só que não se pode colocar coisas grandes em locais apertados...).
A loucura enfim! O que ela é? Um estado mental? Bom ou ruim?
Definir uma coisa é conceitual e pessoal, pois cada pessoa tem emoções, imagens e outras palavras associadas a cada palavra de seu vocabulário, o que torna até as palavras mais simples usadas em nosso cotidiano ter um leve diferenciamento no entendimento de cada pessoa, por mais específico e palpável que seja a coisa.
Para a loucura, que é um conceito mais abstrato, a divergência de pensamentos associados pode ser grande, por isso vou tentar recorrer-me a uma fonte mais neutra: o dicionário.
De acordo com o Priberam e o Aurélio (que estão com a mesma definição), a loucura tem quatro definições: 1. Alienação mental; 2. Insensatez; imprudência; 3. Extravagância; 4. Doidice, ato descontrolado ou irrefletido.
E aqui está meu entendimento sobre a loucura: todo estado mental exteriorizado que provoque, abale ou incomode os que estão a sua volta.
Como todo grupo, a sociedade valoriza aquilo que se repete em cada indivíduo e marca padrões para poder serem chamados de "normal". Com o passar do tempo os padrões, assim como as pessoas, mudam, mas o tido como "normal" pode não acompanhar no mesmo ritmo e portanto começa-se a ser manipulado e/ou criado conceitos de moral e pudor a serem seguidos, que muitas das vezes chegam até a virar leis em muitas sociedades. Começa-se a ter os princípios de uma sociedade reprimida, de pessoas que precisam ser e se portar através de máscaras. Eis então que qualquer extravagância do tido normal e correto é visto como loucura.
Como "normal" é relativo, a loucura também o é! E por isso, todos somos loucos. Quem nunca teve um pensamento louco? Vivemos a loucura em um mundo louco. O que nos impede de fazer loucuras por aí são justamente o que nos reprime: leis, julgamento alheios, pudor (que geralmente está enraizado em sua mente naquilo que você sente vergonha), moral (social, religiosa, ...) etc.
Para entendermos um pouco melhor, acho interessante rever a história dos hospícios.
De tempos em tempos os seres humanos enfrentam doenças que se tornam pandemias no mundo. Em uma dessas vezes, quando a hanseníase (lepra) assolava o mundo, foi criado leprosários, locais onde se isolavam os infectados para que eles não passassem a doença adiante. Várias implicações de descaso estão envolvido nisto, uma vez que "quem cuidaria dos enfermos?" já que não se conhecia a cura e a doença era tão contagiosa..., mas este não é meu foco aqui. A questão é que a humanidade teve certo êxito ao erradicar a doença.
Mas eis que os leprosários abandonados trouxeram uma ideia. Era simplesmente muito eficaz retirar e isolar aqueles que não queremos da sociedade. Então os leprosários ganharam um novo nome (hospício) e são reativados como uma nova função: trancafiar os indesejados sociais. Ou melhor dizendo: resguardar os loucos, para o próprio bem deles e da sociedade.
Entenda que não era uma cadeia policial para "abrigar" insanos psicopatas seriais killers, era um local para trancafiar aqueles que perturbavam a ordem social. Por exemplo: uma feminista = louca; LGBT = camisa de força; igualdade racial = lobotomiza!
Mas claro, tudo mascarado como grande bem em que todos se beneficiam. Tudo atrás do rótulo da loucura (sem que ninguém questionasse "o que é normal? o que é ser louco?", pois questionar é uma loucura e você não quer ser taxado como louco, né!? Se a maioria diz que 'sim', eles devem estar certos, pois não é possível que a maioria esteja errada...).
Ainda bem que avançamos muito e hoje não existem mais hospícios, só casas de repouso e finalmente temos médicos para saúde mental. Mas se todos expuséssemos o que pensamos, provavelmente passaríamos como loucos, pois afeta a sociedade de alguma forma e porque somos todos diferentes e temos em algum nível algum transtorno mental, mas são poucos os casos que realmente precisam de medicamentos. A diferença é que alguns abraçam suas loucuras e outros a renegam, escondem e reprimem ela.
Somente atualmente com as redes sociais, que as pessoas começaram a mostrar um pouco seu lado íntimo e suas loucuras, que as pessoas começaram a ver que é algo natural e que não estão sozinhaa (e cada um tem suas próprias particularidades).
Por exemplo, tem gente que fala sozinho (consigo mesmo) em casa (quando estão sozinhos), e hoje com a exposição disso tem alguns médicos que além de terem constatado que é normal é até saudável. Tem gente que rói a unha do pé (é nojento? tem gente que rói a unha da mão e ninguém pensa que é nojento, só que é "feio", pois deixa as unhas com uma péssima estética).
Em ambos os casos eu diria que é uma loucura, e são loucuras que não tenho (não rôo unhas nem costumo falar sozinho em voz alta [prefiro mentalmente]).
Por fim não sei se consegui transmitir a ideia de que a loucura é muito relativo (com o que é ou não normal), mas vou acreditar que sim e seguir adiante para falar de minhas loucuras.
Quando disse que sei não ser louco, é apenas que sei me portar socialmente (não muito bem, mas não faço nada que vá constranger muito os outros). Mas digo que sou louco sim, pois abraço minhas loucuras e vou atrás delas, pois gosto e quero pensar de um jeito diferente sobre todas as coisas, ver uma mesma coisa sobre diferentes perspectivas (muitas vezes fracasso devido ao meu egocentrismo, mas costumo tentar sempre).
Muito de minhas loucuras não convêm a este texto, só a quem de fato conviveria comigo, pois às vezes nossas loucuras transpassa a esfera dos pensamentos e se tornam hábitos, gestos, expressões, ... e muitas vezes nem me dou conta. Por exemplo, mal sei caminhar normalmente (dizem que tenho um jeito peculiar de andar por aí, mas que ninguém consegue reproduzir para eu entender do que se referem...).
Desculpem-me, mas este não é um texto sobre meus hábitos cotidianos. Se quiserem me conhecer boa sorte. Peguem meu mapa astral, caso acredite nisto (08/06/1995 às 09h). Porém se tiver prestando bem atenção ao texto, conseguirá pegar parte de minha essência, uma vez que vou justamente falar de alguns de meus pilares aqui.
Devo contudo dizer que a situação me faz quem sou; Sou quem devo ser; e Acredito no equilíbrio e na harmonia (e não que o bem e a luz impera sobre o mal e a escuridão).
Dito isso irei a uma de minhas loucuras fundamentais: Níveis de pensamento.
Não creio que seja nada anormal na verdade, apenas que nunca consegui conversar direito sobre o assunto, pois sou muito burro com as palavras.
Desde pequeno eu me perguntava se todos nós pensávamos iguais. Não me refiro a pensar igual ou diferente dependendo das experiências, informações e influências que cada pessoa absorveu durante a vida, mas sim se todos pensavam com uma voz mental, com palavras, imagens de suas memórias, ...
Engraçado, pois me questionei isso muito antes de me questionar se a cor que eu via era a mesma cor que os outros viam.
Bem, nunca tive uma resposta concreta e empírica sobre essas perguntas, pois não tive a oportunidade de viver em mais de um corpo ao mesmo tempo para saber. Mas com base em algumas coisas científicas tenho uma fé convicta sobre essas questões.
Sim, vemos as mesmas cores, devido ao comprimento de onda e frequência da luz. Talvez apenas vejamos com uma intensidade e vivacidade um pouco diferente, uns dos outros. Depende da anatomia do sistema óptico de cada pessoa. (eu vim do futuro, após ver este vídeo do Vsauce e já mudei de ideia!)
Não, não pensamos todos iguais, pois as pessoas nascem com diferentes tipos de inteligência. Então suponho que um pintor, um escritor, um matemático e um jogador de futebol, vejam o mundo de uma forma diferente (desde pequenos, antes mesmo de pensar em suas profissões). Logo devem pensar diferente. Mais o quão diferentes? E em que exatamente se diferem?
Ao me avaliar, percebi que penso em níveis (em camadas) distintas. Porém não me refiro a camadas hierárquicas (como id, ego e superego, em que penso por instinto animalesco inicialmente, mas pondero com minha racionalidade e convenções sociais e trato, processo e armazeno em um inconsciente; ou algo do tipo).
Ao me referir a níveis é pensar ao mesmo tempo de forma paralela e em certo nível consciência (sem uma sobrepujar a outra necessariamente).
Por exemplo, tenho um nível de pensamento em que falo mentalmente, com uma voz interna na minha cabeça. Ela tem a velocidade de pensamento de uma fala em voz alta normal. É como comunico e interajo comigo mesmo na maior parte das vezes que estou raciocinando ou elaborando um discurso. [pensei em chamar esta camada de 'interface', mas chamarei esta camada de I]
Contudo há uma outra camada de pensamento, que sinto estar logo atrás nos bastidores, com um nível de pensamento bem mais rápido [chamarei essa de camada II]. É esse pensamento rápido que me permite estruturar e corrigir minhas frases antes de pensá-las na camada I. Ainda mais quando estou falando com alguém, a camada I e minha fala ficam sincronizadas, de forma que a camada I de pensamento é totalmente exteriorizada, enquanto a camada II fica responsável por dar o rumo a estrutura lógica de fala e sua composição gramatical.
É esta mesma camada II que faz com que ao eu bater meu olho na palavra "Freud", reconhecer rapidamente que é uma palavra alemã e reconhecer que sua pronúncia é /Fróid/, de forma que a camada I já recebe só Fróid e não /Freud/.
É tudo muito subjetivo e acontecem várias coisas ao mesmo tempo, portanto não sei se conseguirei explicar bem, correta e/ou fielmente...
Há uma outra camada que reconheço que é a camada III, em que enquanto as camadas I e II estão preocupadas com as palavras ela consegue pensar em uma outra coisa, como uma música. Esta camada é bem involuntária, pois fica rodando uma música de minha memória sem que eu queira exatamente. É como uma música de plano de fundo quase sempre, mas às vezes ela vem mais a superfície ou me foco no que está tocando no fundo de minha mente e ela passa também para a camada I ou II. Eu acho que aquelas músicas "grudentas" (conhecido por alguns como 'músicas chicletes', que geralmente são jingles ou as músicas de verões) são chatas e incomodam quando elas estão nas camadas I e II; e elas vem mais a superfície, pois você aprendeu a reconhecê-las quase instantemente, devido a repetição que te condicionaram no mundo exterior, logo ela vem com mais facilidade da camada III a superfície (pois você já se condicionou a focar nela, nem que seja para reclamar).
Mas bem, eu atribuo também a camada III a flashs de imagens (a memória visual) que passa em segundo/terceiro plano enquanto pensamos e focamos em outras coisas (nas camadas I e II).
De fato a camada III seria o terceiro plano. E todas as três camadas acontecem simultaneamente.
Há ainda a camada IV, que não sei explicar bem se de fato é uma outra camada, mas é aquela que está pensando em outras coisas ao mesmo tempo... Em outras preocupações que estavam, relativamente de forma recente, na camada I.
Ouso chamar de camada, pois às vezes consigo senti-la analisando um outro problema que não o atual, em que estou em foco (que não é nem a camada I, II ou III).
É tipo quando estou fazendo uma prova de "exatas" (aplicar fórmulas, pensar na teoria, usar calculadores, aplicar simplificações e interpretações matemáticas...) e sentir ao fundo (durante minha preocupação/desespero com a prova) eu pensando sobre o que vou escrever a noite(?), como baleias e golfinhos que precisam respirar na superfície dormem(?), por que estão dando mais atenção a uma desastre de queda de avião do que de um terremoto(?) etc.
Mas não são pensamento que sobrepõe a camada I e me distraia de fazer a prova para ficar divagando... Só as sinto momentaneamente enquanto estou fazendo outras coisas que requerem minha atenção imediata.
E tem ainda a camada do inconsciente (que não chamarei de V, pois acredito que ela funcione simultaneamente também, como as quatro anteriores (em um nível horizontal), mas não consigo senti-la trabalhar, apesar de se manifestar em meus sonhos e de forma subversiva em outras partes do meu pensamento), sabe-se lá o que e como ela opera (talvez porque ela trabalhe em um nível vertical na verdade).
Acredito que micro expressões, minha postura corporal e estas pequenas coisas que faço, mas não tenho consciência sempre, é parte da camada II ou do inconsciente (ou quem sabe uma outra camada totalmente diferente, que se importe com as interações sociais). Mas se fosse para apostar, eu apostaria que faz parte do meus pensamentos hierárquicos inconscientes, os mesmos que identificam primeiro a forma, depois a cor e por último o significado daquilo que enxergo.
Mas bem, eu sei que não sou uma pessoa multi-task, porém consigo muitas das vezes pensar em duas (e às vezes, dependendo da complexidade) até três coisas ao mesmo tempo (apesar que em nível de prioridade e em consciências superficiais diferentes). Possivelmente meu cérebro está processando 1 bilhão de informações ao mesmo tempo, mas que eu consigo me focar a um nível racional verbalizável, creio que meu máximo é 3.
Novamente consigo imaginar alguém lendo esse trecho e pensando "tolice" ou "isso é normal para todos". Peço desculpas, porém como já disse, nunca consegui chegar a este tipo de conversa com ninguém e também não queria opiniões e teorias da psicologia sobre isso que é tão natural para o ser humano como "pensar". Bem, quem sabe todos pensamos iguais, no fim das contas. Todos com um mesmo software apenas com dados de informação diferentes. Quem sabe não são somente os dados recebidos que nos faz pensar de formas tão distintas.
Analisando então aos primeiros dados aos quais somos impostos, temos a cultura, no qual podemos separar essa base pelo idioma e pela religião. Começarei, como já dito, por esta: a religião.
Vemos que a religião é algo cultural ao compararmos a quantidade de religiosos de acordo com cada local. Notamos que as religiões não estão diluídas ao redor do globo, e sim concentradas, de forma que a pessoa provavelmente adota (ou é adotada) pela religião de sua família, que por sua vez costuma ser a religião mais comum da cidade natal destes e assim por diante.
Sei bem que estou vivendo um momento de transição na história da humanidade [começo do século XXI], em que o modo de vida humano está sendo alterado (tanto para bom quanto para ruim) em diversos aspectos (principalmente pelo advento das novas tecnologias, da difusão da informação e comunicação sem fronteiras: a internet). Portanto, muito do que digo, pode muito bem cair por terra em 10 ou 20 anos (vemos, por exemplo, o número de ateus e agnósticos crescendo constantemente desde o final do século passado...).
Minha questão com as religiões é meio complicada de ser explicada, pois em suma não adotei só uma.
Nasci em família cristã, mais especificamente, católica apostólica romana conservadora. Fui batizado, frequentei por 4 anos catequese e com 15 anos fui crismado (crisma: reafirmação do batismo — quase como um rito para ser considerado adulto perante a igreja).
Porém aos 14 anos comecei a questionar minha religião (quando era que eu tinha escolhido ela? me deram opções de escolha? os crismes, atrocidades, torturas, corrupções e abusos de poder durante toda a história dessa igreja podiam ser ignorados e levar em conta só sua essência inicial e sua postura atual? — entre vários outros questionamentos) e aos 15 anos mesmo antes de terminar minha crisma (na verdade foi durante a crisma que consegui enxergar o que precisava para tomar minha decisão), eu já não era mais católico.
Particularmente vi que "se quiser conhecer uma pessoa (ou instituição, no caso), dê poder a ela", e a igreja católica mostrou muito bem do que é capaz quando se tem poder. Mas pensei: isso é passado, as pessoas merecem uma segunda chance, uma forma de se redimirem. Porém ainda via, pequenos e grandes atos falsos, fascistas e manipuladores na igreja e vi ainda que elas almejavam poder, para impor suas opiniões e crenças sobre os demais, jugando as pessoas alheias. Foi no pequeno poder de autoridade religiosa concedida aquelas pessoas, que fui abrindo meus olhos para ver que tudo aquilo do passado passível de questionamentos ainda estava presente, só que atenuados, disfarçados e um pouquinho reprimidos, só esperando o momento certo para se rebelarem.
Foi então que passei a transitar entre várias religiões, achando que o problema era a igreja católica. Cheguei até a me crismar quando era ateu. E fui de alma lavada. Lembro que na confissão com o padre eu simplesmente não tinha nada a confessar, pois já não via o mundo através dos dogmas da igreja, já não via pecado em meus atos, como me masturbar, comer um pouco a mais depois de estar satisfeito, sentir raiva sobre certas coisas, me permitir a luxuria assim como a igreja se permite ter etc.
Eu realmente estava tão bem comigo mesmo, sem culpa nenhuma no coração, que não confessei nada (não tinha o que confessar) e o padre vendo em meus olhos que era verdade, dispensou o ateu para a crisma.
Mas transitei muito entre religiões até perceber que o problema não era as religiões em si, mas sim as instituições, as igrejas, templos, sinagogas... Na verdade, o problema eram as religiões sim! Elas com seus dogmas e regras, burocratizam muito sua relação com deus e tentam te controlar e te condicionar a todo momento, em suas ações e em sua rotina.
E então abandonei todas as religiões e virei agnóstico. Era um agnósticos que não acreditava em deus, mas já não queria ser ateu também, pois o ateísmo é uma espécie de religião (pois é um grupo que têm uma crença e que às vezes se reúnem). Eis então que meditei bastante e resolvi ter simplesmente fé. Por fim, sou um agnóstico. Acredito em deus, mas não tenho religião.
Sobre isso então, escrevi um pequeno texto na época, dando minha perspectiva religiosa no Machado de Eugênio (← texto original no link):
" Da antítese ao paradoxo criou-se a vida
Diz o dicionário, sabiamente, que Mal é "tudo que é oposto ao Bem", portanto só podemos concluir que o Mal existe porque o Bem existe. O que eu vejo como sendo um fato. Isso nos leva a próxima pergunta: Quantas outras coisas só existem sustentados pela simples oposição de ideias e se fazem sustentar tão firmemente?
O que seria da Luz sem a Sombra (e vice-versa). O que seria Dormir sem o Acordar? O que seria a Presença se não fosse a Ausência? Separação sem União? Fechado sem o Aberto? O Longe e o Perto?
Bem antes de você ligar este aparelho eletrônico; bem antes de você nascer; bem antes dos primatas; bem antes do dinossauros; bem antes do primeiro coacervado terrestre; bem antes do sistema solar; bem antes de se estabelecer o setor galáctico ZZ9 Plural Z Alfa; bem antes da via-láctea se formar; bem antes do Big Bang; bem antes de Deus: havia exatamente NADA!
E foi deste exatamente Nada, fazendo se valer a semântica do paradoxo, que surgiu de forma tão repentina e inesperada o TUDO, de forma que logo se fez surgir o Caos.
Tamanho caos acumulado num só não-lugar, onde se tinha que coexistir tudo e nada ao mesmo tempo, fez originar uma grandiosa explosão, o qual eu chamarei de Deus (Por motivos óbvios. Devido sua grandiosidade, seu surgimento do nada, seu poder de criação e intervenção direta na vida — ao qual logo chegarei...).
Deus então fez surgir várias outras explosões secundárias, que estão acontecendo até hoje, devido a sua grandiosidade (a explosão originadora/primaria/-mor) e infinidade de local (não-espaço) para que isso ocorra. Dentre estas explosões secundárias, uma em particular recebeu o nome de Big Bang, e a partir dele surgiu várias outras explosões menores criando o espaço-tempo (para mais, vide mitologia), galáxias, sistemas planetários, estrelas, planetas, planetoides, asteroides, satélites, cometas, ... Espere aí!!! Algo um pouco mais diferente está acontecendo ali: na Terra.
Uma série de acaso e eventos de precisão milimétrica e numa ordem certa, como distância entre a estrela mais próxima, e do centro da galáxia, uma colisão que fez surgir um satélite, gases certos se encontrarem, um resfriamento, reações químicas, eletricidade e voilà: Não foi feita por Frankenstein, mas surgia a VIDA!
Por alguns motivos, mais e mais eventualidades casuais numa ordem temporal interessante, fez com que os mamíferos se sobrepujassem das demais raças (coisa de um meteoro ou dois e extinção de uns repteisinhos aí) e o homo sapiens se tornar-se uma raça bem adaptada, que se espalhasse por toda a face da Terra e fizesse com que você estivesse exatamente aqui! Lendo este texto! Tudo, é claro, por graças e obra de Deus!
"Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o universo e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu." — Douglas Adams
"A ciência atual não acredita mais em universo, mas sim em multiversos (ou multiuniversos)"
Deus então não mais interfere na sua vida além dos indiretos e intencionais (ou não — como queira) acasos que ocorrem devido as milhares de coisas que estão acontecendo simultaneamente ao nosso redor.
"O Universo, como já se sabe, é um lugar desconcertantemente grande, um fato que, para continuar levando uma vida tranquila, a maioria das pessoas tende a ignorar". O que faz com que a gente não consiga perceber tudo que está acontecendo ao nosso redor e por isto chamamos alguns fatos bem comuns de ACASO.
Coisas inexplicáveis sempre vão haver, pois, como já citado, o Universo é bem grande e não importa quanto a gente se esforce a gente não vai conseguir a onisciência e nem vai conseguir compreender todos os fenômenos da natureza, nem por isto precisamos chamar de algo sobrenatural. Podemos aprender com a história, em que antes de descobrirem os microrganismos explicavam as doenças através de contos de demônios e tempestades como conversas de deuses, mas que hoje sabemos que são explicações ridículas e que não é tão ao acaso assim e nem depende do bom humor de seres misticos. Além de que sempre há a possibilidade de charlatanismo por trás de certos fatos misteriosos. Ou que é apenas uma boa história alegórica para se refletir na vida e possuir uma boa conduta (um guia).
Para achar seu propósito de vida, muitas pessoa se apegam a instituição religiosa, e estas se apegam (pelo menos nominalmente) a algo maior: Deus(es) [ou Demônio(s), dependendo do caso]. O que não recomendo, pois é apenas uma tentativa de exteriorizar suas responsabilidades e problemas, além do problema de que tais instituições são regidas por humanos: que por sua própria natureza não são inteiramente bons (de corpo e alma - como se diz a expressão).
Recomendo sim que arranje algo que te dê forças para prosseguir em frente, mas troque a religião por uma ligação direta com o que você acredita ser seu "Deus" que te ajuda e orienta, mas recomendo mais é amigos, pois esses te ajudarão a prosseguir em frente, poderão te dar conselhos sinceros que possam te ajudar e te orientar na vida (pense então que Deus orientará as palavras de seus amigos, se assim preferir).
Resumindo: Não basei sua vida nas vontades de Deus e muito menos na sua Religião, mas como resultado e consequências de suas escolhas (virtú) e uma pequena parte pelo acaso (fortuna), sobretudo, como você consegue manusear as oportunidades (os acasos) a seu favor (pelo menos de forma que te afete o menos possível negativamente).
E se algum dia você quiser reclamar da vida ou agradecer por ela, se manifeste para o Big Bang, não para Deus ;)
P.S.: "Se quiser ser uma pessoa mais feliz, nunca espere nada de ninguém; especialmente algo de bom".
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Esta é minha crença, sou Agnóstico e acredito em Deus, por pura fé, mas como tentei expor (é assim que o vejo), não creio que ele interfira na minha vida e não quero atormentá-lo com meus problemas vãos (comparado a sua grandiosidade), por isto apenas vivo sem pensar muito nestas coisas, se estou certo ou errado, pois este saber não mudará muito minha vida terrestre. Respeito de coração Todas as crenças religiosas (inclusive o satanismo), desde que não firam a liberdade do próximo. E procuro sempre fazer as coisas que acho certo e que possa satisfazer aos meus próximos. Se quero me formar e ter dinheiro é para que eu tenha condições de fazer boas ações ainda maiores e que sejam mais produtivas e rentáveis, pois não almejo poder (pelo menos não político — não pense só em política eleitoral constitucional). Quero deixar para este mundo um legado de ideologias e de oportunidades (quando possível) e não herança monetária.Um abraço a todos e fiquem em paz!"
Contudo, claro, que durante essa transição eu expressei minha indignação em alguns lugares também. Pegarei agora um trecho de um antigo rascunho de texto meu (← esse nunca chegou a ser publicado, logo não há link):
"Mas desde crianças somos desprevenidamente atacados com crenças. Assaltados de nosso sossego. Precisamos crer em alguma coisa. Tragar um religião! Seguir tradições!
Somos obrigados a ouvir e aceitar pensamentos que não são nossos e tomá-los como verdade, como se fosse algo bom para nós mesmo. Nos pedem amor, temor e obediência em troca de promessas. Desestimulam então que pensemos. Questionar e duvidar nos trará as piores punições cabíveis (inferno, talvez?). É preciso ter Fé! O ato de pensar só é perdoado se for seguido a linha de raciocínio já imposta e que as conclusões confirmem ou reconfirmem aquilo já pré-dito.
Forçam-lhe uma fé, ditam no que se deve e como se deve crer e a partir daí defendê-las. Você deve adotá-las e chamá-las de sua!
Algo que se ouve tanto desde pequeno e que te norteia como se portar para receber aprovação e às vezes até recompensas, como o sorriso dos adultos, os quais você sente afeto e estima e se sente protegido e amado por esses, fica gravado em nosso âmago! E enquanto não o tornamos esses fatos conscientes e claros para nós mesmos, eles ficam ali ditando sua moral e pensamentos. Entremeando sua cultura e aqueles que o rodeiam, como algo simbiótico. Dificultando a mudança e a evolução. Criando Tabus. Limitando!
Se escondendo atrás de histórias e estórias, mitos e lendas, se protegendo de suas ignorâncias com respostas simples de pseudo-conhecimentos e declarações vagas, utilizando de termos como "força maior", "caminhos misteriosos", "métodos que nem sempre nos são claros", tentam ocultar seus medos pelo desconhecido e o incerto e com isso acabam por ensinar a rejeitar o estranho, o diferente, o novo. É por essa razão que o começo da história de muitas religiões, quando elas ainda estavam nascendo, sua ideias, ideais e dogmas ainda sendo compilados, quando seus profetas e messias ainda caminhavam sobre a terra, estes eram bem impopulares e até odiados, ocasionalmente até perseguido, e por isso se veem diante a necessidade de criar um grupo mais próximo que o apoie e com esses tinham que peregrinar por aí para tentar convencer as outras pessoas de perto, mais cara a cara, para que aceitem uma nova verdade. O que é difícil, pois tinham/têm que quebrar os tabus e a mentalidade fechada da religião que já está imperando no momento, o que faz requerer provas fortes sobre sua verdade, com grandes bem feitos (como milagres) ou grandes mal feitos (como pragas, de preferência para seus "inimigos"). O que acabava por quase virar um mercado: venha para minha religião, pois meu deus ele é mais forte, melhor, dá provas de sua existência... Aliás ele é o único e verdadeiro Deus! Antes você estava sendo iludido por deuses falsos, espíritos ruins, charlatanismo, vivendo no pecado, mas a partir de agora você estará salvo nesta vida e na próxima; para todo a eternidade! Ou seria para todo o sempre?
É incrível na verdade quando se pega todas as maiores crenças religiosas que se tiveram durante toda a história conhecida e vemos jogados em nossa cara todas as coincidências entre elas, mais no que se concerne a suas origens, claro, pois em atos, essas se divergem e muito, coincidindo incrivelmente pelos desejos e ambições do líder representante mor vivo da crença em questão.
É quase ridículo como é apresentado o mundo através de extremos. Um mundo quase preto e braco (sem cinzas!) Ou você fez o certo ou fez o errado. Ou é bom ou é mau. Ou é do bem ou é do mal. Ou é a favor ou é contra."
Mas esses textos não importam. Não mais. Pois novamente, consegui complicar as coisas para mim mesmo.
Agora que eu estava de fora, conseguia ver um pouco melhor o todo. As religiões em geral veem algo grandioso (muita das vezes um grande bem), quase todas relacionadas com grandes esperanças nas lacunas de nossos conhecimento, baseando em nossas poucas certezas, como nossas mortes. O que vem após ela?
Vi que as religiões são como guias de como levar a vida e elas nos dão caminhos diferentes. Mas não deixei de ver o grande mercado que elas tinham se tornado.
Evitando então os desvirtuadores, tentei respeitar cada uma delas. Cada religião. Pois apesar da religião fazer muito mal a muitas pessoas por deixá-las na ignorância e manipuláveis, ela também dava força e ajudava muitas outras.
Se a religião fosse tão mal assim em todos os aspectos, não teria sobrevivido todos esses anos (apesar que muitas sobreviveram pelo temor de seus seguidores).
Agora que eu estava de fora, conseguia ver um pouco melhor o todo. As religiões em geral veem algo grandioso (muita das vezes um grande bem), quase todas relacionadas com grandes esperanças nas lacunas de nossos conhecimento, baseando em nossas poucas certezas, como nossas mortes. O que vem após ela?
Vi que as religiões são como guias de como levar a vida e elas nos dão caminhos diferentes. Mas não deixei de ver o grande mercado que elas tinham se tornado.
Evitando então os desvirtuadores, tentei respeitar cada uma delas. Cada religião. Pois apesar da religião fazer muito mal a muitas pessoas por deixá-las na ignorância e manipuláveis, ela também dava força e ajudava muitas outras.
Se a religião fosse tão mal assim em todos os aspectos, não teria sobrevivido todos esses anos (apesar que muitas sobreviveram pelo temor de seus seguidores).
A questão enfim, foi que descobri que não conseguiria respeitar inteiramente se não acreditasse como verdade (e de coração) o que elas seguiam, porque se olharmos criticamente para a mitologia de cada uma delas, veremos que uma é mais absurda que a outra, que não fazem sentido e que são um bando de plágios e agregações de histórias e religiões ainda mais antigas.
Muitas religiões são contraditórias! Por isso tanto conflito. Sendo bem extremista: o satanismo é quase conflitante com o cristianismo. E o ponto é: eu acredito e aceito ambas. Mas como?
Não sei bem dizer. Acho que guardo a verdade de cada uma delas em personalidades diferentes do meu ser. Ou simplesmente em caixinhas separadas em meu cérebro, que eu uso em momentos específicos de minha vivência. E o melhor é que tenho infinitas outras caixinhas livres para receber mais religiões em meu âmago e conhecer suas verdades e filosofias.
Devo contudo dizer que na maioria do tempo, me aporto no agnosticismo, pois sou atacado constantemente com "a palavra do senhor" (nas ruas, em ônibus, e até mesmo na porta de minha casa) para que eu compre algo.
Quando não há diálogo (e sim monólogos) e só querem me faz engolir sua crença, pois você crê no que é certo e eu deveria também fazer como você, daí terá meu silêncio ou minhas armas mais afiadas e pontudas.
Se não há respeito e muita utilização dos nomes de sua crença em vão, sei bem que você é um dos desvirtuadores e aproveitadores.
Porém, não saio por aí absorvendo qualquer coisa. Nem sempre consigo de fato respeitar a escolha de todos. Até agora, por exemplo, não consigo levar a sério a religião Mórmon (me parece uma sátira). E no mundo que vivemos, preciso me proteger do comodismo de aceitar e fazer o que é mais fácil. Sempre estou atrás do que possa me acrescentar somente, do que me dê novas perspectivas (tanto da vida, quanto espirituais).
Esta é minha base religiosa então! São um seguidor de muitas as crenças e da falta delas, sendo um não praticamente e muitas das vezes contra os rituais dessas que não envolvam consentimento explicito (ou seja, rituais em crianças que ainda não podem tomar decisões por si mesmas). Estou sempre em busca de aprender mais sobre diferentes religiões e filosofias, mas não é sempre que adiro a elas (às vezes gosto de só coletar o conhecimento). Acredito em Deus, em vários outros deuses e ainda sou ateu a ainda vários outros, mas acima de tudo acredito em mim mesmo.
Tenho vários níveis de consciência e no mínimo quatro fortes personalidades, mas como um todo, como um único ser que sou, tenho uma religião Frankstein, formada de várias e várias partes de filosofias, morais, religiões e histórias que formam e guiam meu caminho, meu jeito de ser, meus atos e minha ética.
Tomando emprestado um curto poema (em verso avulso, na verdade), que um amigo me passou ao lembrar de mim:
"Eu não sou eu, sou o momento: passo."
Como mochileiro europeu, eu vi que visitar igrejas era conhecer o local, pois dava para recontar o grosso da História através delas, onde eram investidos as produções culturais de cada época, onde as pessoas depositavam sua fé, esperança, dinheiro e até confidencias... Um pouco trágico talvez, mas não quero me por em posição de julgá-las, pois compreendo o que é ser levado e se deixar levar quando a maré é forte. [no more]
Deveria ter falado antes, mas considero a Cultura um grande e forte pilar, porém complexo de mais, logo prefiro o ver através da formação de um conjunto de outros pilares menores, apesar de serem cada um tão complexos quanto o todo (pois há tantos números entre 0 e 1, quanto entre 0 e 100).
Eu queria então chegar ao próximo pilar, através dos ramos da Cultura, contudo irei contra meu plano de utilizar das igrejas como gancho de expressão da humanidade, assim como as obras de artes (pinturas, esculturas, fotografia, cinema, artesanato, tatuagens, danças, músicas, culinária, esportes, lutas, podcasts ou mesmo escritas) e irei colocar um outro trecho de um outro rascunho meu, e seguirei a partir dele. No seco mesmo, sem a suavidade de ir percorrendo os assuntos até chegar onde pretendo, pois vejo que o texto já está enorme e não cheguei ainda nem perto de onde queria.
"
Água!
A vida começa!
Terra!
Transpomos barreiras e nos adaptamos!
Fogo!
Observamos, dominamos e melhoramos!
Ar!
Sonhamos! Objetivamos! Projetamo-nos! Abstraímos!
Criamos!
Viemos ao mundo sem consciência, desnorteados e ignorantes — Sim, ignorantes! Mas é um rótulo que não gostamos e achamos impróprio para nós mesmos. Falamos então que viemos "inocentes".
Com o tempo então começamos a ganhar consciência do que se passava a nossa volta e começamos a perceber o mundo que nos cercava. Começamos a nos orientar e a aprender. E a partir deste ponto recebemos uma enxurrada de influências. Ou melhor dizendo, uma enxurrada de informações, que por sua vez, influenciada por aqueles que as transmitiam, ativa ou passivamente.
Em condições comuns de sociedade começávamos a aprender aquilo que demorou-se anos para nossa espécie aprimorar, e com isso, a capacidade de formar pensamentos mais complexos a abstratos: a linguagem. A linguagem que nos expandira e limitara as possibilidade de novos outros aprendizados e formas de raciocínio, que por sua vez te influenciou sobre as escolhas que tivera que decidir, e por fim quem você hoje o é.
Sei que os pensamentos mudam, evoluem, se expandem e/ou simplesmente se alteram em novas linhas de raciocínio. Assim as pessoas se mudam com o amadurecimento do passar das primaveras. Experiências que trazem novas influências. Lógicas que conseguem melhor estruturar a mente. Sabedoria que vem da sensibilidade do quão amplo se consegue ver do quadro geral do universo em que está imerso. E deste, até onde eu limitadamente consegui enxergar: Vocabulário limitado → Pensamento limitado.
(Não espero que aceite, mas sim que pense um pouco sobre, em seu tempo livre. Tente prestigiar-se pensar somente com pensamentos sem palavras, fugindo delas, e deslumbrar-se com a velocidade do seu fluxo de pensamentos e ideias, mas..."
Vejo agora o quão reconfortante é tirar alguns textos do limbo. :]
Mas isso não vem ao caso agora.
O que quero dizer, além do que já disse, é que temos diversas e diversas formas de nos expressar, mas nossas principal forma de expressão é a linguagem das palavras. Tanto que quando outras pessoas não conseguem se expressar bem através dessas, as demais (que conseguem) se sentem perdidas, não conseguem alcançá-las e às vezes até as marginalizam, como o caso de pessoas que só conseguem se expressar através de movimentos, da matemática (de números), através de desenhos, etc. Muitas são diagnosticas com "problemas" ou "portadoras de dificuldades", por simplesmente se expressarem de outra forma, como os autistas.
Mas tem gente também que simplesmente se priva desta forma de expressão ao simplificar seu vocabulário ao máximo e tentando se expressar apenas com poucas variantes de palavras e entonações de voz [pessoas que adotariam facilmente uma novilíngua]. Para mim são aquelas que gostam excessivamente de gírias, jargões e até xingamentos. Não que essas três coisas sejam ruins ou péssimas formas de se expressar, ao contrário, são palavras de poder, de impacto, de extravasão. Contudo ao utilizá-las banalmente sempre, em sua boca elas perdem o sentido.
Colocar de forma prática: você é uma pessoa que raramente xinga, seja lá seus motivos. Você pode achar feio, ofensivo, não gosta de ouvir ou falar, acha xingamentos uma forma pobre de se expressar e prefere utilizar de artifícios melhores, acha que Deus te castigará por xingar... Enfim, não importa.
Eis que você se frusta imensamente ou se machuca (imagina chutando uma quina com o dedinho do pé) e então solta um xingamento. Você consegue por para fora de forma forte o que te incomodava (dor no caso) e isso te ajuda a aliviar.
Segunda situação, você se expressa através de xingamentos. Porra é vírgula para você. O mesmo acontece: sofrimento. Você então xinga. Você não extravasou este forte sentimento para fora, pois xingar é normal e sua dor não é trivial e normal. Você então começa a emendar xingamentos, não para no primeiro, pois vê que xingar já não tem impacto nenhum para você. Já foram mais de cinco xingamentos e você só se calou para se concentrar na dor e procurar xingamentos menos usados em sua memória.
Você deixou fraca um arma forte. Deixou cega um lâmina afiada.
(Uma outra forma que as pessoas se limitam é através de tabus, em que se evita certas palavras e certos temas, se privando de conhecimento.)
Contudo o ponto que quero chegar é que as palavras têm poder e quero convencê-lo desta verdade: Words Win Wars.
Pode ser que sim, vibrações positivas faz com que o universo te devolva coisas positivas, mas não é exatamente nesse sentido que digo "as palavras têm poder", é mais no sentido de que com as palavras podemos conseguir basicamente qualquer coisa.
Aqui vou fazer um parenteses para falar sobre meu amor a série Doctor Who, em que basicamente tem como enredo um viajante no espaço-tempo que escolhe acompanhantes para se aventurar neste vasto universo e ocasionalmente salvando planetas e inclusive a própria Terra. Detalhe: sem nenhuma arma, apenas com seu meio de transporte no espaço-tempo (a TARDIS) e uma chave de fenda sônica (que basicamente abre e fecha coisas que não sejam de madeira).
E no meio desta maior série de ficção científica feita até hoje, tem-se meu episódio favorito: o primeiro episódio da quinta-temporada da era de 2005 (The Eleventh Hour). Nele o Doctor não tem nem a TARDIS nem sua Chave de Fenda Sônica disponível. O mundo acabará em 20 minutos e ele basicamente não tem, a princípio, nenhum amigo ou aliado e está em uma cidadezinha do interior, longe de tudo. Ou seja, ele não tem nada disponível e vinte minutos para salvar o mundo. O que ele faz? Para não dar mais spoilers sobre este episódio fantástico, digo só que: ele faz mais do que só salvar o mundo da destruição. MAS COMO? Basicamente como ele sempre faz: com palavras! (No caso ele até utiliza as palavras para programar) Sendo mais sincero: com conhecimento e correndo muito.
Isso tudo para mim é uma inspiração além de entretenimento e me pergunto, nosso paladar essencialmente é constituído de quatro sabores: doce, salgado, azedo e amargo. Só 4! Mesmo assim você já experimentou todos os sabores do mundo? Como você ainda consegue se surpreender com pratos novos? Você não enjoa de comer, não? É sempre doce, salgado, azedo, amargo ou uma combinação desses quatro...
E música? Você escuta música? Consegue ainda sentir deleite ao ouvir sempre variações de 7 notas musicais? Sim, só há 7 notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) e você acha que nunca escutou todas as melodias?
Ok, agora e discursos? Você acha que já leu todos os textos possíveis de serem produzidos? Todas as mensagens que a humanidade poderia produzir? De acordo com o VOLP (o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) temos atualmente 381 000 verbetes. Quantas combinações possíveis podemos fazer com estes 381 mil verbetes? Sem limitação de espaço para escrita ou fala... E quantos idiomas existem e existiram neste mundo? Eu não saberia nem chutar tamanho o número. Além de existir em muitos casos dialetos em cada idioma, que trás ainda mais riqueza de expressão para cada idioma [assim como as gírias e as linguagens coloquias].
Bem, se dá para conquistar uma pessoa pelo paladar e/ou pela melodia de uma música, o que você me diz das infinitas possibilidades que as palavras te oferecem? Será que não há séries e conjuntos certos de palavras que possa tocar cada pessoa e/ou alterar acontecimentos de cada situação? Não há pessoas tão versadas nas palavras que conseguem convencer as outras com facilidade? Induzir? Manipular? Debater? Expressar-se!?
Voltando ao paladar entretanto, parece que não detectamos só quatro, mas sim cinco (umami também), contudo continua um número bem limitado para todos os sabores que você já experimento nesta vida, não? Pois bem, é que você talvez não tenha pensado nas porcentagens. Além de haver uma combinação entre um, dois, três, quatro ou cinco destes sabores, há uma porcentagem, uma parcela de cada um deles no conjunto, de forma que olhando numericamente, há infinitos números entre 0 e 1 (0 e 100%).
Uma comida pode ser 100% doce; outra ser 90% doce e 10% salgada; e outra 66.34% doce, 3.01% umami, 7.11% salgada, 0.86% azeda e 22.68% amarga.
A música tem de fato só sete notas, mas há variações como o sustenido (#) e o mais importante: há timbres diferentes. A nota "dó" em um trompete não soa exatamente igual a um "dó" na guitarra, além de se ter "dó maior", "dó menor" etc. Além de haver timbres diferentes, há a composição disso tudo, o que podemos ver com muita clareza nas apresentações de orquestras, ao ver as diferentes harmonias que se tira da cooperação de tantos instrumentos juntos, além de que o ritmo pode passar uma sensação ainda mais diferenciada; e juntar a harmonia e o ritmo enfim a melodia, onde ainda acrescentemos muitas vezes palavras: a letra da música. Assim então continuamos a nos encantarmos com diferentes tipos de músicas.
E o discurso? Já temos o fator base muito maior que o do paladar (5) e o da música (7): 381000 (só no português). Temos também os sinais gráficos nos textos e a entonação (a emoção) através da voz. Temos a ironia, sarcasmo e várias e várias outras figuras de linguagem como metonímia, hipérbole, onomatopeias... Além dos demais elementos da análise do discurso (sinceramente não sei se é uma nomenclatura correta, mas é como denominei a mim mesmo). Como provavelmente não é o termo certo, pois tive esse conhecimento de forma empírica, vou contextualizar, tanto porque foi um de meus primeiros aprendizados neste mundo.
Quando criança eu ouvia uma história, uma anedota ou uma piada e achava muito legal e divertido ao ponto de querer reproduzir elas para outras pessoas (ou como estamos mais acostumados a dizer hoje: eu queria compartilhá-las). Mas eu quase sempre fracassava. Fracassava miseravelmente. Ao ponto de não conseguir nem tirar um sorriso amarelo das pessoas. No começo pensava até que estava errando a piada, mas depois percebia que eu disse a piada exatamente igual, palavra por palavra. Então onde estava o erro? Foi quando percebi o que chamo de "análise do discurso".
É extremamente importante o que você diz, mas isso pode não valer de nada se você não analisar cuidadosamente "como se diz", "para quem se diz", "quando se diz", "onde se diz" e "quem diz". Depois ainda acrescentei um "por quê". E claro que fui percebendo cada um destes elementos em cada tentativa e erro. Porém foi um das primeiras coisas que aprendi, pois eram simplesmente essenciais para me comunicar com as demais pessoas, principalmente um adulto.
Não sei se é algo trivial, mas discorrerei um pouco mais sobre esses elementos: O "como se diz" é um dos mais importantes, pois é saber onde começar a narrativa, se você vai dar a versão curta ou longa das coisas, em qual nível de detalhamento você conta as coisas, onde vai haver as omissões ou não (ou quem sabe as mentiras), em que ritmo e onde vai ser as pausas (os suspenses) de seu discurso. "Para quem se diz" é fundamental, como todos os outros, pois uma coisa pode interessar um e a outro não, assim como pode ser relevante e até essencial para um, quanto é até melhor que outro até nunca chegue a saber. "Quando se diz" é só pensar "talvez não seja uma boa ideia contar uma piada em um momento fúnebre, por melhor que seja", talvez seja, mas aí vai depender muito de seu propósito ("o porquê"). O "onde se diz" é justamente: talvez não seja uma boa ideia falar de algo tão íntimo em um lugar tão público ou algo tão comprometedor em frente aos pais. E por último "quem diz", pois uma coisa pode soar engraçado, porque a pessoa que está narrando passou por aquilo, enquanto na sua boa, pode perder todo o sentido, por mais bem discursado que ela seja (momentos de analisar outras abordagens para aquele tema).
Com tantas variáveis ao redor das palavras, se souber usá-las com precisão, você consegue qualquer coisa, inclusive vencer guerras, mas novamente é ver só parte da atuação de seu poder.
Tem um famoso ditado que traduzido ele é mais ou menos assim:
Cuidado com seus pensamentos, pois eles se tornam palavras.
Cuidado com suas palavras, pois elas se tornam ações.
Cuidado com suas ações, pois elas se tornam hábitos.
Cuidado com seus hábitos, pois eles se tornam o seu caráter.
Cuidado com seu caráter, pois ele se torna o seu destino.
Nossos pensamentos são moldados em palavras, você estrutura seus pensamentos lógicos através de palavras. Em síntese, a sua noção de ser consciente que emergiu da evolução de seu inconsciente, é formado de palavras, pois você pensa através delas.
Por que as pessoas tentam tanto rotular o mundo? Pois as coisas se tornam de mais fácil compreensão quando elas tem um nome. (O problema é claro, que muitos dos rotuladores de plantão só tem pensamentos binários)
É fácil começar a perceber isso ao pensar em um sentimento. São tantas substâncias liberadas em seu corpo, em doses tão anormais e em partes do corpo tão distintas, que você não sabe explicar direito aquele pulso acelerado e aquele comichão na boca do estômago. Daí para você explicar seu sentimento você se utiliza de várias e várias palavras, até você se perder no meio delas e por fim, não conseguir se explicar direito nem para si mesmo nem para as pessoas ao seu redor. Mas dizer, por exemplo, que estava com saudade é muito mais fácil que explicar o sentimento (como você se sentia, em cada pedacinho do seu ser), pois dizer saudade já remete a vários conceitos e ideias, e partir já de uma base tão bem estruturada e complexa para se exprimir, é muito mais fácil.
Agora imagine um sentimento mais complexo. O amor é mais complexo (talvez), mas é muito recorrente. Imagina um sentimento incomum, tão complexo quanto o amor, só que poucas pessoas neste planeta já sentiram, logo não há um nome para ele. Você nunca ouviu relatos do que você está sentido, então confunde facilmente com algum outro sentimento "será que o que estou sentido é o que chamam de ataque de pânico? será que é só uma azia? devo estar apaixonada".
Por que as pessoas tentam tanto rotular o mundo? Pois as coisas se tornam de mais fácil compreensão quando elas tem um nome. (O problema é claro, que muitos dos rotuladores de plantão só tem pensamentos binários)
É fácil começar a perceber isso ao pensar em um sentimento. São tantas substâncias liberadas em seu corpo, em doses tão anormais e em partes do corpo tão distintas, que você não sabe explicar direito aquele pulso acelerado e aquele comichão na boca do estômago. Daí para você explicar seu sentimento você se utiliza de várias e várias palavras, até você se perder no meio delas e por fim, não conseguir se explicar direito nem para si mesmo nem para as pessoas ao seu redor. Mas dizer, por exemplo, que estava com saudade é muito mais fácil que explicar o sentimento (como você se sentia, em cada pedacinho do seu ser), pois dizer saudade já remete a vários conceitos e ideias, e partir já de uma base tão bem estruturada e complexa para se exprimir, é muito mais fácil.
Agora imagine um sentimento mais complexo. O amor é mais complexo (talvez), mas é muito recorrente. Imagina um sentimento incomum, tão complexo quanto o amor, só que poucas pessoas neste planeta já sentiram, logo não há um nome para ele. Você nunca ouviu relatos do que você está sentido, então confunde facilmente com algum outro sentimento "será que o que estou sentido é o que chamam de ataque de pânico? será que é só uma azia? devo estar apaixonada".
Mas assim que aquele sentimento ganha um nome, você consegue discutir ele, consegue encontrar outras pessoas que tenham sentido ele, consegue debater e investigar sobre ele e por fim abstrair sua existência.
Agora pare de pensar em sentimentos e expanda isso para tudo aquilo que você desconhece.
Saiba que sem palavras, você não consegue estruturar certos pensamentos, e se você precisa substituir uma palavra em uma sentença, por vários conceitos distintos e dispersos, talvez você nunca consiga formar a sentença no final.
Vou pegar, por exemplo termos relativamente novos para a sociedade moderna: não-binários e drag queen. (aliás, alguém sabe se há uma palavra para "pessoa que acredita em várias religiões"?)
O não-binário é muito louco, pois é um termo que se formou no inglês (como genderqueer), para só então conseguir se formular no português, através do sentimento daquelas pessoas que não conseguiam se encontrar nem como homem nem como mulher. Já a Drag Queen nem no português se converteu, ficou mesmo no inglês para ser utilizado a vontade, que é aquilo de montar um personagem em si próprio, sem que isso influencie sua identidade de gênero ou sexual (um homem pode se travestir em mulher, uma mulher pode se travestir em homem, uma mulher pode se montar uma outra mulher e um homem em um outro homem — mentira, quando o personagem final é um homem, acho que chamam de Drag King, mas deixarei juntinho aqui), contudo isso de querer se montar é inconcebível na cabeça fechada de muita gente, que elas reprimem, sendo por isso muito mais fácil achar pessoas do universo LGBT no meio Drag (pois já estão acostumadas a quebrar tabus e a não se reprimem tanto, quanto o hétero que está preocupado em manter seus status de virilidade).
[Particularmente eu não traduziria Drag para Travesti, pois Drag é algo mais artístico e Travesti é apenas uma forma de expressão de gênero (por motivos pessoais ou políticos até). Apesar de Travesti ser utilizado também de forma pejorativa para aqueles que se travestem e se prostituem, Drags não se encaixam nesse conceito também. Exemplo: o cartunista Laerte Coutinho se travesti, mas ele não é uma Drag (não faz shows artísticos travestido) e também não se prostitui, logo ele é um travesti (mas não no termo pejorativo). Perceba que se travestir é só uma forma de expressão, não influencia em nada sobre sua sexualidade ou identidade de gênero. Ele ainda se entende como homem e hétero.]
Pensando bem, esses termos não são novos para nossa sociedade contemporânea e talvez eu não esteja conseguindo passar a ideia certa. Tentarei por um outro caminho, afim de esclarecer.
Assim como o termo Drag, você já deve ter ouvido falar que muitos termos de uma língua estrangeira não tem uma tradução direta, sendo que em alguns casos as pessoas nem conseguem traduzir, porque simplesmente não há tradução (mas não é porque não há tradução, que não conseguimos abstrair o conceito dessas palavras e aprender a utilizá-la...). Esta aí uma das coisas mais legais de se estudar idioma (para mim pelo menos): aprender novos conceitos sobre outra perspectiva.
Linguagem é uma coisa fantástica, pois como cada palavra remete a uma série de conceitos; todas as palavras, são conceitos levemente diferentes para cada um de nós, mesmo aquelas mais comuns de nosso dia-a-dia ou as que representam coisas físicas e palpáveis. Ao dizer a palavra "árvore", todos saberão do que me refiro, mas todos temos uma ideia ligeiramente diferente da definição de árvore, todos puxam na memória, a primeira instância, uma imagem de uma árvore diferente e diversos pequenos conceitos sobre essa palavra (um outro exemplo mais besta, porém mais papável: a palavra "limão". Para nós brasileiros geralmente vem coisas relacionadas como "verde" e "azedo", porém para pessoas de zona temperada pode vir a mente "amarelo" e "cítrico", isso porque o tipo de limão mais comum em cada região é diferente. Não significa que não conhecemos o outro tipo de limão, é só que sem muito contexto ou muito tempo para pensar sobre, puxamos as palavras associadas mais comuns do nosso dia-a-dia). O interessante é que quanto mais abstrato são as palavras maior a divergência de conceitos que cada um tem delas, como "dinheiro", "trabalho", "fome", "bem-estar", "estresse", "amor" etc. Mas obviamente são divergências pequenas, pois ainda conseguimos captar sobre ao que se refere (senão não haveria comunicação), mas o acumulo de pequenas divergências, às vezes faz surgir maus-entendidos, faz gerar mal-estar em algumas pessoas sem que elas percebam, mas principalmente traz ideias diferentes a cada um de nós. As mesmas palavras podem influenciar e inspirar pessoas de modos muito diferentes!
E o quão fantástico é estudar um novo idioma e aprender diversos novos conceitos. Mesmo que se aprenda um novo vocabulário fazendo associações com sua língua materna e até com traduções, você percebe que uma mesma frase soa muito diferente em seu significado em outro idioma, pois as palavras carregam pesos diferentes em cada língua e principalmente: elas carregam conceitos diferentes. Às vezes uma palavra estrangeira pode significar três em sua língua materna e ao escolher um destes três significados e montar uma frase, a ideia principal é passada através daquele signo que você recorreu, mas mesmo assim, ali por trás, nos bastidores do seu inconsciente, os outros dois significados daquela palavra, trás certo peso na mensagem final, pois naquele idioma todos aqueles conceitos e ideias estão vinculados aquela mesma palavra. Multiplique esse fator ao número de palavras em suas sentenças.
Desculpem-me se soei complicado, mas resumindo a ópera: aprender um novo idioma é aprender um novo jeito de pensar. Para mim é ir desvendando o mundo através dos olhos de outros povos e culturas. É ganhar novas perspectivas.
Eu não saberia analisar bem o que aprendi com o jeito de pensar do idioma português, pois é minha língua materna e estou muito imerso nele para conseguir ver seu todo em mim / ver suas influências em meus modos de pensar, mas posso falar de meus outros idiomas.
Devo só ressaltar que este texto todo foi feito quando eu tinha/tenho 21 anos de idade, logo espero que minha lista de idiomas tenha aumentado no futuro.
Com o inglês eu aprendi a simplificar. Aprendi várias coisas diferentes, claro, mas de início o que mais abstrai do inglês foi seu fato de uma palavra significar muitas coisas (e isso dá a liberdade para tanta ambiguidade, trocadilhos e ganhos de pensamentos que puxam outras pensamentos...), logo eu conseguia passar várias ideias, com muito pouco vocabulário e trazendo isso para minha vida no português eu aprendi a dizer muito com pouco. Mas não foi só isso. No inglês aprendi várias expressões legais, contudo uma que quero ressaltar, pois acho que não tem ela em português é Godspeed, que é meio que um boa sorte, mas ao mesmo tempo um "o que terá de ser será", acontecerá ao tempo (na velocidade) de Deus. [Já dando uma adiantada, este link entre as palavras "tempo" e "velocidade", se tornou muito claro para mim com o alemão...]
Há também "trade-off" que eu não conseguiria nem explicar direito, então deixo pro Google. ;)
Antes de sair do tema inglês, devo dizer que sou um grande fã das produções culturais do Reino Unido (S2 BBC) e claro, eu sou um grande consumidor das produções americanas (USA), pois eles maravilhosamente produzem tanto, mais tanto, que atirando para todos os lados como eles fazem, obviamente eles acertam alguns. E não tem como, quanto mais o filme passar por traduções, mais ele se perde (perde-se muito nos detalhes!). Particularmente tenho um caso sério contra dublagens. Então, pelo amor de zeus: aprendam pelo menos o básico de inglês. Mais da metade da internet está em inglês!!
Agora com o alemão aprendi quase que o contrário do inglês, aprendi a ser mais preciso e específico com o que quero, pois no alemão eles tem muitos substantivos e verbos extremamente específicos (e não têm ações continuas, só pontuais). Então era necessário muito vocabulário para não passar a ideia errada. Porém o alemão é estruturado em uma base gramatical tão diferente, como posições específica das palavras, frase principal e "auxiliar" (Nebensatz), quatro casos (nominativ, akkusativ, dativ, genitiv), ... que para mim ficou muito óbvio que estava aprendendo um novo jeito de pensar.
O alemão ainda possui o gênero neutro, possuindo no total três gêneros, de forma que vi que essa ideia de gênero é uma construção cultural (da sociedade) e não da natureza ("água" por exemplo, não tem genitália alguma, então porque ela é feminina? Por que é "a" água?), além de as construções de palavras emendando uma as outras, para formar novas palavras. Foi assim que consegui enxergar ligação entre algumas palavras, e consequentemente, entre algumas ideias, as quais nunca tinha associado antes (assim como precisei do francês para ver a relação entre "cantar" e "encantar").
Acho que nunca desconstruí tanto o sentido das palavras, quanto em meu estudo do alemão. Mas de todas as palavras, vou destacar uma aqui, que novamente não possui tradução e que foi de grande impacto para mim: Schagfertigkeit. Basicamente é aprender a duelar com as palavras. É uma técnica passível de treinamento e é uma das melhores armas contra o bullying, por exemplo. Aliás, quem ataca uma pessoa armada?
Uma tradução extremamente tosca, seria dizer que a pessoa tem uma língua afiada, mas é muito além disso. É saber atacar e se defender com as palavras com precisão.
Novamente reitero, aprendi muito mais e vastamente, mas não quero me delongar aqui neste texto já enorme.
Meus conhecimentos de francês e japonês ainda estão muito básicos para que eu comente algo, e o espanhol é muito próximo do português, de forma que não consegui abstrair nenhuma novidade além de novas fonéticas, contudo estou sempre em busca de novas perspectivas e novos meios de pensar e descobri que outras culturas e outros idiomas é justamente o que vai me trazer o que procuro. Infelizmente no japonês ainda estou preso aos caracteres iniciais de hiragana e katakana, mas sou grande consumidor de cultura japonesa (e agora começando a ficar de cultura coerana também) e acho sempre mágico o jeito diferente deles pensarem e se expressarem, assim como é diferente do jeito alemão, britânico, americano, mexicano e brasileiro.
Hoje posso dizer que consigo abstrair e formular alguns pensamentos muito mais complexos, pois tenho vocabulário para isso, sendo que parte desse vocabulário é um vocabulário estrangeiro. E até hoje amo visitar o dicionário e aprender sempre novas palavras.
Todavia, como se pode perceber por este texto, ter vocabulário não é sinônimo de conseguir se expressar bem. Sei que tenho dificuldades e um dos propósitos deste texto, que citarei ao fim dele, é justamente conseguir superar, pelo menos em parte, esse meu déficit de expressão (conseguir ser mais claro) e reduzir um pouco meus vícios de linguagem.
Só um detalhezinho a acrescentar: atualmente não me sinto fluente em nenhum idioma, apesar de conseguir compreender razoavelmente bem inglês, alemão e espanhol. Espero melhorar enquanto a isso no futuro e me tornar um poliglota fluente. Contudo, acho que fome, por falta de comunicação, eu não passo.
Espero ter conseguido pelo menos convencer um pouquinho sobre o poder que as palavras têm, mesmo assim já complemento com uma frase do anime Code Geass: Lelouch of the Rebellion: não se pode mudar o mundo com palavras bonitas apenas (em inglês: The world can not be changed with pretty words alone). E como sou ridículo, com mais um ditado: se quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo. Você deve ser a mudança que você quer para o mundo.
Eu poderia na verdade, ter feito esse texto todo só através de citações, tanto porque a humanidade já tem milênios de produção, o que até torna difícil ser original em algum ponto no meio de todos os pensamentos e textos que me precedem. E plágio então? Será que estou plagiando alguém? É bem provável que sim, pois nosso cérebro absorve muitas coisas consciente e inconscientemente e reproduzimos, criamos e recontamos tudo o que tivemos contato, às vezes sabendo disso e muitas vezes sem ao menos notar. Então é bem provável que meu texto na verdade seja só recortes de vários outros textos por aí, mas não me importo, pois creio fazer parte do caminho da humanidade.
Eu creio fielmente que a humanidade está aqui para criar algo. Criar algo extremamente complexo. Algo tão complexo quanto Deus, de forma que nem conseguimos imaginar ou sonhar ainda com isso, assim como você não consegue imaginar uma nova cor.
Acredito que a humanidade está abrindo caminhos na criatividade através de produções culturais, inspiradas em produções anteriores a elas e que por sua vez foi inspirada por pensamentos anteriores a essa e assim por diante.
Você acha que alguém do século XII conseguiria algum dia imaginar (só imaginar) um smartphone touchscreen? Nós conseguimos imaginar que no futuro haja teletransporte e hologramas (possivelmente inspirado em obras de ficção científicas), mas quantas tecnologias atuais as pessoas de 50 anos atrás nunca nem imaginaria? Pergunte-se, quantos livros ou textos do primeiro milênio depois de Cristo (ou antes), mesmo os de ficção científica, descreve métodos de comunicação a distância como temos hoje? Nenhum? Quase nenhum? Isso, porque construímos o que conseguimos imaginar e conseguimos sonhar tendo como base aquilo que já existe, pois estamos num constante processo de criar e ir melhorando o que temos, e é neste melhorar que criamos coisas cada vez mais complexas. Não teríamos como criar um tablet sem antes inventar o telefone fixo.
Há uma pesquisa que mostra que na época da TV preto e branco, a maioria da população sonhava muitas vezes em preto e branco também, e que a sociedade começou a sonhar mais colorido com o advento da TV a cores. O quanto então nossas tecnologias influenciam nossos sonhos? Eu realmente acho que o homem das cavernas nunca sonhou com o plástico, com a garrafa pet ou com uma máquina automática de fazer café.
Enfim, eu realmente acredito que a humanidade está aqui para que com as mudanças e novas produções (culturais e tecnológicas) conseguimos ampliar nossos horizontes da criatividade e conseguirmos [quem sabe, daqui mil anos] construirmos algo de que o Universo tanto precisa. E sinceramente, eu gostaria de contribuir com a humanidade nisso.
Mas dando um exemplo sobre o "plágio", vou apresentar-lhes a seguir uma teoria de minha própria autoria e verão que não é nada inovador e provavelmente são várias partes de outros dizeres espalhado por aí, contudo através de uma pequena pesquisa no Google, não consegui encontrar "minha teoria" por aí, logo assumo que ela é algo original e não só meu cérebro trazendo a tona antigas memórias. O original que digo aqui é: ninguém ainda compilou essas informações da forma que juntei. Só isso. Assim como os textos que produzirei nesse blog, serão originais meus, nada sob esse sol e essa lua são de fato 100% originais e é aí que está a beleza: nada é realmente novo.
A disposição e perspectiva diferente de algo "não-novo", colocando em um novo contexto ou simplesmente em outra ordem, podem despertar novas ideias. Ainda mais dependendo de quem será tocado por esses conceitos. Porque às vezes mais importante do que "o que" é o "como". Às vezes surgem novas ideias na sutil mudança dos detalhes de algo "velho".
Disposição e Perspectiva! O velho em um novo contexto!
Enfim, minha teoria dos 5 tipos de ignorância (que devo dizer que ainda está em construção):
• Não saber se sua existência
• Conhecer algo erroneamente
• Conhecer algo parcialmente
• Saber de sua existência e não conhecer
• Ilusão
É uma teoria de categorização dos tipos de ignorância que enfrentamos, pois para mim era fundamental saber com um pouco mais de precisão o quão ignorante sou e como estou sendo ignorante, para que eu possa me reciclar e melhorar.
Irei explicando brevemente de cima para baixo, pois eu não faço a mínima ideia se só os tópicos já falam por si só.
A ignorância da ilusão é a ignorância burra para mim. Quando alguém utiliza a palavra ignorante como sinônimo de burro ou de pessoa de mente fechada, para mim ela está se referindo a este tipo de ignorância, em que uma pessoa cria uma ilusão ou simplesmente se fecha para acreditar somente naquela realidade que ela adotou para ela, não importando qualquer prova ou evidência que você mostre para ela. A ignorância da ilusão não aceita argumentos e é difícil de tratar ela.
A ignorância de saber de sua existência e não conhecer acho que é a mais aceitável para mim. É quando você sabe que a coisa existe, mas no momento você não tem muito interesse nela, contudo se algum dia você precisar, pode pesquisar sobre e aprender. Como se você soubesse que existe organelas dentro de suas células, mas não sabe quais nem sabe o que fazem. O dia que você se interessar, você pesquisa e se aprofunda nesse conhecimento. Ou você sabe que houve a revolução industrial, mas não decorou suas datas, contudo o dia que você precisar você abre o Wikipédia e pronto, tem sua informação.
A ignorância de conhecer algo parcialmente é perigosa, pois é justamente como ouvir só uma versão dos fatos ou ouvir só metade da história. Você pode acabar defendendo o lado errado (de acordo com sua própria ética, caso soubesse de toda a história). No caso a ciência vive constantemente nesta ignorância, contudo eles estão bem cientes disto o que faz com que ela não seja tão perigosa assim. A física por exemplo, com Newton, a física clássica, tínhamos conhecimento de uma parcela bem pequena de como funciona o universo, mas daí veio Einstein e mostrou com a teoria relativista que conhecíamos apenas uma parcela da física. A física clássica que conhecíamos não estava errada, mas era apenas uma parte da história, uma particularidade, não o todo. E hoje sabemos que mesmo a física moderna não é tudo. Há várias teorias contemporâneas ainda mais globais e genéricas que tentam englobar a teoria clássica e a relativista, sendo uma destas teorias a teoria das cordas, em que trabalha com diversas dimensões (17 eu acho), além das 4 aceitas hoje em dia (3 dimensões espaciais e 1 temporal).
Mas enfim, quando estamos cientes de nossa ignorância e queremos melhorar, ela não se torna mais um perigo e sim um motivador para irmos mais longe. Imagine se a ciência não compreendesse sua ignorância e até mesmo ter a maturidade de entender que conceitos sólidos e antigos podem estar errados, nem de perto teríamos acesso as tecnologias que temos hoje.
A ignorância de conhecer algo erroneamente é parecida com a parcial de certa forma, mas é como o próprio nome diz: é quando acreditamos ter a informação certa (parcial ou total), porém é uma informação falsa/errada. O problema maior dela é justamente de que acreditamos que temos uma informação verdadeira e confiável, pois se ao menos soubéssemos do erro, tínhamos a opção da segunda ignorância comentada (de saber de sua existência e não conhecer): ter a opção de correr atrás. Um exemplo: você acha que um silenciador de arma, realmente abafa o som do tiro de forma que ninguém no comodo ao lado ouça?
Lembro-me no ensino médio a desconstrução em minha mente que foi, descobrir que o coração simplesmente não pulsava se contraindo todo e depois se expandindo, mas sim que ele contraia sua parte superior [os átrios] enquanto relaxava a parte inferior [os ventrículos] e depois fazia o inverso, de forma alternada (não ele todo, como eu via nos desenhos animados).
E agora a pior ignorância de todas ao meu ver: a de não saber de sua existência. Quando a ignorância é tão grande que você não sabe que ignora. É esse tipo de ignorância que mais me aflige e que mais tento converter, no MÍNIMO no tipo saber de sua existência e não conhecer, pois se não sei de sua existência, nem cogitar sobre ela eu posso. Quando então será que minha imaginação poderá alcançar tais conceitos?
Você sabia os raios vão da nuvem para o solo, às vezes do solo para a nuvem e ainda às vezes da nuvem para a própria nuvem ou uma nuvem vizinha? Provavelmente sim, mas você sabia que pode acontecer de o raio subir da nuvem que está na troposfera para a mesosfera? São conhecido como raios sprites. São mais raros, pois é uma situação em que é mais difícil de se fechar o circuito [onde a corrente elétrica possa transitar], mas existe.
Você assisti Doramas? Sabe o que é um estereograma? Qual a diferença entre femismo e feminismo? O que é um esper? Sabia que uma mulher menstruando às vezes acha que só está precisando ir fazer cocô? O que você sabe sobre signo (me refiro a significante e significado)? Como se aplica Briot Ruffini para reduzir o grau de um polinômio? Você consegue reconhecer um pé de limão japonês na rua? O que é neuróbica? Já se perguntou se a disposição dos cabos de energia elétrica interferem nas perdas de transmissão? Qual a última tecnologia desenvolvida pela NASA? Você gosta de carne de rinoceronte? Tem um jogo que você adoraria jogar! Se você o conhecesse você o amaria, mas... não conhece.
Enfim, essa é a ignorância que mais me motiva, pois me pergunto quantas coisas ao meu redor que estão a minha frente e eu estou ignorando-as por não compreender sua existência. Essa é a mesma ignorância de quando você não conhece uma pessoa (de sua escola/faculdade/trabalho/vizinhança), mas daí um amigo em comum te apresenta a essa pessoa e você então começa a reconhecer e a encontrar aquela pessoa em vários lugares (pergunte-se: ou aquela pessoa sempre esteve perto de você ou ela readequou sua agenda pessoal para vocês se esbarrassem mais por aí). Você simplesmente não sabia de sua existência, mas assim que a tirou da ignorância, você soube reconhecê-la e pode até desenvolver uma amizade fantástica com ela. Agora se pergunte: quantas pessoas legais você não conhece, pois para você é apenas mais um na multidão de estranhos?
A inocência para mim é um tipo de ignorância, geralmente encontrada nos mais novos de idade, mas não sei se é um tipo de ignorância a parte (talvez seja meio forte chamar uma criança de ignorante, por isso preferimos esse "eufemismo" para protege-las de algo que elas não tem culpa...). Por exemplo, a inocência de acreditar em Papai Noel e Coelho da Páscoa é uma ignorância de conhecer erroneamente, mas também pode vir a ser de ilusão. A ignorância de sexo, dependendo da idade é de não saber de sua existência, mas também quando mais velho pode ser que ela só não tenha compreendido o todo ainda, devido a superproteção de alguns, de forma que ela só é ignorante de conhecer algo parcialmente, ela só precisará ligar os pontos.
Enfim, não sei. Como disse no começo essa é apenas uma teoriazinha que estava desenvolvendo para mim próprio, tanto que ela está numa forma muito rústica e com nomes muito toscos ainda.
Agora, um pouco mais de realidade e problemas atuais (de final de 2016): o problema da reforma do Ensino Médio. Um problema gravíssimo, uma vez que ele não é visto como um problema.
Pensando um pouco no nome das coisas: o Ensino Fundamental tem esse nome, pois consideramos conhecimentos fundamentais e essenciais para qualquer pessoa (o mínimo de educação), como saber ler, escrever e somar, por exemplo. Tempos depois disso o Ensino Médio e Ensino Superior. O Ensino Médio é aquele que abria seus horizontes para você engajar ou não num ramo específico, em um Ensino Superior, focado numa daquelas áreas do Ensino Médio (o que te traz até Metade do caminho; o ponto Médio). Bem, mas esse era o sistema antigo.
Isso tinha falhas? Bastante!
É obvio que um sistema genérico desses não ia abarcar todas as pessoas. Quem tinha mais apitadão prática ou quem não queria seguir uma vida de estudos em uma faculdade, já não se encaixava nesse sistema. Pense só uma pessoa que queria por a mão na massa ou tinha o dom para culinária, ou ser vendedor, ou cabeleireiro, ou confeiteiro, ou piloto, ou pedreiro etc. Esse sistema não os deixava seguir seu sonho muita das vezes. Faziam se acharem burros por não encaixarem no sistema. Marginalizava muitas profissões.
However, ao invés de procurarem resolver o problema, ampliando as possibilidades de ensino e tal, preferiram fuder com a porra toda para que atendesse minimamente o problema anterior, sem se preocuparem com aqueles que já estavam bem no sistema, de forma a deixar todo mundo que precisasse da educação com uma coisa meia-boca. (Simples: se um sistema está funcionando a muito tempo, por pior que ele seja, é porque tem uma boa parte dele que funciona! Por isso está aí a muito tempo. Se não funcionasse, pelo menos uma grande parte, não teria durado tantos anos. A questão é que muitos sistemas não se adequam e modernizam com o passar do tempo e com as novas realidades da sociedade.)
Novamente eles resolveram mudar o sistema educacional de cima para baixo. Parece que não entra na cabeça deste povo que precisa começar mudando na base. Mas vamos lá. Agora o estudante não mais "desperdiçará" tempo estudando para um monte de matérias (as matérias que eles não gostam). O estudante montará sua grade a acordo com sua afinidade, o que lhe permitirá se aprofundar e dar mais atenção no que ele realmente vai usar nada vida etc.
De acordo com o MEC haverá uma área de estudos comum que não poderá exceder metade da carga horária do aluno "e o restante do tempo será composto por diferentes ênfases nas áreas de conhecimento ou de atuação profissional: I – linguagens; II – matemática; III – ciências da natureza; IV – ciências humanas; V – formação técnica e profissional" que ficará a critério de cada escola, ao que parece (cada escola terá na "formação técnica e profissional" cursos diferentes).
Nossa, não sei nem por onde começar.
Primeiro, que as faculdades terão que readequar seus métodos de seleção para o ingresso no corpo de discentes, pois não poderá haver provas realmente desafiadora de todas as áreas, pois o aluno só saberá o básico, tendo menos da metade da carga horária nos assuntos "gerais". Logo precisa ter provas específicas para as ênfases escolhidas. Mas isso nem de longe é minha preocupação.
Minha preocupação é fazer crianças terem que escolher o que vão querer da vida com 13/14 anos mais ou menos. Se com 16/17 anos já me sentia muito novo para escolher o que fazer pelo resto da minha vida, tendo mudado de ideia umas 20 vezes no mínimo, imagina uma pessoa na pré-adolescência, toda confusa e sobre pressão, porque se ela já estiver certa que quer um curso técnico (o que é uma piada dizer sobre suas certezas na pré-adolescência), você terá que já procurar um colégio que terá aquilo que você almeja.
Se você faz uma pessoa escolher cedo demais, caso ela resolva mudar de ideia, em uma outra área de estudos, ela se sentirá totalmente desmotivada e sem preparo, pois ela não terá quase nenhuma base naquilo.
É loucura adiantar tanto uma escolha tão importante quanto sua futura profissão. Se nas faculdades as pessoas vivem mudando de curso, cada vez mais, em busca do curso certo para elas, pois, pirem, elas se equivocaram ao escolher seu curso com 17 anos de idade. Imagine essa nova geração neste sistema louco?
Mas sabe o que é pior? É este sistema trazer uma enorme geração para a ignorância "não saber de sua existência".
Como você não vê mais todos os assuntos e nem tem a possibilidade de montar uma grade para ver todos os assuntos (devido a choque nos horários), essas novas crianças deixarão de ter tantos conhecimentos gerais que elas mal saberão sobre coisas que podem empolgá-las a estudar ou não.
Talvez uma pessoa se apaixonasse por botânica ao ver o processo reprodutivo das plantas e das diferentes classificação de plantas, e também se encantasse com genética, mas ela não chegou a estudar coisas tão "aprofundadas" como essas, pois como ela tirava boas notas em matemática ela achou que seguiria uma carreira nas exatas.
Estamos criando verdadeiros escravos de um sistema, onde cada um só saberá fazer uma coisa, algo tão específico, que se ele precisar se inovar ou mudar de ramo conforme o mercado de trabalho, já era, desista. Ou sofra! Corra atrás! Ninguém mandou você se indeciso quando jovem. Isso de transferir responsabilidades tão grandes não seria um roubo da juventude? E novamente pergunto: como uma pessoa pode escolher sem experimentar várias coisas antes? Ela vai escolher só pelo o que ela ouviu 30 minutos em uma palestra?
Desculpem-me, mas achei essa uma reforma ridícula e que destruirá o Brasil de dentro para fora, mas não bruscamente, infelizmente, pois se fosse de forma brusca as pessoas conseguiriam ver o problema com clareza e tentaria consertá-lo..., mas teremos uma degradação gradual e lenta e jovens cada vez mais infelizes e depressivos.
Eu não sei se conseguiria sugerir algo melhor, mas se fosse para piorar eu não meteria a mão. O problema é que tentam imitar parte de sistemas complexos e já consolidado de outros países sem analisar direito nossa realidade e quais seriam seus impactos aqui.
Contudo eu tenho uma leve noção do que seria uma boa educação no meu conceito. Uma educação que formasse indivíduos diferenciados, pois só com a diversidade de pensamentos é que podemos construir um mundo melhor. E quem sabe, com mais diversidade teríamos mais tolerância com o diferente e com o novo e mais respeito uns com os outros.
No sistema atual, que chamarei de "antigo", só há aulas expositivas em grandes salas com mais de 40 alunos, o que é tratar todos como uma grande massa, em que todos aqueles indivíduos conseguem absorver o conteúdo de um aula, todos recebem a mesma educação indiferente de suas particularidades, uma verdadeira produção em massa de copiadores e decoradores. Com o "novo" sistema teremos apenas seres de capacidades específicas, em uma sala com ainda 40 alunos?! Pois no sistema antigo, era necessário várias salas para várias turmas em uma mesma série, mas agora com a divisão, as turmas específicas serão em uma quantidade menor, mas as aulas ainda serão para massas.
Minha solução de modelo ideal entretanto é inviável nesse mercado das instituições de ensino lucrativas. É simplesmente reduzir o número de alunos de uma turma a menos que 10 alunos.
Primeiramente acho extremamente importante que o aluno tenha contato, com um bom certo nível de profundidade (nada de superficialidades), mesmo que gradativamente a cada ano, no máximo possível de áreas de estudo. Segundamente, e mais importante, que cada aluno tenha um professor tutor, sendo que esse professor não pode tutorar mais que dez alunos, pois com até dez alunos o professor-tutor pode dar uma atenção especial a cada um deles, perceber suas particularidades e individualidades e tentar encaminhar seus estudos de forma direcionada.
Eu sei que isso da certo, pois vivenciei isso, com meu Clube do Livro com o Gustavo. O incrível desse método de tutor é que cada aluno sai da escola com uma educação completa, porém ainda sim diferenciada, pois elas recebem influências diretas de professores diferentes. Seria possível ter estudos direcionados para uma vida acadêmica, quanto para a vida em geral (ou pensando de forma mais "profissional", nas aulas de história, filosofia e sociologia, apesar de verem todo o essencial, cada tutor pode trazer certas ênfases mais interessantes...). Além de que pro professor seria ótimo, pois ele não precisaria apenas ficar se repetindo, dando uma mesma aula, todo semestre ou a mesma aula na mesma semana para diferentes turmas. Ele poderia se reciclar e se inovar sempre, trazendo novos conteúdos e novos jeitos de dar aula, que se adeque melhor ao seus tutorados. Aliás o método de aula, se expositiva, se de leitura e tirar dúvidas, se prática, ficaria a critério de cada tutor.
As provas, seriam interessantes se formuladas e aplicadas por uma bancada de professores, para ver se os alunos aprenderam o essencial de todas as áreas destinadas a serem estudadas naquele período. Seria interessante também haver reunião de grupos de estudantes de tutores diferentes para desenvolverem a dialética e discutirem temas diversos, para desenvolver o ponto crítico dos alunos e um grupo entrar em contato com os ensinamentos que o outro tutor transmitiu.
Imagine só, um aluno apto para a gastronomia ainda sim ser um ser pensante e que conhece e domina várias áreas do conhecimento. Uma pena que é inviável, pois não temos a cultura de respeitar professores, não temos a cultura de valorizar essa profissão (ao contrário, a gente marginaliza ela e deixa no mercado vários professores sem um pingo de didática por ai), não nos importamos realmente com a educação e deixaremos de fomentar um grande mercado de escolas particulares que lucram absurdamente com esse sistema de poucos professores para pagar e de muitos alunos para receber.
Acho que ficaria feliz de simplesmente haver diferentes tipos de escolas com diferentes tipos de ensino e não apenas várias escolas com um mesmo método, se diferenciando apenas em poucos detalhes.
Pensando bem, essa parte do texto não diz respeito ao propósito dele, mas aproveitando que já o escrevi, digo mais uma coisa de minhas vãs análises da História: aqueles que se sobrepunham e que mudaram o mundo, eram aqueles que tinham uma educação diferenciada, aqueles que conseguiam pensar além, diferente dos demais a sua volta...
Talvez eu seja muito utópico, pois nunca pensei aprofundadamente sobre o assunto, uma vez que mesmo que eu pensasse, as chances de minha ideia se aplicada neste país são negativas. Quem sabe, pensando um pouco mais eu encontre várias falhas de implementação. Não sei. Talvez eu atribua um pouco dessa culpa a meu pilar político.
Não me refiro a política do estilo House of Cards, de Senadores, Governadores, Prefeitos, Deputados et cetera, tanto porque sou todo perdido nas alianças políticas, dos golpes, das traições políticas, dos jogos de interesses e por aí vai. Política é um tema bem complicado e no que se refere a meu comportamento político em relação a economia, eu acho que sou meio liberal, não me importo muito qual o sistema econômico é adotado, pois acho que todos podem dar certo se bem gerenciados. Já nas questões sociais, creio ser bem de "esquerda", pois adoro uma mudança, adoro uma revoluçãozinha, mas o que mais busco e apoio mesmo é tolerância e respeito. E acho que nenhum extremo ou excesso seja bom (sei que 'nenhum' é uma palavra forte, mas já pensei muito sobre o assunto e não encontrei uma exceção para esse nenhum ainda). Precisamos saber ponderar também e até mesmo saber parar, quando alcançamos certos objetivos, pois se só expandirmos fronteiras sem tempo para nos fixarmos e nos estabilizarmos um pouco, não saberemos mais lidar e gerenciar os novos domínios, mas acomodar também na zona de conforto é que não podemos. É necessário o equilíbrio. O equilíbrio revolucionário ;)
Ahh, mas não me entendam mal. Não gosto de todos os tipo de mudança. Nem mesmo de todos os tipos de "evolução" (que é um tipo de mudança). Não gostaria de saber que meu câncer evoluiu. A verdade é que compro muito a ideia do equilíbrio neste universo entrópico.
A busca do equilíbrio no mundo entanto faz crescer tanto o lado bom, quanto o ruim e preciso saber conciliar isso dentro de mim. Como disse anteriormente: "Se quer a mudança no mundo, comece em você, por você. Sê a mudança quer quer ver no mundo.". Pois bem, tento ser, eu preciso ser esta famosa metamorfose ambulante de Raul Seixas, pois ao bem da verdade, enjoou muito rápido das coisas e para conviver comigo mesmo, tento sempre manter essa minha inconstância, sempre uma nova pessoa (e sem querer talvez eu tenha criado algumas personalidades... — até o momento tenho ciência de quatro dentro de mim; mas para minha sorte há harmonia entre nós). Talvez por isso não vejo meu pequeno problema de memória um real empecilho. Sem o esquecimento eu não poderia rever conceitos tão básicos, de verdade que ignoro por já achar sabe-los. Como por exemplo, porque a noite é escura? É uma verdade tão absoluta e empírica, porque desde que nascemos ela sempre foi escura, logo não pensamos em questionar isso. Não quando se esquece o motivo, até perceber que você nunca soube o motivo e que muitas coisas você só aceitou.
É verdade que qualquer ponto do céu que você apontar, por mais escuro e sem estrelas que ele pareça, há milhares de estrelas naquela direção (caso tenha um telescópio super potente, facilmente se verifica isso). Logo, como há estrelas em cada espacinho do céu noturno, não deveria ser o céu a noite todo claro por causa das estrelas? Nem que fosse um grande pisca-pisca fora de ordem?
Há uma explicação, claro. É que o universo está se expandindo, desde o Big Bang, e o brilho que as estrelas e planetas emitem, devido a tal movimento é distorcido, como acontece com as ondas sonoras no efeito doppler (aliás o efeito doppler é valido para quer tipo de onda, inclusive a luz, como é o caso), logo o brilho de muitos corpos celestes que estão se afastando de nós entram no espectro do infra-vermelho, logo não conseguímos enxergar, mas para alguns animais a noite é bem clara e iluminada.
Mas o esquecimento também muitas vezes me fez repensar conclusões que já havia chegado antes [por simplesmente não lembrar a que conclusão havia chegado]. Engraçado, pois na maioria das vezes ao achar uma solução para um problema e conseguia me lembrar da solução que tinha encontrado antes. às vezes batia, às vezes não.
Porém é só um lado do esquecimento, pois já passei por bastante constrangimento por ter esquecido algo, principalmente o nome ou a fisionomia de uma pessoa. Mas depois, analisando a mim mesmo, cheguei a uma conclusão sobre esses casos em específico (não que seja uma conclusão certa e verdadeira, mas ela me preenche em sua verdade [mesmo que parcial]):
Há basicamente dois motivos para não ser bom com nomes: O primeiro é que não me importo. Quando eu conheço alguém, o nome dela nada me importa, por justamente não conhecer ela, logo o nome dela não me significará nada. Enfim, até aquela pessoa começar a significar algo para mim...
O segundo motivo é que na maioria das vezes eu acho que o nome da pessoa não combina com ela. (São nomes que não foi eu quem dei. São nomes aleatórios que pessoas que não conheço deram para uma pessoa, sem mesmo conhecer ela. Dão nome para bebês! Você não conhece um recém nascido. Como estão pode nomeá-la?)
É por isso que acho muito diferente as perguntas "qual é seu nome" e "como você se chama" (para mim a primeira é genérica e a segunda é super pessoal).
Confesso que já tentei muitos nome a mim mesmo. Já me nomeei de diferentes formas, tentar achar algo que me significasse, pois apesar de atender prontamente se alguém chamar o nome Alisson, nunca senti que esse era meu verdeiro nome (nem mesmo na infância); agradeço até por ter tido tantos apelidos durante minha vida (um bom jeito também de captar um pequeno lampejo de como as pessoas te veem;). Além de que sempre tive a sensação de que esse não é meu corpo certo (engraçado, conviver mais de vinte anos num corpo que você não sente ser o você de fato, ser uma expressão física de sua consciência), apesar de obviamente estar super acostumado com ele, apesar de não saber usá-lo.
Acho isso muito louco na verdade. Vivo em um corpo que não sei usar. Mesmo sabendo algumas das capacidades do corpo humano. Assistindo um pouquinho de ginástica artística e parkour vemos que com um pouco de prática podemos dar mortais para frente ou para trás (sem uma cama elástica), pular grandes distâncias e suavizar o impacto de uma queda com cambalhotas, por exemplo, entre várias outras coisas que o corpo humano é capaz. Contudo mal consigo correr. Sempre quis aprender uma luta, praticar um esporte e aprender a tocar um instrumento musical, para alcançar pelo menos um pouco das potencialidades que meu corpo pode executar, além de acumular gordura e acnes... Essas são outras três metas minhas nesta vida.
Well then, acho que já temos o suficiente para a desilusão.
Talvez precise voltar no começo do texto para lembrar que tudo isso era para chegar na desilusão.
Sou obviamente alguém único nessa Terra, assim como cada um de nós (sei lá quantos seres vivos atualmente estão habitando o Planeta, mas em termos de seres humanos mais de 7 bilhões de individualidades). Contudo não sou um único ser, pois para cada pessoa que entrou em contato comigo, passei uma impressão diferente. Sou uma pessoa diferente para cada um dos outros trilhões de seres deste planeta. Até mesmo meus amigos mais próximos não possuem a mesma opinião sobre mim e isso falo com propriedade, pois para alguns deles eu entreguei uma lista com inúmeros adjetivos em ordem alfabética e pedi para eles circularem os adjetivos que combinassem comigo, que me descrevessem quem eu sou e pude ver o quão a divergência era grande (isso porque eram os meus mais próximos).
Eu definitivamente então sou um ser único e singular, assim como continuarei tendo sido após minha morte, pois o universo precisou passar por muita coisa para que enfim pudesse juntar seus átomos e me formar como ser que sou (ou quem sabe apenas mais uma peça do elaborado plano dos deuses); e sou definitivamente nada único e singular, uma vez que sou diferente a cada instante de tempo e na perspectiva de cada um.
E a desilusão está exatamente nisso. As pessoas criam conceitos sobre quem sou baseado naquilo que captam de informação sobre mim e ao dar mais informações sobre mim as pessoas acrescentaram e retiraram ideias a esse conceito, me moldam um pouquinho mais diferente em suas cabeças, de forma que desiludi muito de suas concepções sobre mim, pois muitas das vezes às pessoas preenchem lacunas assumindo certas verdades.
Meus pais por exemplo, como me criaram desde pequeno nunca me perguntaram coisas como minha religião, minha sexualidade, meu posicionamento político ou minhas preferências culturais, eles simplesmente assumem que sou cristão católico, sou hétero cisgênero, que não me interesso por política e gosto de livros (o que deu para sacar após montar uma biblioteca em casa e alguns clubes do livro), apesar de claro, talvez suspeitem que há algo de diferente (pelo menos espero haja no mínimo uma suspeita, apesar de achar que meu pai não sabe nem a data do meu aniversário rsrsrs). É verdade que eles conhecem muitos de meus hábitos e meu caráter, mas sinceramente pouco sabem do que penso, todavia até prefiro assim, não uma relação de amizade, mas uma relação familiar de pais e filho. E espero pelo menos que meu caráter e meu jeito de ser, que eles com certeza conhecem, não mude o que eles sentem por mim independente de minhas escolhas pessoais. E sinceramente, se importarem-se, não estou muito ligando não. O que meus dois pais já me mostraram nessa vida é que relações familiares não é um contrato assinado com sangue não. Relações existem e sem mantem enquanto houver respeito por ambas as partes. Quando a relação, familiar no caso, não mais funcionar (por qualquer motivo, como por causa de uma mentalidade conservadora, por exemplo) a gente se separa e seguem caminhos distintos de nossas vidas. Desculpem-me, mas sou desapegado mesmo, apesar de todo amor que recebo e recebi dentro de casa, pois não posso ser livre se ficar me agarrando as coisas.
Vejam portanto que como muitas informações são verdades assumidas por eles mesmos, informações como "sou feminista" é desiludi-los sobre quem eu sou para eles. Cada pecinha mais de informação é uma desilusão e a formação de uma nova.
Um verdadeiro criador de ilusões que adoro é o pilar da sexualidade, pois ele é cheio de preconceitos sobre o caráter de uma pessoa, logo quando essa é uma das primeira informações, muito é baseado e assumido em cima dos pré-conceitos que aquela pessoa traz com ela.
Cada pessoa tem seus próprios pré-conceitos e difícil saber como é a mente de cada um, mas de forma geral, as pessoas já ligam sua opção sexual a seu caráter sim, como, por exemplo, homossexual: então é extrovertido, animado, gosta de coisas coloridas e não é uma pessoa religiosa; bissexual: pessoa indecisa da vida, tem vergonha de se assumir; heterossexual: é provavelmente homofóbico; assexual: virjão, fracassado que não consegue pegar ninguém; não-conheço-sexual: pessoa carente que quer chamar a atenção sendo o diferentão.
É triste isso, das pessoas ligarem as opções sexuais a caráter, pois uma coisa nada tem a ver com a outra. O que tem a ver, por exemplo, se uma pessoa é caridosa, de gostar de doar dinheiro a mendigos e pessoas carentes, ser racista e ser cantor de axé com ele ser gay? O que tem a ver uma pessoa gostar de sair, ir para balada, ser viciada em vídeo-games, ser espírita, gostar de contar piada, ser contra o aborto e ser bissexual? Ou hétero? Ou a?
Não tem nada a ver!!! Tanto que você pode conhecer (e conhece) várias pessoas sem saber sua orientação sexual e você escolheu fazer amizade com elas e se interagir com elas sem perguntar do que ela gosta na hora do sexo (algo tão normal do ser humano).
Esse pilar entretanto para mim não é um pilar forte, pois ainda estou me descobrindo nele e nesse lado da vida. Mas posso desiludi-los um pouco mais sobre mim:
A princípio achei que era hétero, como quase todos nós. Depois questionei-me se seria homo. Então me dei conta de que podia ser bi na verdade. Voltei atrás muitas vezes pensando se não era apenas um homo que não queria se assumir, mas entendi que era bi mesmo. Cogitei ser a, por não conseguir me apaixonar e sentir amor e ter um pouco de dificuldade de entender esses sentimentos. Mas após pesquisar um pouco entendi que como eu sentia atração, não poderia ser a e cheguei no conceito de pan. Eu meio que repudiava o conceito de pansexual, porque achava que englobava sexo com animais e com cadáveres, porém pelo o que entendi pan na verdade diz respeito a um tipo de bissexualidade um pouco mais amplo, pois uma vez que bi sente atração no masculino e feminino, o pan sente tesão também em todos os gêneros, incluindo todos o espectro daqueles entre o masculino e o feminino, como os não-binários. Entendi então que eu era possivelmente pansexual, pois gostava de humanos (assim como os odeio também) não importando se são cis ou trans.
Eis então que achando estar resolvido pelo menos em terminologia quanto minha sexualidade me deparo com os termos sapiossexual e demissexual. Novamente me senti perdido, mas após pesquisar um pouco mais, me senti tanto dentro da demissexualidade que atualmente é onde está sustentado meu pilar.
Meu pilar identidade sexual em resumo é cisgenero demissexual, que é como me sinto melhor representado.
Entretanto de modo geral, apresento-me como pan (na verdade como bi, pois é um termo mais conhecido). Confesso aqui porém, no meu compromisso comigo mesmo com a verdade e o mínimo de omissões, que ainda sou virgem, apesar disso ser extremamente embaraçoso para mim, principalmente por causa de minha idade. Devo dizer que tenho interesse em experimentar, mas ao mesmo tempo não tenho tanta curiosidade assim, afim de correr atrás e raramente consigo perceber qualquer tipo de indireta relacionado a assuntos mais íntimos. Possivelmente se não fosse por iniciativa de uma garota durante um cinema eu continuaria sendo BV...
*Engraçado, a essa parte do texto esperava não me sentir tão exposto ao relatar isso, pois considerava a parte sobre minhas loucuras tão mais íntimas. Assumir ser virgem pesar mais que um praticante wicca esquizofrênico que convive com várias personalidades dentro de si é no mínimo curioso para mim mesmo.*
Nenhum final é perfeito, porque somos seres tolos que criam expectativas.
Começo então a encerrar esse longo texto aqui, explicando o motivo de sua existência. Por que afinal escrevi esse texto todo? Qual plano falhou afinal?
Os propósitos desse texto foram múltiplos, logo revelarei só alguns, pois ainda pretendo manter meus segredos comigo mesmo, porque apesar de parecer que alguns de meus segredos foram expostos aqui, na verdade só respondi perguntas nunca perguntadas e em alguns casos respondi perguntas evitadas, pois não me sinto obrigado a responder qualquer pessoa sobre qualquer tema (há perguntas que só respondo a algumas pessoas — uma informação minha pode muito bem ser segredo para um amigo e para outro ser algo totalmente casual; mas em geral só foram respostas de perguntas não feitas ou um pouco mais completas que minhas usuais respostas simples, pois respostas grandes geram monólogos e não diálogos).
Alguns dos motivos pelos quais escrevi, foi autoconhecimento, pois pude colocar certos pensamentos de uma forma linear ao colocá-los em palavra escrita. Foi também uma tola mensagem para mim do futuro, pois gostaria de ter alguma base de comparação sobre o quanto meus pensamentos mudaram, pois mudo de ideia a cada instante, inclusive um dos motivos de minha preguiça de revisar textos antes de publicá-los, pois ao finalizar o texto já me contradigo com o que escrevi no começo e já não concordo comigo mesmo, de modo que as revisões são intermináveis, em que quero mudar cada sentença a cada (re)leitura. Ainda mais esse texto grande, que nem sei se consegui passar alguma ideia clara ou se repeti vários pensamentos em várias etapas, além de ter deixado mil outros pensamentos, que acho que me definem, de fora. Contudo vou me comprometer a revisar esse texto, pois deve haver erros de português grotescos (inclusive, podem marcar as faltas de concordância que encontrar, que eu arrumo depois). Só não garanto a voz do texto, pois havia momentos que estava escrevendo unicamente para mim, em outros estava escrevendo para uma pessoa imaginária, em outras ocasiões para um desconhecido: o meu eu do futuro e em outros momentos para o mundo, para todos! Então haverá partes em que o interlocutor estará no singular e outras no plural e não sei se terei saco para corrigir todo o texto neste quesito...
Mas esse texto para meu eu do futuro é para conseguir medir também o quanto mudei e o quanto melhorei, pois por exemplo não consigo ser tão eclético e aceitar muitas faces culturais quanto gostaria, principalmente no quesito música. Como eu queria ser eclético e gostar de todo o tipo de música, porém eu quero morrer toda vez em que sou obrigado a ouvir um sertanejo ou um arrocha (e vários outros estilos de música)... Não sei se é trauma ou o que, pois minha infância foi ouvindo modão (que atualmente odeio!!). Entretanto Funk que eu não gostava, hoje já tolero bem mais. Samba... depende do tipo de samba...
Enfim, minha única certeza é que sou do Rock e do Erudito, mas estamos aí para expandir nossos horizontes, não?
Espero que esse texto também sirva para mim, caso algum dia eu bata a cabeça por aí e esqueça quem eu sou. Minha esperança é que eu tenha pelo menos a decência de pesquisar meu próprio nome no Google, mas somente após um ano ou dois, pois assim eu poderia construir toda uma nova personalidade sem influência das anteriores e quem sabe até fazer e gostar de coisas que atualmente não gostaria e ainda depois ter que lidar com o dilema de levar a vida como era antes da amnésia ou depois, ou quem sabe uma terceira opção.
Contudo os dois principais motivos deste texto foi o desenvolvimento de um hábito e ter um texto base de inspiração. Como estudante de "exatas" escrevo muito pouco literariamente, logo não tenho o hábito de escrever, muito menos literariamente, portanto eu precisava criar esse hábito, por isso decidi começar com algo simples e que eu tivesse amplo domínio e não precisasse ficar fazendo pausas para pesquisas, apenas me concentrar em escrever de forma periódico, por isso então resolvi escrever sobre o que mais conhecia: minha própria vida.
Stephen King porém foi a inspiração também para esse texto, pois em seus livros, principalmente em A Torre Negra, no decorrer da narrativa eu conseguia captar cada passagem da vida do autor e o quanto da vida dele estava entremeada àquela narrativa fictícia, logo resolvi trazer a superfície o que aconteceria somente inconscientemente (mas que ocorreria de qualquer forma), que é basear meus escritos em experiencias minhas e em coisas que já li, vivi ou presenciei. Logo esse longo texto será minha base e meu plano de fundo de onde tirarei inspirações para fazer surgir novos textos. Digamos ser um prelúdio ;)
Já meus planos, falharam rudemente, pois como blog de intercambista, ele não está sendo feito nem durante meu intercâmbio e nem sobre ele (mal falei de meu intercâmbio na verdade). Também não segui e nem seguirei mais o que eu mesmo tinha proposto (no texto anterior) para esse blog. Não pretendo mais escrever uma história em vários idiomas, pois acho que não tenho competência para isso no momento (iludi-me demais neste ponto de que talvez eu conseguisse) e nem estou certo se será uma grande história ou apenas vários contos. Deixarei os ventos me levarem, portanto não há promessas nem compromissos. Valerei-me qualquer coisa de meus escudos: não escrevo com regularidade, por causa de minha vida acadêmica; escrevo mal, pois sou de exatas; etc.
Particularmente gosto dessas falácias, pois elas são amplamente aceitas sem questionamento devido aos (reais) estereótipos.
Bem, era isso... Mas antes do ponto final, alguns lembretes: não são os opostos que se atraem, mas sim os complementares; Sim! Tema o que limita e padroniza!; e de minhas aulas de Cálculo: "Alisson, qual é o próximo passo?".

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